O Nome que Não Devia Estar Lá
O prédio ainda estava silencioso quando Thiago chegou.
A luz azulada dos monitores iluminava sua expressão concentrada enquanto ele percorria os relatórios da noite anterior.
Linhas, registros, horários — tudo parecia normal…
até 21h24.
Uma entrada.
Sem nome.
Sem registro.
Sem crachá associado.
Um fantasma.
Thiago apertou os olhos, ampliando a tela do sistema.
— Isso não acontece sozinho… — murmurou.
Ele abriu outra tela, puxando a planilha interna da equipe de segurança.
Conferiu cada turno, cada substituição, cada ausência.
Algo ali não fechava.
Pegou o telefone e procurou o número do chefe da segurança.
Chamou apenas duas vezes.
— Alô? Maicon falando.
— Bom dia. Thiago Albuquerque. — sua voz saiu precisa, direta. — Preciso que você reúna para mim os seguintes funcionários da segurança:
Luciano Ferreira, David Braga, Andressa Sena, Brendo Assis, Fernando Cerqueira e Edson de Jesus.
Houve uma pausa breve.
— Todos eles, senhor? — Maicon soou surpreso.
— Todos. Sala de reunião do 6º andar. Dez minutos.
— Certo. Estou organizando agora.
Thiago encerrou a chamada.
Respirou fundo.
— Vamos ver quem fala… ou quem treme.
---
Quase um hora depois, o celular vibrou.
> Maicon: Senhor Thiago, todos já estão aqui.
Thiago se levantou, ajustou o blazer.
— Estou descendo. Cinco minutos.
Pegou o notebook e seguiu pelo corredor.
Mas, antes de alcançar o elevador, se deparou com uma cena… curiosa.
Nathalia e Sofia estavam elétricas, quase pulando no lugar.
Eloise estava com algo escondido atrás das costas, o sorriso tentando não escapar.
Thiago parou.
Ele Ergueu uma sobrancelha.
— Bom dia, meninas. — disse, olhando desconfiado.
Três vozes responderam ao mesmo tempo:
— Bom dia, Thi.
— O que vocês estão aprontando? - Thiago perguntou com uma sobrancelha levantada.
Sofia mordeu o lábio, Nathalia cruzou os braços como quem guarda segredo de Estado.
— Segredo, chefinho. — Nathalia respondeu, dramatizando. — Classificado. Top Secret. Coisa séria.
Eloise tentou manter a compostura, mas o brilho nos olhos a entregava.
— Nada demais… — disse, e Thiago sustentou o olhar nela por meio segundo a mais.
Ele apontou para as três com suspeita teatral.
— Eu tenho uma reunião agora. Mas quando eu voltar, eu quero saber tudo. Entendido?
Nathalia deu dois passos para frente, dedo levantado:
— Vai saber sim. No momento certo.
Você é muito linguarudo, ia contar para o prédio inteiro.
Thiago arregalou os olhos, fingindo indignação.
— Eu? Eu jamais! — colocou a mão no peito. — Eu sou a alma da discrição.
As três riram.
As portas do elevador se abriram.
Thiago entrou.
Mas antes de fecharem, ele fez o gesto:
olhos nos olhos
e apontou para elas.
— Eu estou de olho em vocês, menininhas.
As portas fecharam.
As três olharam umas para as outras.
Eloise mordeu o lábio, o coração ainda acelerado.
Sofia sorriu primeiro.
Nathalia segurou a mão dela.
— Vamos respirar? — disse Nathalia, baixinho.
Eloise assentiu.
Hoje, o mundo dela tinha mudado — e ninguém mais sabia ainda.
As portas do elevador mal haviam se fechado e Nathalia explodiu em comemoração.
— VAMOS SER TIA, UH-UH! — cantou ela, balançando os braços no ar.
Sofia entrou no ritmo na mesma hora:
— VAMOS SER TIA, UH-UH! — e começou uma dancinha completamente sem sentido.
Eloise apoiou a mão sobre o ventre, rindo até as lágrimas.
— Vocês duas são malucas… — disse, mas o riso estava cheio de promessa. — Malucas do meu coração.
Foi quando os três celulares vibraram ao mesmo tempo.
As três se entreolharam.
Um silêncio súbito.
Daqueles que pressentem coisa errada.
Pegaram os celulares juntas.
Notificação — Grupo das meninas.
Emma:
> Gente…
OLHA. ISSO. AGORA.
Um print.
Uma foto.
Eloise, de biquíni, sentada na espreguiçadeira do clube, o sol contornando o corpo.
Uma foto claramente tirada de longe, sem ela perceber.
Legenda:
> “Algumas coisas deveriam ser cuidadas com mais atenção ;)”
No canto inferior:
@lucascastro_
O estômago de Eloise afundou.
Nathalia foi a primeira a reagir.
— Eu cara é maluco — disse, gelando. — Ele tem alguma coisa errada. Eu não gosto dele.
Sofia passou a mão nos cabelos, tensa.
— Ele é legal… Mas isso aqui… — ela sacudiu o celular — isso aqui passou MUITO do limite.
Ele sabe que você é noiva.
Nathalia cruzou os braços, o sangue fervendo.
— Tomara que o Augusto demita esse lunático. De preferência hoje.
Mas Eloise não respondeu de imediato.
Ela ficou olhando para a foto.
Longo demais.
— No quarto andar?
Luciano assentiu.
— Ele disse que tinha perdido a hora e o alarme fez ele voltar ao prédio pra se localizar.
A sobrancelha de Thiago arqueou.
— Um funcionário… trabalhando após o expediente… no mesmo horário da invasão. — repetiu, lento. — Estranho.
Antes que pudesse perguntar, Fernando, outro segurança, se pronunciou:
— Senhor, tem mais uma coisa.
Thiago virou-se para ele.
— Fala.
— Quando o senhor chamou a gente aqui, ficamos assustados. — Fernando confessou. — Então revisamos tudo entre nós antes.
Eu e o Brendo entramos às 21:28. Pode confirmar no ponto.
Brendo confirmou com um aceno.
— Sempre que entramos no turno, fazemos uma vistoria nos andares. Ontem ficamos responsáveis por fazer inspeção no primeiro até o quinto andar — Fernando continuou. — E quando chegamos no quarto andar… não tinha ninguém. Nenhum funcionário. Nenhum movimento. Nada.
Silêncio.
Pesado.
A informação se encaixou.
Alguém estava no quarto andar depois do alarme.
Alguém que não deveria estar lá.
Thiago sentiu o estômago afundar.
— Quem era o funcionário que vocês viram? — perguntou, agora baixo.
Edson ergueu o queixo.
— Eu sei quem era, senhor.
Thiago prendeu a respiração.
— Nome.
Edson não hesitou.
Mas a resposta veio com um impacto que atravessou Thiago quando ele escutou.
O mundo ficou silencioso.
Thiago piscou, uma vez.
O ar ficou mais leve — como antes de um trovão.
— O alto. Cabelo claro. Olhos claros… — disse Edson, sem piscar.
O silêncio ficou denso, como se o ar tivesse engrossado.
Thiago respirou fundo.
E explodiu.
Empurrou a cadeira para trás, correu até o elevador, batendo repetidamente o dedo no botão.
— Porra… não pode ser.
O elevador demorou meio segundo.
Mas parecia uma eternidade.
As portas abriram.
Thiago entrou, apertando o botão do 5º andar com força.
— LAÍS. — murmurou, a adrenalina queimando. — Se tiver um nome talvez facilite.
O elevador subia.
Rápido.
Mas não rápido o bastante.
Ele passou a mão pelos cabelos, o coração martelando.
— Augusto precisa saber disso.
O elevador apitou.
As portas se abriram.
Thiago saiu correndo em direção à Sala Sigma.
Porque agora ele sabia:
O inimigo não estava lá fora.
Ele estava dentro da MonteiroCorp.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...