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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 229

O Retorno à Sala Sigma

O carro avançava pelas ruas quase desertas da Cidade Norte.

O silêncio dentro do veículo era quebrado apenas pelo som do motor e pelas luzes que riscavam os vidros.

No banco de trás, Thiago se remexeu, cruzando os braços com um meio sorriso provocador.

— Mas me diz uma coisa… por que o Heitor veio mesmo? — perguntou, virando-se para trás.

Thomas respondeu antes que o outro pudesse abrir a boca:

— Porque é curioso. Parece uma velha fofoqueira.

Thiago riu alto, batendo no encosto do banco. — Eu sabia!

— Ei! — Heitor ergueu as mãos em defesa. — Eu vim porque temos projetos juntos com a MonteiroCorp, caso vocês tenham esquecido. Estou apenas garantido a segurança dos meus interesses.

Thomas rebateu, rindo:

— Ah claro, garantido a segurança.

— É um perneta, Heitor. Fala direito. — corrigiu Thiago, divertido.

Os três riram, mas Augusto permaneceu em silêncio, o olhar fixo na estrada.

A mão firme no volante denunciava o foco — e a preocupação.

O silêncio voltou a dominar o carro.

Poucos minutos depois, o prédio da MonteiroCorp surgiu diante deles — imponente e iluminado, como se nada tivesse acontecido.

O relógio marcava 22h47.

Eles atravessaram o saguão sem dizer uma palavra.

O som dos passos ecoava nas paredes de vidro até que o elevador se abriu com um bip metálico.

O visor indicava: 5º Andar — Sala Sigma.

Quando as portas deslizaram, o grupo saiu em formação.

Augusto à frente, expressão fechada; Thomas e Thiago logo atrás, e Heitor, mancando levemente, tentando acompanhar o ritmo.

A Sala Sigma estava mergulhada em meia-luz.

Os monitores piscavam em tons de azul, refletindo nos rostos sérios dos homens que, poucas horas antes, riam num jantar descontraído.

Agora, cada olhar carregava o peso do que estava prestes a ser revelado.

Laís estava lá, debruçada sobre três monitores, os olhos fixos nas linhas de código, digitava sem parar, os dedos deslizando pelo teclado como se tocassem um instrumento invisível.

O som frenético das teclas era o único ruído que ainda respirava na sala.

Augusto entrou com passos firmes.

O terno alinhado contrastava com a expressão dura.

Nada nele lembrava o homem sorridente de horas atrás.

Sem virar, Lais disse:

— Finalmente. Achei que iam demorar mais.

O tom seco dela contrastava com a tensão no ar.

— Quem invadiu, Laís? — Augusto perguntou, direto.

A voz grave cortou o silêncio como uma lâmina.

Laís parou por um segundo, respirou fundo e girou a cadeira, encarando o grupo.

— Foi uma invasão remota. — começou. — O acesso aconteceu de dentro da rede da MonteiroCorp. Um notebook foi logado usando um crachá sem identificação.

As câmeras de segurança foram temporariamente desligadas, o que significa que quem fez isso sabia exatamente o que estava fazendo.

Augusto apertou os punhos.

— Quero um nome. — disse, frio. — Cansei desse jogo de gato e rato.

Laís assentiu, voltando-se para os monitores.

— Eu quase consegui rastrear o IP. Ele tentou mascarar o acesso com três servidores intermediários, mas um deles falhou.

Faltam algumas coordenadas para completar a localização.

Thomas cruzou os braços, o olhar fixo na tela.

— Isso significa que foi alguém de dentro, certo?

Laís confirmou com um leve aceno.

— Alguém com conhecimento técnico e acesso físico ao prédio.

Thiago se inclinou sobre a mesa, a voz baixa, tensa: — Então o invasor esteve aqui. Hoje. Dentro da MonteiroCorp.

O silêncio caiu outra vez, pesado.

Heitor apoiou as mãos no encosto da cadeira à frente, a expressão tensa.

— E se foi alguém do nosso círculo? Um funcionário leal, mas subornado?

Thomas o encarou, o semblante fechado.

— Ou alguém que nunca foi leal pra começo de conversa.

Pegou o notebook e o apoiou sobre o painel.

Ligou o aparelho.

A tela brilhou, refletindo o rosto tenso, o olhar tomado por uma mistura de raiva e medo.

Digitou alguns comandos.

As linhas de código subiram rapidamente, e um sorriso breve cruzou o rosto dele.

— Vamos ver até onde esse rack consegue ir…

A tela exibiu uma sequência de alertas:

> “Rede MonteiroCorp desconectada.”

“Rastreamento externo não detectado.”

— É… — murmurou, relaxando levemente o corpo contra o banco. — Ainda não conseguiu me encontrar. Isso é bom.

Mas a tranquilidade durou pouco.

O olhar dele se estreitou, o maxilar trincou.

— Preciso descobrir quem está por trás, é boa demais… e se continuar cavando, vai chegar perto.

O silêncio voltou, pesado, cortado apenas pelo som distante de uma sirene.

Ele observou o reflexo do próprio rosto no vidro — olhos escuros, olheiras fundas, a sombra de um homem que já perdera mais do que podia admitir.

— Preciso adiantar o próximo passo. — disse, firme, como se tentasse convencer a si mesmo.

Fechou o notebook, o som seco da tampa ecoando dentro do carro.

Pegou o celular no bolso e discou um número.

A chamada demorou alguns segundos para ser atendida.

Quando a voz feminina surgiu do outro lado, ele esboçou um sorriso frio.

— Precisamos conversar. — disse baixo, num tom que misturava veneno e calma. — Hoje à noite. Vamos resolver a merda que você fez.

Fez uma pausa. — E não me faça esperar, Thamires.

Desligou o telefone e recostou no banco, os olhos fixos no nada.

Lá fora, a Cidade Norte seguia acordada —

mas, dentro daquele carro, o jogo recomeçava.

E, desta vez, o caçador e a presa trocariam de lugar.

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