Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 240

A Linha que Rompe

A cafeteria da esquina era clara, movimentada, e o aroma de café fresco pairava no ar.

Era o tipo de lugar onde nada parecia perigoso.

Por isso Eloise não percebeu o erro de imediato.

Lucas escolheu uma mesa perto da janela.

Ele parecia calmo.

Calmo demais.

Ela sentou, apoiando a bolsa ao lado, postura firme.

— Onde está sua irmã? — Eloise perguntou logo, sem rodeios.

Lucas mexeu no celular, como quem checa algo trivial.

— Ela disse que estaria aqui. — respondeu, leve. — Pede seu café que eu vou ligar pra ela.

Eloise não se moveu.

— Lucas, não quero demorar. O assunto é rápido.

Ele sorriu — um sorriso pequeno, controlado.

— Vai ser rápido. Só vou avisar e, se precisar, mando localização.

Ele levantou-se e se afastou uns passos, levando o celular à orelha.

Mas ele não falou com ninguém.

Ele simplesmente:

desbloqueou o aparelho,

abriu um aplicativo interno,

digitou um código,

e desconectou tudo.

Eloise viu o gesto.

Não entendeu — ainda.

Mas viu.

Ele estava apagando rastros.

Lucas voltou à mesa respirando fundo, quase num sussurro que não era pra ela ouvir:

— Pensa, Lucas. Com calma...

Depois sorriu.

Assentou-se.

— Ela disse que chega em dois minutos. — afirmou. — Então… o que você queria me dizer?

O telefone tocou antes que Eloise pudesse responder.

Lucas olhou a tela — e seu rosto mudou.

— É ela. — disse, e saiu da cafeteria.

Mas quando atendeu, a voz dele não era de alguém falando com uma irmã.

— Como assim Augusto e Thomas apareceram lá? — ele sibilou, tenso. — Eu falei pra ficar de olho!

Uma pausa.

— O presidiário está com advogado? Aquele lixo sem dinheiro? E o advogado é bom?

Outra pausa.

A mão dele tremeu.

— Inútil. Eu disse pra NÃO deixarem ele falar.

Ele encerrou a ligação — e não respirou antes da próxima.

Discou.

Do outro lado, a voz veio fria como gelo:

— Fala.

Antônio Mello.

Lucas olhou pela vitrine.

Eloise estava lá dentro.

Sozinha.

Desarmada.

— Os planos mudaram. — ele disse. — Eu estou com ela. Vamos usar como isca.

Silêncio.

Depois:

— Boa, garoto.

Lucas sorriu — um sorriso doente, cheio de algo que Eloise nunca tinha visto nele.

— Mas ela não é moeda de troca. — ele acrescentou. — Quando tudo acabar e os Monteiro pagarem pelo que fizeram… ela vai ser minha.

A ligação terminou.

Lucas voltou para dentro.

— Vamos, Eloise. — disse, como se nada tivesse acontecido. — Minha irmã precisa de ajuda.

Eloise levantou-se devagar.

— Lucas… não há irmã nenhuma, há?

Ele sustentou o olhar.

Nada.

Nenhuma expressão humana.

— Vamos.

Ele caminhou até o carro e abriu a porta do passageiro.

Eloise recuou um passo.

— Não. — disse, firme. — Eu vim apenas esclarecer. A partir de agora, somos colegas — só isso. Você vai ajudar sua irmã, e eu vou voltar para a empresa. Qualquer coisa, eu ligo para Augusto, meu noivo.

Ela pegou o celular.

Foi ali, naquele gesto, que tudo quebrou.

Lucas olhou ao redor — e não viu ninguém perto o suficiente.

Ele agarrou o cabelo de Eloise e puxou com força, inclinando sua cabeça para trás.

— VOCÊ VAI COMIGO. — rosnou, voz rasgada.

Eloise lutou.

Ela bateu no braço dele, tentou enfiar os dedos nos nós dos dedos dele para abrir a mão, virou o corpo para desfazer o ângulo da tração, tentou chutar o joelho dele.

Mas ele era mais forte.

E estava decidido.

Ele abriu a porta de trás com a outra mão tentando pegar sua bolsa.

— Se aquieta, Eloise. É para o seu bem. — ele gritava, tremendo — Eu estou te salvando.

Ela se debatia.

Ela não aceitou.

Ela tentou sair, arranhar, chutar, virar, morder.

Lucas pegou a bolsa, puxou um frasco de vidro escuro.

— Calma… calma… — ele disse, como quem doma um animal em pânico.

Ele aproximou o frasco.

O corpo de Eloise já começava a amolecer.

As pernas ficaram pesadas.

Os dedos perderam força.

A respiração ficou rasa.

O mundo virou um borrão.

Lucas a arremessou para dentro do carro no banco traseiro.

Bateu a porta.

Entrou no banco do motorista num movimento seco, rápido. Travou o carro.

A senhora puxou a maçaneta.

Nada.

— SOCORRO!! ALGUÉM AJUDA!! — ela gritava, socando o vidro, as mãos esfolando.

A funcionária da cafeteria correu para a rua.

— CHAMA A POLÍCIA! — ela gritou.

O carro acelerou.

O pneu cantou.

A senhora caiu no asfalto com o impacto do deslocamento de ar.

Mas ela se levantou.

Tremendo.

Engolindo o choro.

Ela viu a placa.

FGT — 2 — 5 — 2 — 7.

Ela repetiu.

Primeiro sussurrando.

Depois alto.

Depois gritando para o mundo inteiro ouvir:

— FGT 2527!

FGT 2527!

FGT 2527!

Dentro do carro, Eloise estava caída no banco de trás.

A visão dela era só luz e sombra.

Mas ela ainda estava consciente o suficiente para tentar.

Os lábios dela se moveram.

A voz quase não saiu.

Mas saiu.

— …so…corro…

Ela tentou lembrar o rosto de Augusto.

Os olhos dele.

A forma como ele dizia seu nome.

E tentou se agarrar nisso.

Mas a escuridão veio primeiro.

E então,

tudo apagou.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário