Vozes de Casa
O celular vibrou sobre a mesa, e o nome que surgiu na tela fez Eloise sorrir de imediato.
"Carlos Pai ".
Ela atendeu quase no primeiro toque, a voz suave e acolhedora.
— Oi, papai … já tá com saudade de mim, é isso?
Do outro lado da linha, veio uma risada leve.
— Você sabe que sim. — respondeu Carlos, com aquele tom tranquilo que sempre conseguia arrancar dela um sorriso. — Só liguei pra saber se tá tudo bem.
Eloise apoiou o cotovelo na mesa, girando distraidamente a caneta entre os dedos.
— Tá tudo bem, sim. Só uma semana intensa na empresa… nada que eu não aguente. — disse, sorrindo. — E você, tá aproveitando o spa?
— Tô. — respondeu ele, rindo. — Mas sinceramente? Já cansei de massagem, água aromatizada e gente falando "respira fundo".
— Ah, é? — provocou ela, divertida. — O senhor Carlos Nogueira cansou de ser mimado?
— Não é isso. — disse ele, em tom brincalhão. — É que esse lugar é bom, mas não tem a minha rotina. E, principalmente… — fez uma pausa dramática. — …não tem você.
Eloise riu e disse que estava com saudade. O som doce escapou natural.
— Que bobo. — murmurou, mas o sorriso não disfarçava o quanto gostava de ouvi-lo falar assim.
— Sério. — insistiu ele, a voz mais baixa, mais próxima. — A casa fica diferente sem você. Silenciosa demais.
— É, eu sei. — respondeu ela, com um toque de ternura. — Também sinto falta disso… do senhor deixar canecas na mesa, de me acordar com café e música.
— Então promete que, quando eu voltar, vai deixar eu fazer café pra você todos os dias? — brincou ele.
— Prometo. — respondeu ela, rindo. — Mas só se eu puder escolher a playlist.
Os dois riram juntos, o som suave se misturando ao silêncio confortável que veio depois.
Do outro lado da linha, Carlos suspirou, sincero:
— Falta pouco. Só continuo aqui porque sei que Cláudia faz isso porque está preocupada.
Eloise olhou pela janela, o pôr do sol tingindo a cidade com tons dourados.
— Sim pai, fico feliz de ver vocês juntos. — disse, baixinho. — Mas volta logo pai, estou com saudades.
— Também minha princesa. — respondeu ele, sorrindo na voz.
A ligação terminou, mas o sorriso dela ficou.
Por alguns minutos, Eloise ficou ali, com o celular ainda na mão, sentindo aquele calor bom que só o amor genuíno deixava —
simples, leve e seguro.
Depois de tudo o que andava acontecendo, aquela voz do outro lado da linha era o lembrete de que ainda havia ternura no meio do caos.
___
A luz do quarto começava a diminuir quando o som da chave girando na fechadura anunciou a entrada de alguém.
Márcia levantou a cabeça devagar, os olhos cansados, o corpo ainda dolorido.
A porta se abriu e a empregada entrou — uma mulher de meia-idade, passos cautelosos, olhar que evitava o dela.
Nas mãos, trazia uma bandeja com uma tigela de sopa e um copo d’água.
— Dona Márcia… trouxe seu jantar. — disse, a voz baixa, quase um sussurro.
Márcia tentou se levantar, mas o corpo não obedeceu. Ficou de joelhos, as mãos apoiadas no chão.
— Por favor… — murmurou, com a voz embargada. — Me ajuda a sair daqui.
A mulher hesitou, os olhos marejando.
— Eu… não posso. — respondeu, a respiração trêmula.
— Por favor! — insistiu Márcia, arrastando-se um pouco mais perto. — Eu não tô pedindo muito. Só abre a porta, só deixa eu correr. Ele não precisa saber.
A empregada fechou os olhos por um instante, como se aquelas palavras lhe cortassem por dentro.
— A senhora não entende… — disse, baixinho. — Se eu fizer isso, ele me mata. Ele mata todos nós.
Márcia agarrou o pé da mulher, desesperada.
— Eu imploro, pelo amor de Deus… ele vai fazer algo terrível. Eu preciso avisar alguém, preciso salvar uma vida!
A bandeja nas mãos da empregada tremeu. Por um segundo, parecia que ela cederia.
Mas então respirou fundo, recuou um passo e murmurou:
— Me perdoa, dona Márcia… mas não posso.
Colocou a bandeja sobre o criado-mudo, os olhos evitando o rosto da mulher ajoelhada.
Nathalia ergueu a sobrancelha, teatral: — Ai, meninas… eu preciso de um love, viu. — suspirou, dramática. — Tô carente.
Eloise, com a xícara nas mãos, não resistiu à provocação.
— Tá vendo? Vive maltratando todo mundo e agora tá sozinha. — disse, divertida. — A vida cobra, meu bem.
As gargalhadas tomaram conta da copa.
Emma, entre risos, completou: — O rei do cacau tá louco por essa secretária safadinha, viu?
— Emma! — repreendeu Eloise, entre risos. — Você não presta!
— Ah, é mesmo! Esqueci que na MonteiroCorp tem duas secretárias safadinhas — insistiu Emma, rindo. — Augusto Monteiro, o temido, o gelado… completamente derretido.
As meninas riram ainda mais, o som leve ecoando pelo corredor.
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Do outro lado, no corredor principal, Augusto e Thomas saíam da sala de reuniões, conversando em tom sério, quando Thiago surgiu com o celular na mão.
— Vocês tão ouvindo isso? — perguntou ele, com um meio sorriso. — As gargalhadas das meninas estão vindo lá da copa.
Thomas arqueou uma sobrancelha, curioso. — E o que será que estão falando pra rir tanto assim?
Antes que alguém respondesse, mais uma onda de risadas ecoou pelo ar — clara, contagiante.
Augusto cruzou os braços, um meio sorriso surgindo no canto dos lábios.
— Pelo som… o papo parece bom.
Thiago deu um passo à frente, animado. — Eu voto pra gente investigar.
Thomas riu. — Eu também. Afinal, depois desse dia, acho que a gente merece ouvir um pouco de alegria.
Os três trocaram olhares cúmplices, e sem mais palavras, seguiram o som dos risos.
No corredor, o clima sério da MonteiroCorp parecia desaparecer a cada passo.
Quando chegaram à porta da copa, os risos femininos ainda ecoavam — doces, despreocupados, cheios de vida.
E ali, antes mesmo de entrarem, os três homens entenderam —
naquele instante, aquelas mulheres eram o fio de luz que os mantinha de pé,
mesmo enquanto carregavam o peso do mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...