A Linha que Rompe
A cafeteria da esquina era clara, movimentada, e o aroma de café fresco pairava no ar.
Era o tipo de lugar onde nada parecia perigoso.
Por isso Eloise não percebeu o erro de imediato.
Lucas escolheu uma mesa perto da janela.
Ele parecia calmo.
Calmo demais.
Ela sentou, apoiando a bolsa ao lado, postura firme.
— Onde está sua irmã? — Eloise perguntou logo, sem rodeios.
Lucas mexeu no celular, como quem checa algo trivial.
— Ela disse que estaria aqui. — respondeu, leve. — Pede seu café que eu vou ligar pra ela.
Eloise não se moveu.
— Lucas, não quero demorar. O assunto é rápido.
Ele sorriu — um sorriso pequeno, controlado.
— Vai ser rápido. Só vou avisar e, se precisar, mando localização.
Ele levantou-se e se afastou uns passos, levando o celular à orelha.
Mas ele não falou com ninguém.
Ele simplesmente:
desbloqueou o aparelho,
abriu um aplicativo interno,
digitou um código,
e desconectou tudo.
Eloise viu o gesto.
Não entendeu — ainda.
Mas viu.
Ele estava apagando rastros.
Lucas voltou à mesa respirando fundo, quase num sussurro que não era pra ela ouvir:
— Pensa, Lucas. Com calma...
Depois sorriu.
Assentou-se.
— Ela disse que chega em dois minutos. — afirmou. — Então… o que você queria me dizer?
O telefone tocou antes que Eloise pudesse responder.
Lucas olhou a tela — e seu rosto mudou.
— É ela. — disse, e saiu da cafeteria.
Mas quando atendeu, a voz dele não era de alguém falando com uma irmã.
— Como assim Augusto e Thomas apareceram lá? — ele sibilou, tenso. — Eu falei pra ficar de olho!
Uma pausa.
— O presidiário está com advogado? Aquele lixo sem dinheiro? E o advogado é bom?
Outra pausa.
A mão dele tremeu.
— Inútil. Eu disse pra NÃO deixarem ele falar.
Ele encerrou a ligação — e não respirou antes da próxima.
Discou.
Do outro lado, a voz veio fria como gelo:
— Fala.
Antônio Mello.
Lucas olhou pela vitrine.
Eloise estava lá dentro.
Sozinha.
Desarmada.
— Os planos mudaram. — ele disse. — Eu estou com ela. Vamos usar como isca.
Silêncio.
Depois:
— Boa, garoto.
Lucas sorriu — um sorriso doente, cheio de algo que Eloise nunca tinha visto nele.
— Mas ela não é moeda de troca. — ele acrescentou. — Quando tudo acabar e os Monteiro pagarem pelo que fizeram… ela vai ser minha.
A ligação terminou.
Lucas voltou para dentro.
— Vamos, Eloise. — disse, como se nada tivesse acontecido. — Minha irmã precisa de ajuda.
Eloise levantou-se devagar.
— Lucas… não há irmã nenhuma, há?
Ele sustentou o olhar.
Nada.
Nenhuma expressão humana.
— Vamos.
Ele caminhou até o carro e abriu a porta do passageiro.
Eloise recuou um passo.
— Não. — disse, firme. — Eu vim apenas esclarecer. A partir de agora, somos colegas — só isso. Você vai ajudar sua irmã, e eu vou voltar para a empresa. Qualquer coisa, eu ligo para Augusto, meu noivo.
Ela pegou o celular.
Foi ali, naquele gesto, que tudo quebrou.
Lucas olhou ao redor — e não viu ninguém perto o suficiente.
Ele agarrou o cabelo de Eloise e puxou com força, inclinando sua cabeça para trás.
— VOCÊ VAI COMIGO. — rosnou, voz rasgada.
Eloise lutou.
Ela bateu no braço dele, tentou enfiar os dedos nos nós dos dedos dele para abrir a mão, virou o corpo para desfazer o ângulo da tração, tentou chutar o joelho dele.
Mas ele era mais forte.
E estava decidido.
Ele abriu a porta de trás com a outra mão tentando pegar sua bolsa.
— Se aquieta, Eloise. É para o seu bem. — ele gritava, tremendo — Eu estou te salvando.
Ela se debatia.
Ela não aceitou.
Ela tentou sair, arranhar, chutar, virar, morder.
Lucas pegou a bolsa, puxou um frasco de vidro escuro.
— Calma… calma… — ele disse, como quem doma um animal em pânico.
Ele aproximou o frasco.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...