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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 242

Coragem

na mansão dos Mello, dentro do quarto o clima era tenso.

Márcia vestiu a calça com mãos rápidas, prendeu o cabelo para trás e enfiou o celular escondido na cintura.

Ela puxou o edredom e enfiou dois travesseiros por baixo, formando uma silhueta alongada. Ajustou um terceiro na altura do “rosto” e cobriu tudo até os ombros. À primeira vista, parecia alguém deitado ali.

Ela havia planejado isso.

Silenciosamente.

Discretamente.

Como quem aprende a sobreviver dentro da jaula.

Foi até a sacada.

Do alto, o jardim parecia profundo demais.

Escuro demais.

Longe demais.

— Coragem… — ela sussurrou para si mesma, sentindo o gosto metálico do medo na boca.

Abaixou-se.

Debaixo da cama, no espaço que ninguém pensava em olhar, estavam os lençóis amarrados, dobrados de forma milimétrica, formando uma corda improvisada.

Ela havia preparado aquilo dias antes.

Para caso precisasse fugir.

Márcia amarrou a extremidade na grade da sacada, escondendo o nó atrás da cortina pesada.

Suas mãos tremiam.

A respiração vinha curta.

Mas ela foi.

Pernas para fora.

Mãos firmadas no tecido.

O frio do metal da grade nas palmas suadas.

Ela começou a descer.

Lençol por lençol.

Respiração por respiração.

O jardim parecia se aproximar devagar demais.

Até que—

O nó cedeu.

O tecido escorregou.

O mundo virou.

Márcia caiu.

O impacto foi seco, afundando-a na terra fofa das moitas.

O ar saiu dos pulmões num golpe.

Ela mordeu o lábio para não gritar.

Ficou ali, imóvel, de bruços no solo, tentando puxar o ar de volta para o corpo.

Passos ecoaram.

Vozes.

— Bora. O chefe chamou. — um dos seguranças disse.

Márcia fechou os olhos.

Ela podia fugir.

Ali.

Agora.

Para longe.

Mas…

Se ela fugisse, Antônio continuaria vivo.

E José…

José morreria.

Ela não ia deixar que isso acontecesse.

Não outra vez.

Esperou os passos se afastarem.

Só quando o silêncio empurrou o coração de volta ao peito, ela se moveu.

Baixa, curva, perto do chão, ela contornou o jardim até a área da frente.

O carro de Antônio estava ligado.

Porta do motorista aberta.

Mas ninguém perto.

Márcia correu.

E se enfiou no porta-malas.

Fechou-se lá dentro, o corpo encolhido, o coração batendo tão alto que parecia denunciar sua presença.

Ela sabia:

Se Antônio a encontrasse ali, ela morreria.

Mas ela preferia morrer lutando do que ver José tombar sem saber a verdade.

A porta do carro bateu.

Passos pesados.

A voz que congelava ossos:

— Vocês são inúteis. Pago vocês pra passearem?

— D-desculpa, chefe…

— Vamos.

O carro começou a se mover.

A vibração atravessou o peito dela.

E então, finalmente…

O medo passou do corpo.

Ajoelhou-se ao lado da cama.

Afagou os fios até descobrir o rosto dela.

A pele era lisa.

A boca, cor-de-rosa.

O cheiro de Eloise — leve, doce, floral — subiu pelo ar e o deixou tonto.

Ele encostou o nariz no pescoço dela, respirando fundo.

Os lábios deslizaram, e ele deixou um beijo demorado na pele.

— Você é tão linda, Eloise… — sussurrou, com devoção. — Tão minha.

Os olhos dela se abriram — turvos, perdidos, assustados.

A cabeça latejava.

E quando viu Lucas tão perto, o corpo reagiu por instinto: um movimento brusco, um gemido de pavor.

— Calma, amor. — Lucas disse, a voz mansa, mas os olhos sem paz. — Você precisa descansar.

Eloise tentou se erguer, mas o corpo não respondia.

A garganta ardeu.

— So...corro... — ela tentou dizer, mas o som morreu na garganta.

Lucas afastou uma mecha de cabelo e sorriu, aquele sorriso doce que só os loucos têm.

— Você ainda vai me agradecer.

— Os Monteiro não são o que parecem, Eloise.

— Eu estou te salvando.

Ele levantou-se.

Olhou-a mais uma vez, como quem contempla uma promessa.

— Vou deixar você descansar.

— Depois trago algo pra comer.

E saiu, trancando a porta por fora.

O silêncio ficou pesado.

Eloise ficou imóvel por longos segundos, até sentir o próprio coração voltar a bater.

A mente dela pulsava em confusão, medo, náusea.

A respiração vinha curta.

Aos poucos, ela levou a mão ao ventre.

Foi um gesto instintivo — como se o corpo tentasse proteger o que ela ainda nem sabia se estava lá.

E naquele toque silencioso,

o medo mudou de forma.

Não era pânico.

Não era desespero.

Era instinto.

Era sobrevivência.

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