Os Planos Mudaram
Lucas entrou na cozinha da fazenda, o chão rangendo sob os passos pesados.
A luz do sol entrava pelas janelas antigas, cortando o ambiente em faixas douradas e silêncio.
Pegou o celular sobre o balcão.
Discou.
A chamada foi atendida no segundo toque.
— Lorenzo. — a voz dele saiu firme, impaciente. — Vou te mandar um endereço. Vem agora. Os planos mudaram — por culpa da burrice de vocês.
Antes que o outro pudesse responder, ele desligou.
O som seco da chamada encerrada ecoou no cômodo.
Lucas passou a mão pelos cabelos, puxando com força as mechas da própria cabeça.
Os olhos ardiam de insônia e raiva.
— Vamos pensar com calma… — murmurou, encarando o nada. — José morre. Augusto culpado e preso. E eu... eu na Europa com a minha Eloise.
Sorriu.
Um sorriso torto, doentio.
O tipo de sorriso que nasce quando a sanidade já se despediu.
Na mente dele, o plano era perfeito.
Eloise seria o prêmio.
O resto — apenas poeira.
___
Do outro lado da cidade, no apartamento de Lorenzo, o celular vibrou sobre a mesa.
Ele atendeu sem pensar.
Ouviu.
Silêncio.
Depois a voz fria de Lucas, cuspindo ordens.
Quando a ligação terminou, Lorenzo ficou parado, encarando o nada.
— Ele quer que eu vá até ele. — disse, tenso. — Disse que os planos mudaram.
Thamires cruzou os braços, entediada e venenosa.
— Ele é um idiota. — cortou. — Acha que manda em todo mundo.
Lorenzo respirou fundo, sem olhar pra ela.
— Preciso ir, Thamires.
— Meu nome está nas transferências.
— Se isso vier à tona, eu pego uns dez anos de cadeia. Você tem noção disso?
Ela riu baixo, sarcástica.
— Dez anos, se tiver sorte.
— Mas eu vou com você. — disse, pegando a bolsa da cadeira. — Quero ver o que esse imbecil está aprontando. E quem sabe… eu ainda me dou bem no final.
— Pelo menos ele é esperto.
Lorenzo a observou calado por um instante.
Depois apenas disse:
— Então vamos.
Thamires trocou de roupa em silêncio.
Uma calça justa, uma jaqueta leve, salto baixo.
Lorenzo pegou as chaves.
Saíram sem olhar para trás.
O som da porta batendo ecoou pelo corredor vazio —
como se anunciasse o início de uma guerra que ninguém venceria.
___
A porta da cafeteria se abriu com o som leve do sino, mas a atmosfera ficou pesada no instante em que Augusto entrou.
Os olhos dele varriam o lugar como faróis.
— Estou procurando uma mulher. — disse, direto, encarando a atendente do balcão. — Cabelos castanhos, pele clara. Blazer preto. Calça de alfaiataria. Você viu?
A atendente engoliu seco.
— N-não, senhor… não lembro…
Thiago deu um passo à frente, voz firme:
— Ela estava acompanhada de um homem alto. Loiro.
— Talvez nervoso.
Silêncio.
Até que uma funcionária saiu da cozinha, enxugando as mãos no avental.
— Eu vi. — disse ela, o peito subindo rápido. — Teve uma briga aqui na porta.
— O homem tentou colocar a moça dentro do carro.
— Ela gritava. Muito.
— Uma senhora tentou ajudar… acabou caindo.
— Ela que chamou a polícia.
O mundo pareceu encolher ao redor de Augusto.
Maicon deu um passo discreto, já processando logística.
— Isso pode ser uma pista, senhor.
A atendente continuou, agitada:
— Meu patrão até disse pra senhora que ela podia avisar a polícia que temos câmeras.
— A senhora foi prestar depoimento.
Do lado de fora, a sirene cortou a rua.
Thomas saiu da viatura antes dela parar por completo.
Entrou na cafeteria, encontrou Augusto com um só olhar.
— O que temos? — ele perguntou, direto.
Augusto repetiu o relato — curto, eficiente, sem respirar entre as palavras.
Thomas assentiu.
— Vamos ver as câmeras. Agora.
Lá fora, José Monteiro estava parado na calçada, as mãos nos bolsos do paletó.
Ele olhava a rua.
Não a cafeteria.
Não as pessoas.
A rua.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...