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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 244

Silêncio e Medo

A cozinha estava silenciosa, exceto pelo som da colher batendo na xícara.

Lucas estava sentado, olhando para o nada, como quem conversava com fantasmas que mais ninguém via.

Thamires entrou devagar.

Fingiu ir até o balcão.

Fingiu procurar água.

Fingiu respirar leve.

Mas seus olhos estavam na chave sobre a mesa.

Lucas percebeu.

Sempre percebia.

Ele não olhou para ela — e isso foi pior que olhar.

— Sai daqui. — disse, sem levantar a voz.

Thamires parou.

— Lucas, eu só—

— Você atrapalha.

— Você sempre atrapalha.

— É por isso que tudo dá errado. — ele sussurrou, finalmente ergueu o olhar.

Os olhos estavam vazios.

Friamente convencidos.

Cruéis por natureza.

— Porque você é burra.

Thamires ficou imóvel por um segundo.

Só um.

Depois murmurou, sem que ele ouvisse:

— Você vai ver quem é burra.

Ela pegou a chave no momento em que virou as costas —

rápido, suave, exato.

E subiu as escadas.

---

O corredor estava escuro.

Silencioso demais.

Como se a casa estivesse ouvindo.

Cada passo parecia um tambor batendo dentro do peito dela.

Ela destrancou a porta do quarto.

Entrou.

Fechou.

E então o sorriso apareceu —

não de alegria,

mas de ódio concentrado.

— Oi, Eloise. — a voz saiu doce como veneno.

— Como você está se sentindo, princesinha?

Eloise piscou, zonza, o quarto girando ainda.

Tentou se apoiar.

— Thamires… o que você está fazendo aqui…?

— Você está com ele…?

Thamires deu uma risada curta, cortante.

— Eu avisei que ninguém toca no que é meu, sua vagabunda.

E antes que Eloise pudesse reagir—

O tapa veio.

Seco.

Difícil.

Cruel.

Eloise cambaleou, tentou erguer o braço para se proteger.

Mas o corpo ainda estava pesado.

A cabeça latejava.

O ar custava a entrar.

Outro tapa.

Eloise caiu sobre a cama.

Mas quando Thamires veio de novo—

alguma coisa dentro de Eloise acendeu.

Ela empurrou Thamires com toda força que tinha.

As duas tropeçaram.

Thamires caiu contra a parede.

Voltou com raiva.

Pegou Eloise pelos cabelos.

Jogou no chão.

O impacto fez a visão de Eloise borrar.

— Eloise, volta.

— Foca.

— Fica aqui.

Ela repetia para si mesma dentro da mente.

Mas era como tentar segurar água com as mãos.

Thamires deu dois passos para trás.

Preparou o chute.

E então—

Eloise levou a mão ao ventre.

Sem pensar.

Sem medir.

Sem decidir.

O corpo protegeu por instinto.

Thamires congelou.

— Eu não acredito.

A voz dela não saiu como voz.

Saiu como fogo.

— Sua desgraçada.

A mão dela tremeu.

A respiração ficou irregular.

Eloise piscou, os olhos marejando, não de dor do corpo —

mas de medo por algo maior.

Então—

BATIDAS NA PORTA.

Fortes.

Urgentes.

— THAMIRES! — a voz de Lucas rasgou o corredor.

— ABRE ESSA PORTA, SUA PUTA!

A respiração de Thamires prendeu.

A de Eloise também.

A casa inteira pareceu parar.

___

O silêncio dentro da sala da presidência era tão pesado que parecia ter forma.

Mapas, telas, câmeras, relatórios — tudo espalhado sobre a mesa.

Thomas coordenava, Lais digitava sem piscar, Maicon falava com equipes externas.

Augusto estava de pé, imóvel.

Não respirava mais como um homem.

Respirava como um predador.

José estava sentado.

Foi quando o celular dele vibrou.

Ele atendeu sem olhar o número.

— Alô?

A guerra tinha começado.

A sala da presidência não parecia mais um escritório.

A mesa de reuniões virou mapa de guerra.

Lais estava com dois notebooks abertos, as telas espelhadas no monitor fixo na parede:

localização da fazenda

possíveis rotas de acesso

sinal de celular intermitente

Thomas falava com a polícia estratégica, rápido, preciso, sem elevar o tom.

Maicon atualizava a equipe externa:

— Ponto alfa em movimento.

— Equipes beta e delta, posição de cerco.

— Sem abordagem até ordem direta.

José permanecia sentado na ponta da mesa.

Mãos firmes.

Olhar fixo.

Parecia calmo — mas não era calma.

Era culpa.

Culpa comprimida como dinamite antes da explosão.

Augusto estava em pé.

Não se mexia.

Não falava.

Não piscava.

Era o tipo de silêncio que não vinha de medo.

Vinha de fúria comprimida ao ponto de se tornar estratégia.

Thiago observou-o de lado.

E pensou — sem dizer, sem comentar, sem ousar respirar alto:

> Se ele perder essa mulher…

ninguém segura o que vai sobrar dele.

O espaço inteiro parecia pronto para romper.

Como vidro antes de estilhaçar.

---

A porta da sala se abriu.

Heitor passou, ofegante, ainda com o casaco sobre o braço.

Do lado de fora, Emma, Sofia e Nathalia estavam na recepção — nenhuma delas sentada, todas inquietas, todas com olhos vermelhos.

Heitor parou diante delas.

— Corre assim que ouvi sua mensagem, Nathalia. — disse, a voz baixa, ainda tentando recuperar o ar.

Nathalia assentiu, sem conseguir falar.

Sofia tinha as mãos unidas contra a boca, como alguém que segura o próprio coração para ele não cair.

Emma olhava para o chão porque se olhasse para cima, choraria.

Heitor colocou uma mão no ombro das três.

— Vocês ficam aqui.

— Lá dentro já tem gente o bastante.

— E isso aqui… — ele respirou fundo — vai ter sangue.

Nathalia se aproximou da porta de vidro da sala de reuniões.

Viu Augusto.

Viu José.

Viu Thomas.

Viu o mapa.

Viu a localização.

Ela fechou os olhos.

E sussurrou:

— Volta pra ele… por favor.

Heitor entrou na sala.

A porta fechou.

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