O Peso da Verdade
O silêncio da sala era quase sufocante.
O celular ainda estava na mão de José Monteiro, a tela apagada, mas as palavras ecoavam como um trovão tardio:
> “O nome é Louvre.”
“Ele quer destruir vocês.”
José apoiou-se na beira da mesa, o olhar perdido na janela.
Lá fora, a cidade seguia o ritmo de sempre — indiferente à guerra que acabava de começar.
Respirou fundo, tentando organizar o turbilhão de pensamentos.
Márcia, seu amor do passado.
Antônio Mello.
Louvre, que ele não sabia quem era.
Cada nome era uma peça solta de um quebra-cabeça que, de repente, parecia ter tudo a ver com o passado que ele mais temia revisitar.
Pegou o copo sobre a mesa, mas o deixou no ar, sem coragem de beber.
As mãos tremiam levemente.
“Se eu contar a Augusto…” — pensou — “ele vai querer agir imediatamente. Vai querer confronto. E aí tudo vem à tona.”
Caminhou até a janela, olhando para o reflexo cansado no vidro.
As rugas pareciam mais profundas. O peso dos anos, mais evidente.
“Como eu explico pro meu filho que o homem que quer a nossa ruína… é pai do irmão que ele não sabe que tem?”
José apertou os olhos, um nó na garganta.
A lembrança de Aurora veio como um sopro — o sorriso doce, os olhos serenos.
— Eu nunca traí você, meu amor… — murmurou, a voz embargada. — Mas o mundo não perdoaria o erro de antes.
Voltou para a mesa, sentando-se devagar, como quem carrega um fardo invisível.
Pegou uma folha em branco, rabiscou o nome Louvre, depois Antônio Mello.
Ficou ali, encarando as palavras.
A verdade e o perigo estavam na mesma linha.
Fechou o punho.
— Se eu falar, destruo o que restou da confiança dele.
— Se eu calar, coloco o meu filho em risco.
A indecisão o consumia como fogo.
De repente, o som do relógio de parede quebrou o silêncio.
José levantou o olhar, a expressão endurecendo — não havia mais tempo.
Levantou-se, respirou fundo e decidiu:
— Eu vou proteger o Augusto. — disse, firme. — Custe o que custa.
Guardou o celular no bolso.
O peso do segredo seguia com ele — um fantasma silencioso,
pronto para voltar quando o destino decidisse cobrar.
___
A porta da sala fechou com um clique firme.
O som abafado da cidade lá fora desapareceu, deixando apenas o ar pesado de tensão e o zumbido discreto do ar-condicionado.
Augusto estava de pé, junto à janela, observando o reflexo do próprio rosto no vidro. Com uma pasta em sua mão.
— Estão aqui. — disse, estendendo a pasta. — Tudo o que conseguimos até agora sobre Lorenzo Mello.
Thomas pegou a pasta e espalhou os documentos sobre a mesa — extratos bancários, e-mails impressos, relatórios de transações falsas.
— Provas diretas de que ele movimentou o dinheiro das empresas laranja. — explicou Augusto. — Em nome meu e do Thiago.
Thomas pegou um dos papéis, analisando com atenção.
O silêncio entre os dois se estendeu por alguns segundos, até que ele respirou fundo e murmurou:
Dentro daquela sala, no entanto, o jogo de poder continuava.
Um tabuleiro invisível estava armado,
e cada movimento dali em diante decidiria quem cairia primeiro.
___
O sol já se punha, eram cerca de dezoito horas e as luzes começavam a acender, uma fileira de janelas como olhos despertos. Cansado de passar o dia ali, Lorenzo batia os dedos no volante, o coração martelando no peito — até que percebeu, na portaria, o homem que vira no bar dias antes. A certeza apertou-lhe a garganta: era ele. O Louvre.
Saltou do carro e correu em direção ao calçadão, gritando:
— Ei! Você! Louvre!
O homem virou-se devagar, sem surpresa no rosto.
— Você está louco? O que faz aqui? — perguntou, seco.
Lorenzo, ofegante, aproximou-se, as palavras saindo atropeladas, quase em desespero:
— As transferências… eu executei as remessas, mas continuam no meu nome. Cadê as confirmações? Me expliquem!
O semblante do Louvre endureceu; uma sombra cruzou-lhe o rosto e congelou o ar entre os dois.
— Quem mandou? — cortou ele. — Eu não lhe dei ordem nenhuma, seu imbecil.
Lorenzo engoliu em seco, a culpa e o medo misturados na voz.
— Calma — tentou. — A Thamires me ligou. Ela pediu pra agilizar. Disse que precisava que as transferências saíssem o mais rápido possível. Eu só fiz o que me mandaram.
O nome caiu como chumbo. Por um instante, tudo ficou tão quieto que só se ouviam os passos distantes do porteiro e o zumbido do ar-condicionado.
— Porra — murmurou o Louvre, e os olhos tornaram-se glaciares. — Aquela vagabunda não manda em nada. Vocês dois são incompetentes e acabaram de pôr meu plano em risco.
Sem esperar resposta, deu meia-volta e avançou para a entrada do prédio. Na soleira, virou-se e, baixinho, como quem lança uma sentença, arrematou:
— Saiba uma coisa: se alguém descobrir essas transferências, eu não caio junto. Quem cruzar meu caminho… morre.
Entrou. Lorenzo ficou parado, paralisado pelo medo e pela vergonha de quem vira, de repente, peça de um tabuleiro que não conhecia. A porta se fechou atrás do Louvre; o eco da ameaça permaneceu, pesado. Sentiu a indignação subir, mas a voz que saiu parecia pequena:
— Você não pode me deixar assim! Eu preciso das confirmações...
Percebeu, então, com um frio na espinha, que naquele jogo ele era só um peão — e que o adversário já o havia capturado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...