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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 230

Silêncio no Meio da Tempestade

Já passava das onze e meia quando Augusto e Heitor estacionaram em frente ao prédio.

O ar da noite estava frio, e a cidade parecia adormecida.

As luzes do apartamento ainda estavam acesas quando Augusto girou a chave na fechadura.

Entrou em silêncio, seguido de Heitor.

O som baixo da televisão preenchia o ambiente — um filme esquecido passava na tela.

No sofá, Nathalia e Sofia conversavam em voz baixa.

Eloise dormia com a cabeça apoiada nas pernas de Nathalia, o rosto sereno, uma mecha de cabelo caindo sobre os lábios.

Augusto parou por um instante, observando a cena.

Toda a tensão do dia pareceu se dissolver naquele quadro simples — a mulher que amava, finalmente em paz.

— Ela apagou faz uns trinta minutos. — sussurrou Nathalia, com um sorriso cansado. — Estava exausta.

Sofia completou:

— Tomou o chá e mal deu tempo de terminar o episódio. — disse, apontando para a televisão.

Augusto se aproximou devagar.

Ajoelhou-se ao lado do sofá e afastou com cuidado uma mecha do cabelo de Eloise.

O toque foi leve, quase um carinho involuntário.

— Obrigado, meninas. — disse, baixo. — Por ficarem com ela.

Nathalia deu um pequeno sorriso. — Imagina, ela é minha irmã de alma.

E hoje… precisava de colo.

Augusto assentiu, o olhar ainda em Eloise.

— Ela vem se esforçando demais. — murmurou. — E eu acabo puxando junto o peso que ela não devia carregar.

Sofia, sentada ao lado, disse com delicadeza:

— Ela aguenta o mundo por você, Augusto. Mas… às vezes o mundo precisa dar uma folga pra ela também.

Ele respirou fundo, tocado pelas palavras.

Depois, cuidadosamente, passou um braço sob as pernas de Eloise e o outro sob os ombros.

Levantou-a com facilidade, o corpo dela se aninhando naturalmente contra o peito dele.

— Vou colocá-la na cama. — disse, com a voz mais baixa. — E vocês deviam ir descansar também.

Heitor se aproximou, colocando as chaves no bolso.

— Eu as levo pra casa. — falou, calmo. — A essa hora, não vou deixar vocês irem sozinhas.

Nathalia se levantou, pegando a bolsa. — Obrigada, Heitor.

Sofia também se ergueu, apagando a televisão com o controle.

Antes de saírem, Nathalia olhou mais uma vez para Eloise.

— Ela vai ficar bem. — disse, confiante. — Até amanhã.

Augusto assentiu, com um meio sorriso cansado. — Obrigado.

Quando o trio alcançou a porta, ele completou:

— B**e a porta, por favor.

Heitor acenou. — Pode deixar.

A porta se fechou suavemente, abafando o som da rua.

Augusto caminhou até o quarto, ainda com Eloise nos braços.

O rosto dela estava tranquilo, os lábios entreabertos em respiração leve.

Deitou-a com cuidado, ajeitando o cobertor sobre os ombros.

Por um instante, ficou ali, parado, apenas observando.

Tocou o rosto dela com o dorso da mão, num gesto silencioso.

— Descansa, meu amor. — murmurou, baixinho. — Amanhã eu resolvo tudo.

A luz suave do abajur envolvia o quarto num tom amarelado e calmo.

Lá fora, o mundo continuava girando — mas, ali dentro, por alguns minutos, havia apenas paz.

___

O relógio marcava meia noite quando Thamires ouviu o som da chave girando na fechadura.

O mesmo som que, há semanas, fazia o coração dela disparar.

O apartamento era amplo, moderno, mas o ar parecia sempre frio.

Havia algo na presença dele que drenava a cor das paredes e o calor do ar.

Ela estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas, os dedos trêmulos.

O barulho da porta se abrindo a fez se encolher, instintivamente.

Louvre entrou sem dizer uma palavra.

Tirou o casaco com um movimento brusco, jogando-o sobre a poltrona.

O olhar — duro, cortante — encontrou o dela.

— Você sumiu. — disse, a voz baixa, carregada de veneno. — E quando resolve aparecer… traz problema.

Thamires engoliu em seco. — Eu… eu só quis ajudar. Achei que acelerar as transferências facilitaria pra você.

O riso dele foi curto, cruel.

Deu dois passos na direção dela, os olhos ardendo de fúria contida.

Depois, deu um passo à frente.

O som dos sapatos dele no piso frio fez o coração dela disparar.

Ele se sentou ao lado dela no sofá.

A voz veio baixa, quase suave, o tom calmo demais pra ser normal.

— Tá vendo? — murmurou, passando o polegar no rosto dela, apagando uma lágrima. — Eu não queria machucar você, Thamires.

O sorriso que acompanhou as palavras era torto, falso, quase terno.

— Mas você me força. Faz merda… e eu preciso te dar uma lição.

Ela fechou os olhos, o corpo inteiro tremendo.

Louvre continuou, a voz alternando entre doçura e ameaça.

— Eu te avisei que comigo é diferente. — sussurrou. — Eu não sou como o Augusto, que passa a mão na sua cabeça.

Fez uma pausa curta, os olhos fixos nela.

— Eu corrijo o que está errado.

A mão dele subiu até o queixo dela, forçando-a a encará-lo.

O olhar de Louvre agora estava calmo, quase carinhoso — e era exatamente isso que mais assustava.

— Pronto… — disse, num tom quase gentil. — Olha pra mim. Viu? Já passou.

Ele se levantou, ajeitando o paletó com tranquilidade, como se nada tivesse acontecido.

— Agora toma um banho, se recompõe.

Virou-se para a janela, observando a cidade lá fora.

— Daqui pra frente, quero você perfeita. Fiel. E calada.

Thamires permaneceu imóvel, o rosto marcado, a respiração curta.

A voz dele soava distante, mas as palavras cravavam como lâminas.

Louvre pegou o casaco, o tom novamente leve, quase amistoso:

— A gente se entende, não é? — disse, sem olhá-la. — Eu cuido de você. Só não me decepcione de novo.

E saiu, deixando atrás de si o cheiro de álcool e o rastro gelado da loucura.

A porta bateu.

O apartamento ficou em silêncio.

Thamires, levou a mão ao rosto e enfim deixou o choro escapar — baixo, contido, como quem chora com medo de ser ouvido.

Lá fora, o vento batia contra as janelas.

Lá dentro, o medo tinha um nome: Louvre.

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