Entre Risos e Alarmes
O restaurante tinha uma atmosfera acolhedora — luzes amareladas, música suave e o cheiro de especiarias misturado ao de vinho.
A mesa redonda reunia o grupo com uma harmonia que há muito não se via.
Thiago e Emma conversavam animadamente, Sofia e Thomas trocavam sorrisos sutis, e Eloise, entre risadas, brincava com Nathalia sobre o novo corte de cabelo.
Poucos minutos depois, um garçom se aproximou abrindo espaço para mais um convidado.
— Posso? — perguntou uma voz conhecida.
Nathalia ergueu os olhos e sorriu, surpresa. — Heitor! Achei que não vinha.
Ele sorriu de canto, ajeitando o paletó antes de se sentar ao lado dela. — Mudança de planos. Resolvi não perder a chance de jantar com a equipe mais perigosa da MonteiroCorp.
Thiago riu. — Perigosa é pouco. Essas quatro juntas dominam a cidade.
— E você tá incluso nisso, senhor diretor. — provocou Eloise, divertida.
As risadas se espalharam pela mesa, o clima leve, quase familiar.
Logo os pratos foram servidos — massas, risotos, taças de vinho, e uma pilha de histórias misturadas com provocações.
— Então, Eloise — começou Nathalia, o olhar curioso. — Já escolheram a data do casamento?
Augusto, que mexia no copo, levantou os olhos e respondeu com naturalidade:
— Assim que tudo estiver resolvido. — disse, num tom calmo, mas firme. — Quero que seja o início de uma fase nova.
Eloise olhou para ele, o sorriso suave. — E vai ser.
Emma suspirou teatralmente. — Ai, meu Deus… os dois são tão lindos juntos que chega dá raiva.
Thiago ergueu a taça. — Brindemos, então, ao casal mais poderoso da cidade.
— E mais teimoso também. — completou Nathalia, rindo.
As taças se tocaram, o som leve do cristal se misturando ao burburinho do restaurante.
O jantar seguiu em meio a risadas, pequenas provocações e olhares cúmplices.
Quando o garçom voltou com o cardápio de sobremesas, Eloise foi a primeira a se manifestar.
— Eu quero um petit gateau com sorvete de baunilha. — disse, convicta.
— Só isso? — perguntou Augusto, arqueando uma sobrancelha. — Eu só pedi café. Mas já que somos noivos, acho que você vai dividir comigo.
Eloise sorriu, fingindo indignação. — Dividir? Nem pensar.
Augusto inclinou-se, a voz baixa, carregada de provocação. — Então vou ter que roubar.
Ela riu, empurrando-o de leve. — Você é impossível, senhor Monteiro. — disse, rindo.
— E você é má. — respondeu ele, divertido. — Casar comigo significa dividir tudo... até a sobremesa.
— Tudo, menos o petit gateau. — rebateu ela, com um brilho malicioso no olhar.
As risadas voltaram, contagiando a mesa inteira.
Por alguns minutos, parecia que o mundo lá fora havia parado.
O caos, os planos, os medos — tudo ficou em suspenso, substituído por aquele pequeno instante de normalidade.
Mas então, o celular de Augusto vibrou sobre a mesa.
Uma, duas vezes.
O som grave do toque rompeu o riso e mudou o ar ao redor.
Ele olhou o visor.
O nome de Laís piscava em letras vermelhas.
O sorriso desapareceu.
Eloise percebeu na hora. — Aconteceu algo?
Augusto respirou fundo antes de atender.
O tom de voz que saiu já não tinha nada do homem leve de segundos antes.
— Fala, Laís.
O olhar dele endureceu conforme ouvia.
___
A noite havia engolido a Cidade Norte.
Do lado de fora, o vento assobiava entre os prédios, fazendo as luzes refletirem nos vidros como fantasmas em movimento.
O homem dirigia em silêncio, os olhos fixos na estrada enquanto os pensamentos giravam em espiral.
O motor do carro rugia baixo — o som de fundo perfeito para o caos dentro da cabeça dele.
Cada segundo que passava parecia um golpe.
Ele sabia que o sistema da MonteiroCorp estava em modo de segurança.
E isso tornava tudo ainda mais perigoso.
O rosto dele empalideceu, o ar preso nos pulmões.
— Você não sabe no que está se metendo. Esse jogo não é pra amadores. — murmurou, entre os dentes.
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Na Sala Sigma, Laís mantinha o olhar fixo na tela.
Os dedos digitavam em velocidade, um sorriso de pura concentração curvando-lhe os lábios.
— Amador. — disse, divertida, sem desviar os olhos.
As luzes dos monitores piscavam, o reflexo azul riscando seu rosto.
Então, o som agudo de um bip ecoou pela sala.
A tela principal ficou vermelha.
> Alerta de intrusão detectado.
Laís sorriu.
— Peguei você, ratinho.
O prédio inteiro despertou de repente — luzes automáticas acendendo, sensores piscando, alarmes rasgando o silêncio.
O som ecoou como um rugido metálico.
---
No andar da presidência, o homem reagiu num salto assim que ouviu o som do alarme.
Desligou o notebook, enfiou-o na bolsa e correu pelo corredor em direção às escadas.
Sabia exatamente o que aquilo significava.
— Merda.
Enquanto descia, ouviu vozes e passos ecoando pelo poço da escada — estavam perto.
Congelou por um segundo.
Depois, sem pensar duas vezes, correu para o quarto andar — a sua própria sala.
O coração batia alto demais.
Precisava de um plano.
E rápido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...