O Invasor Entre Nós
O som do alarme cessou tão abruptamente quanto começou.
O silêncio que se seguiu foi estranho — pesado, quase artificial.
Nos corredores da MonteiroCorp, os seguranças se comunicavam pelos rádios, as vozes ecoando distorcidas:
> “Setor leste limpo.”
“Sala de servidores, nada anormal.”
“Dividam-se. Um em cada andar.”
No quarto andar, o invasor se manteve imóvel, respirando fundo atrás da porta das escadas.
Abriu uma fresta mínima, observando a movimentação no corredor.
Dois seguranças subiam apressados, lanternas em mãos.
O som das botas ecoava cada vez mais próximo.
— Merda… o que eu faço agora? — sussurrou para si mesmo.
Retirou as luvas rapidamente, enfiando-as no bolso.
Bagunçou o cabelo com as mãos, o rosto ainda coberto de suor.
Caminhou até sua mesa e ligou o monitor, tentando parecer calmo.
Quando os passos se aproximaram, ele fingia estar organizando alguns cabos e papéis.
Dez minutos se passaram.
A tensão no ar era quase palpável.
Então, a porta se abriu de súbito.
Dois seguranças apareceram no batente — uniformes escuros, olhares firmes.
— O que o senhor está fazendo aqui? — perguntou um deles, desconfiado.
O homem ergueu o olhar com expressão controlada, a voz fria e serena:
— Fazendo manutenção em alguns computadores. — respondeu, com um leve sorriso forçado. — Perdi a noção do tempo… o alarme me trouxe de volta à realidade.
Houve uma pausa breve.
Os dois homens se entreolharam, avaliando.
— Certo… — disse o mais velho, finalmente. — Mas o protocolo exige que todos deixem o prédio até nova ordem. Ainda não sabemos o que causou o disparo. Pode não ser seguro.
— Entendido. — respondeu o invasor, mantendo o tom profissional. — Obrigado pelo aviso.
Pegou a bolsa, ajeitou a camisa e caminhou tranquilamente em direção ao elevador.
O som dos passos dele se misturava ao zunido distante do sistema reiniciando.
Quando entrou no elevador, o mais jovem dos seguranças murmurou:
— Isso está estranho.
O outro assentiu, sem tirar os olhos da porta.
— É… mas vamos seguir o protocolo. — respondeu, ainda desconfiado.
___
Thomas percebeu a mudança e se endireitou na cadeira. — O que foi?
Augusto encerrou a chamada, a mandíbula tensa.
— Invasão no sistema. — disse, frio. — Agora mesmo.
O silêncio caiu sobre a mesa como uma sombra.
— Precisamos ir. — disse Augusto, já levantando-se.
Thomas e Thiago o seguiram sem hesitar.
Eloise também se levantou, ajeitando a bolsa no ombro, o semblante tenso.
Mas, antes que pudesse dar o primeiro passo, o mal-estar veio de repente.
Um enjoo intenso, uma onda quente subindo do estômago até a garganta.
— Eu… preciso ir ao banheiro. — murmurou, pálida.
Nem teve tempo de explicar.
Correu, uma mão na boca, o coração acelerado.
Nathalia levantou-se num pulo. — Eu vou com ela! — disse, indo atrás.
Logo Emma e Sofia também se apressaram, preocupadas.
Augusto ficou imóvel por um instante, os olhos acompanhando Eloise desaparecer pelo corredor.
Passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Preciso resolver isso logo. — murmurou, tenso. — O estresse tá fazendo mal pra ela.
Thomas pousou uma mão em seu ombro. — Vai ficar tudo bem.
Mas nem ele parecia acreditar totalmente nisso.
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No banheiro feminino, o som da torneira e o perfume forte do sabonete se misturavam ao ruído do mal-estar.
Nathalia segurava o cabelo de Eloise, que estava ajoelhada diante da privada, o rosto pálido, o corpo trêmulo.
— Calma, Elô… respira. — dizia, com a voz firme, enquanto a ajudava.
Eloise mal conseguia responder.
O gosto amargo ainda lhe queimava a garganta.
Poucos segundos depois, Emma e Sofia chegaram ofegantes.
— O que aconteceu? — perguntou Sofia, preocupada.
— Acho que foi o jantar. — Emma
— Mesmo assim, não quero arriscar. A gente vai pra casa, e Thomas e Thiago passam na empresa pra ver o que a Laís descobriu.
Ela respirou fundo.
— Augusto, não precisa. Eu estou bem.
Mas antes que terminasse a frase, uma nova onda de enjoo a atingiu.
Ela levou a mão à boca, cambaleando.
Augusto reagiu rápido, segurando-a pela cintura.
— Tá vendo? — murmurou, preocupado. — Você não está bem.
Eloise apoiou a cabeça no ombro dele, tentando recuperar o equilíbrio.
Nathalia apoiou sua mão nas costas da Eloise.
— Eu vou com ela. — disse, firme. — Fico em casa e preparo um chá. Assim você pode resolver o que precisar.
Augusto olhou para ela, aliviado.
— Ficaria menos preocupado, Nathalia. Obrigado.
Emma também disse, ajeitando a bolsa.
— Então eu levo vocês. — disse, já pegando as chaves. — Nathalia cuida dela, e eu garanto que cheguem em casa bem.
Thomas assentiu. — Boa ideia. A gente vai direto pra MonteiroCorp. Quero ver o que aconteceu com aquele sistema.
Thiago completou, com um meio sorriso tentando aliviar a tensão:
— Meninas, se cuidem. Qualquer coisa, liguem pra gente.
Augusto apenas concordou com um aceno, a expressão endurecendo.
A preocupação com Eloise dividia espaço com o instinto protetor de empresário — e de homem que sabia quando algo estava fora do controle.
Eloise respirou fundo, recobrando um pouco da cor.
— Promete que me liga assim que souber o que aconteceu?
— Prometo. — respondeu Augusto, ajeitando o casaco dela nos ombros. — Só quero que você descanse, entendeu?
Sofia, que observava em silêncio, se aproximou com um sorriso gentil.
— Você precisa se cuidar, Elô. Vive cuidando de todo mundo e esquece de você.
Eloise assentiu, emocionada. — Obrigada, Sofi.
Emma ajudou Nathalia a amparar Eloise até a saída.
Enquanto o quarteto caminhava em direção ao carro, Augusto as acompanhou com o olhar — só relaxando quando viu o veículo se afastar pelas luzes da rua.
Thomas colocou uma mão em seu ombro.
— Vamos, Monteiro. O jogo ainda não acabou.
Augusto respirou fundo.
— É. Dessa vez, quem mexeu com o que é meu vai pagar caro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...