Coincidências e Sussurros
Por volta das três da tarde, Sofia entrou apressada na MonteiroCorp.
O salto fazia um som apressado contra o piso de mármore enquanto ela corria em direção ao elevador.
As portas estavam prestes a se fechar quando ela apertou o botão.
Um som suave — ding — e, ao entrar, congelou por um segundo.
Quem estava lá?
Sim. Thomas.
Ele ergueu o olhar do celular, e um sorriso largo surgiu.
— Olha só quem resolveu aparecer. — disse ele, divertido. — Estava com saudade, sabia? Esses últimos dias foram uma loucura.
Sofia ajeitou a bolsa no ombro, tentando disfarçar o nervosismo.
— Eu imagino. — respondeu, sorrindo de leve. — Também estive sumida... semana de provas. Quase não parei pra respirar.
Thomas assentiu, inclinando-se ligeiramente para o lado, o olhar tranquilo.
— Faz sentido. — disse ele, num tom mais suave. — Mas agora que acabou... vai demorar muito aqui na empresa hoje?
— Acho que não. Vim só resolver os papéis do novo emprego. — respondeu Sofia, prendendo o cabelo atrás da orelha.
Thomas cruzou os braços, observando-a com um brilho nos olhos.
— Muito bom, ruivinha. Então temos motivos para comemorar, vamos fazer o seguinte — disse, num meio-sorriso. — Espera por mim. Quando eu sair, te levo pra jantar. A gente comemora o fim das suas provas e o trabalho novo.
Sofia hesitou por um instante, mas o sorriso dele a desarmou por completo.
— Tá bem... eu espero.
Foi nesse momento que o elevador desacelerou e o som metálico das portas se abrindo preencheu o silêncio.
Sofia deu um passo à frente — mas, distraída pelo olhar dele, tropeçou no próprio pé.
Antes que pudesse cair, Thomas a segurou pela cintura.
O toque foi firme, quente, e por alguns segundos o mundo pareceu parar.
Ela ficou ali, encostada no peito dele, sentindo a respiração de Thomas roçar sua pele.
O tempo entre eles se esticou — segundos longos o bastante para que os dois percebessem que aquele “acidente” já não era só um tropeço.
Thomas manteve o olhar fixo nela, o tom rouco quando falou:
— Cuidado... quase me mata de susto.
Sofia sorriu, o rosto corado.
— E você quase me mata do coração.
As portas se abriram completamente, mas nenhum dos dois pareceu ter pressa em sair.
Sofia saiu do elevador ainda sentindo o coração acelerar.
O toque das mãos de Thomas ainda queimava na pele —
e ela tentava não admitir o quanto aquilo a deixava sem chão.
Respirou fundo, tentando disfarçar o nervosismo, e seguiu pelo corredor até a mesa de Eloise.
Thomas caminhava logo atrás, o passo calmo, um sorriso discreto que ela fingia não perceber.
— Bom dia, Eloise. — cumprimentou Sofia, com a voz ainda um pouco trêmula. — Eu vim trazer os documentos da contratação.
Eloise levantou o olhar, abrindo um sorriso gentil.
— Que bom te ver, Sofia. Estava ansiosa pra te apresentar oficialmente ao time.
Thomas se aproximou, ajeitando o blazer.
— E eu prometo que ela vai ser uma das melhores aquisições da MonteiroCorp. — disse em tom brincalhão.
Eloise riu, balançando a cabeça. — Você sempre com seu charme de diretor, né, Thomas?
Ele piscou. — Faz parte do cargo.
Sofia riu baixo, tentando esconder o rubor que teimava em subir às bochechas.
Ajeitou a pasta nas mãos e entregou os papéis para Eloise.
— Aqui estão todos os documentos, tudo certinho.
— Perfeito. — respondeu Eloise, analisando rapidamente. — E já começa amanhã. A recepção da presidência vai finalmente ter o brilho que merece.
— Márcia? O que está acontecendo?
Ela respirou fundo, tentando manter a voz firme, mas o medo transbordava em cada palavra.
— Você e o seu filho… estão em perigo. — disse rápido, segurando a porta, temendo ouvir passos. — O Antônio está furioso. Ele quer destruir o nome Monteiro, acabar com tudo o que vocês construíram.
O som da torneira misturava-se ao tremor da voz dela.
— Ele não está sozinho. — continuou. — Há alguém ajudando… alguém que se esconde por trás de um nome.
Fez uma pausa curta, o sussurro quase inaudível:
— O nome... é Louvre.
Do outro lado, José Monteiro ficou em silêncio.
O som abafado de um relógio marcava os segundos, lentos, como se o tempo segurasse a respiração.
— Tem certeza disso? — perguntou, enfim, a voz firme, mas tensa.
— Ouvi com meus próprios ouvidos. — respondeu ela, o olhar fixo na porta fechada. — Eles falaram em destruir vocês… em matar você.
Ela respirou fundo, o desespero crescendo.
— Eu não posso falar muito tempo. Se ele descobrir, eu… — a voz vacilou. — Eu só precisava avisar. Se cuida, por favor. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com você.
— Márcia, espere — tentou José, a voz mais alta. — Onde você está?
Mas a ligação já se desfazia.
Márcia desligou o telefone com as mãos trêmulas e o escondeu novamente dentro da bolsa, o som da água ainda correndo para disfarçar qualquer ruído.
Encostou-se na parede fria do banheiro, o coração disparado.
Sabia que, naquele instante, havia assinado sua própria sentença.
Do outro lado da cidade, José Monteiro continuava parado, o celular ainda junto ao ouvido.
Ele levantou-se da cadeira, o olhar endurecido.
Sabia que aquele aviso era mais do que um alerta —
era o início de uma guerra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...