Silêncio no Meio da Tempestade
Já passava das onze e meia quando Augusto e Heitor estacionaram em frente ao prédio.
O ar da noite estava frio, e a cidade parecia adormecida.
As luzes do apartamento ainda estavam acesas quando Augusto girou a chave na fechadura.
Entrou em silêncio, seguido de Heitor.
O som baixo da televisão preenchia o ambiente — um filme esquecido passava na tela.
No sofá, Nathalia e Sofia conversavam em voz baixa.
Eloise dormia com a cabeça apoiada nas pernas de Nathalia, o rosto sereno, uma mecha de cabelo caindo sobre os lábios.
Augusto parou por um instante, observando a cena.
Toda a tensão do dia pareceu se dissolver naquele quadro simples — a mulher que amava, finalmente em paz.
— Ela apagou faz uns trinta minutos. — sussurrou Nathalia, com um sorriso cansado. — Estava exausta.
Sofia completou:
— Tomou o chá e mal deu tempo de terminar o episódio. — disse, apontando para a televisão.
Augusto se aproximou devagar.
Ajoelhou-se ao lado do sofá e afastou com cuidado uma mecha do cabelo de Eloise.
O toque foi leve, quase um carinho involuntário.
— Obrigado, meninas. — disse, baixo. — Por ficarem com ela.
Nathalia deu um pequeno sorriso. — Imagina, ela é minha irmã de alma.
E hoje… precisava de colo.
Augusto assentiu, o olhar ainda em Eloise.
— Ela vem se esforçando demais. — murmurou. — E eu acabo puxando junto o peso que ela não devia carregar.
Sofia, sentada ao lado, disse com delicadeza:
— Ela aguenta o mundo por você, Augusto. Mas… às vezes o mundo precisa dar uma folga pra ela também.
Ele respirou fundo, tocado pelas palavras.
Depois, cuidadosamente, passou um braço sob as pernas de Eloise e o outro sob os ombros.
Levantou-a com facilidade, o corpo dela se aninhando naturalmente contra o peito dele.
— Vou colocá-la na cama. — disse, com a voz mais baixa. — E vocês deviam ir descansar também.
Heitor se aproximou, colocando as chaves no bolso.
— Eu as levo pra casa. — falou, calmo. — A essa hora, não vou deixar vocês irem sozinhas.
Nathalia se levantou, pegando a bolsa. — Obrigada, Heitor.
Sofia também se ergueu, apagando a televisão com o controle.
Antes de saírem, Nathalia olhou mais uma vez para Eloise.
— Ela vai ficar bem. — disse, confiante. — Até amanhã.
Augusto assentiu, com um meio sorriso cansado. — Obrigado.
Quando o trio alcançou a porta, ele completou:
— B**e a porta, por favor.
Heitor acenou. — Pode deixar.
A porta se fechou suavemente, abafando o som da rua.
Augusto caminhou até o quarto, ainda com Eloise nos braços.
O rosto dela estava tranquilo, os lábios entreabertos em respiração leve.
Deitou-a com cuidado, ajeitando o cobertor sobre os ombros.
Por um instante, ficou ali, parado, apenas observando.
Tocou o rosto dela com o dorso da mão, num gesto silencioso.
— Descansa, meu amor. — murmurou, baixinho. — Amanhã eu resolvo tudo.
A luz suave do abajur envolvia o quarto num tom amarelado e calmo.
Lá fora, o mundo continuava girando — mas, ali dentro, por alguns minutos, havia apenas paz.
___
O relógio marcava meia noite quando Thamires ouviu o som da chave girando na fechadura.
O mesmo som que, há semanas, fazia o coração dela disparar.
O apartamento era amplo, moderno, mas o ar parecia sempre frio.
Havia algo na presença dele que drenava a cor das paredes e o calor do ar.
Ela estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas, os dedos trêmulos.
O barulho da porta se abrindo a fez se encolher, instintivamente.
Louvre entrou sem dizer uma palavra.
Tirou o casaco com um movimento brusco, jogando-o sobre a poltrona.
O olhar — duro, cortante — encontrou o dela.
— Você sumiu. — disse, a voz baixa, carregada de veneno. — E quando resolve aparecer… traz problema.
Thamires engoliu em seco. — Eu… eu só quis ajudar. Achei que acelerar as transferências facilitaria pra você.
O riso dele foi curto, cruel.
Deu dois passos na direção dela, os olhos ardendo de fúria contida.
Depois, deu um passo à frente.
O som dos sapatos dele no piso frio fez o coração dela disparar.
Ele se sentou ao lado dela no sofá.
A voz veio baixa, quase suave, o tom calmo demais pra ser normal.
— Tá vendo? — murmurou, passando o polegar no rosto dela, apagando uma lágrima. — Eu não queria machucar você, Thamires.
O sorriso que acompanhou as palavras era torto, falso, quase terno.
— Mas você me força. Faz merda… e eu preciso te dar uma lição.
Ela fechou os olhos, o corpo inteiro tremendo.
Louvre continuou, a voz alternando entre doçura e ameaça.
— Eu te avisei que comigo é diferente. — sussurrou. — Eu não sou como o Augusto, que passa a mão na sua cabeça.
Fez uma pausa curta, os olhos fixos nela.
— Eu corrijo o que está errado.
A mão dele subiu até o queixo dela, forçando-a a encará-lo.
O olhar de Louvre agora estava calmo, quase carinhoso — e era exatamente isso que mais assustava.
— Pronto… — disse, num tom quase gentil. — Olha pra mim. Viu? Já passou.
Ele se levantou, ajeitando o paletó com tranquilidade, como se nada tivesse acontecido.
— Agora toma um banho, se recompõe.
Virou-se para a janela, observando a cidade lá fora.
— Daqui pra frente, quero você perfeita. Fiel. E calada.
Thamires permaneceu imóvel, o rosto marcado, a respiração curta.
A voz dele soava distante, mas as palavras cravavam como lâminas.
Louvre pegou o casaco, o tom novamente leve, quase amistoso:
— A gente se entende, não é? — disse, sem olhá-la. — Eu cuido de você. Só não me decepcione de novo.
E saiu, deixando atrás de si o cheiro de álcool e o rastro gelado da loucura.
A porta bateu.
O apartamento ficou em silêncio.
Thamires, levou a mão ao rosto e enfim deixou o choro escapar — baixo, contido, como quem chora com medo de ser ouvido.
Lá fora, o vento batia contra as janelas.
Lá dentro, o medo tinha um nome: Louvre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...