O Retorno à Sala Sigma
O carro avançava pelas ruas quase desertas da Cidade Norte.
O silêncio dentro do veículo era quebrado apenas pelo som do motor e pelas luzes que riscavam os vidros.
No banco de trás, Thiago se remexeu, cruzando os braços com um meio sorriso provocador.
— Mas me diz uma coisa… por que o Heitor veio mesmo? — perguntou, virando-se para trás.
Thomas respondeu antes que o outro pudesse abrir a boca:
— Porque é curioso. Parece uma velha fofoqueira.
Thiago riu alto, batendo no encosto do banco. — Eu sabia!
— Ei! — Heitor ergueu as mãos em defesa. — Eu vim porque temos projetos juntos com a MonteiroCorp, caso vocês tenham esquecido. Estou apenas garantido a segurança dos meus interesses.
Thomas rebateu, rindo:
— Ah claro, garantido a segurança.
— É um perneta, Heitor. Fala direito. — corrigiu Thiago, divertido.
Os três riram, mas Augusto permaneceu em silêncio, o olhar fixo na estrada.
A mão firme no volante denunciava o foco — e a preocupação.
O silêncio voltou a dominar o carro.
Poucos minutos depois, o prédio da MonteiroCorp surgiu diante deles — imponente e iluminado, como se nada tivesse acontecido.
O relógio marcava 22h47.
Eles atravessaram o saguão sem dizer uma palavra.
O som dos passos ecoava nas paredes de vidro até que o elevador se abriu com um bip metálico.
O visor indicava: 5º Andar — Sala Sigma.
Quando as portas deslizaram, o grupo saiu em formação.
Augusto à frente, expressão fechada; Thomas e Thiago logo atrás, e Heitor, mancando levemente, tentando acompanhar o ritmo.
A Sala Sigma estava mergulhada em meia-luz.
Os monitores piscavam em tons de azul, refletindo nos rostos sérios dos homens que, poucas horas antes, riam num jantar descontraído.
Agora, cada olhar carregava o peso do que estava prestes a ser revelado.
Laís estava lá, debruçada sobre três monitores, os olhos fixos nas linhas de código, digitava sem parar, os dedos deslizando pelo teclado como se tocassem um instrumento invisível.
O som frenético das teclas era o único ruído que ainda respirava na sala.
Augusto entrou com passos firmes.
O terno alinhado contrastava com a expressão dura.
Nada nele lembrava o homem sorridente de horas atrás.
Sem virar, Lais disse:
— Finalmente. Achei que iam demorar mais.
O tom seco dela contrastava com a tensão no ar.
— Quem invadiu, Laís? — Augusto perguntou, direto.
A voz grave cortou o silêncio como uma lâmina.
Laís parou por um segundo, respirou fundo e girou a cadeira, encarando o grupo.
— Foi uma invasão remota. — começou. — O acesso aconteceu de dentro da rede da MonteiroCorp. Um notebook foi logado usando um crachá sem identificação.
As câmeras de segurança foram temporariamente desligadas, o que significa que quem fez isso sabia exatamente o que estava fazendo.
Augusto apertou os punhos.
— Quero um nome. — disse, frio. — Cansei desse jogo de gato e rato.
Laís assentiu, voltando-se para os monitores.
— Eu quase consegui rastrear o IP. Ele tentou mascarar o acesso com três servidores intermediários, mas um deles falhou.
Faltam algumas coordenadas para completar a localização.
Thomas cruzou os braços, o olhar fixo na tela.
— Isso significa que foi alguém de dentro, certo?
Laís confirmou com um leve aceno.
— Alguém com conhecimento técnico e acesso físico ao prédio.
Thiago se inclinou sobre a mesa, a voz baixa, tensa: — Então o invasor esteve aqui. Hoje. Dentro da MonteiroCorp.
O silêncio caiu outra vez, pesado.
Heitor apoiou as mãos no encosto da cadeira à frente, a expressão tensa.
— E se foi alguém do nosso círculo? Um funcionário leal, mas subornado?
Thomas o encarou, o semblante fechado.
— Ou alguém que nunca foi leal pra começo de conversa.
Pegou o notebook e o apoiou sobre o painel.
Ligou o aparelho.
A tela brilhou, refletindo o rosto tenso, o olhar tomado por uma mistura de raiva e medo.
Digitou alguns comandos.
As linhas de código subiram rapidamente, e um sorriso breve cruzou o rosto dele.
— Vamos ver até onde esse rack consegue ir…
A tela exibiu uma sequência de alertas:
> “Rede MonteiroCorp desconectada.”
“Rastreamento externo não detectado.”
— É… — murmurou, relaxando levemente o corpo contra o banco. — Ainda não conseguiu me encontrar. Isso é bom.
Mas a tranquilidade durou pouco.
O olhar dele se estreitou, o maxilar trincou.
— Preciso descobrir quem está por trás, é boa demais… e se continuar cavando, vai chegar perto.
O silêncio voltou, pesado, cortado apenas pelo som distante de uma sirene.
Ele observou o reflexo do próprio rosto no vidro — olhos escuros, olheiras fundas, a sombra de um homem que já perdera mais do que podia admitir.
— Preciso adiantar o próximo passo. — disse, firme, como se tentasse convencer a si mesmo.
Fechou o notebook, o som seco da tampa ecoando dentro do carro.
Pegou o celular no bolso e discou um número.
A chamada demorou alguns segundos para ser atendida.
Quando a voz feminina surgiu do outro lado, ele esboçou um sorriso frio.
— Precisamos conversar. — disse baixo, num tom que misturava veneno e calma. — Hoje à noite. Vamos resolver a merda que você fez.
Fez uma pausa. — E não me faça esperar, Thamires.
Desligou o telefone e recostou no banco, os olhos fixos no nada.
Lá fora, a Cidade Norte seguia acordada —
mas, dentro daquele carro, o jogo recomeçava.
E, desta vez, o caçador e a presa trocariam de lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...