Cerco Silencioso
A sala de operações estava iluminada apenas pelas telas, os mapas projetados na parede como um campo de batalha antigo.
O ar tinha cheiro de tensão — um silêncio que parecia respirado em conjunto.
Thomas estava no centro.
Postura ereta.
Mãos atrás das costas.
Olhos de quem já tinha visto guerras parecidas — mas nunca tão pessoais.
— Lais — chamou, firme.
Ela digitava rápido, a luz azul refletindo no rosto.
— Abrindo o mapa alternativo — respondeu.
Dois cliques.
O telão se dividiu em três visões:
Estradas de acesso, estradas de fuga e propriedades vizinhas.
Lais apontou com a caneta.
— Aqui… e aqui. — marcou dois pontos em vermelho. — São estradas de terra paralelas. Se ele desconfiar de perseguição, vai usar uma dessas rotas. A da direita é mais rápida, mas a da esquerda dá acesso à mata.
Thomas assentiu, absorvendo.
— Quantos metros de visibilidade?
— Baixa. Muita vegetação. Ideal para fuga ou emboscada.
Thomas pegou o rádio preso ao colete.
— Em cinco minutos, minha equipe entra. — afirmou, sem levantar a voz.
E como se fossem puxados de dentro das paredes, quatro homens entraram na sala.
Todos com postura militar.
Sem troca de olhares.
Sem perguntas.
Thomas estendeu a mão para o telão.
— Aqui. — apontou o mapa fixado na parede. — São os possíveis pontos de fuga. Quero barreiras discretas em cada um.
Ele pegou um marcador vermelho e circulou com precisão.
— Sem alarde. Sem patrulha ostensiva. Ninguém dispara sem ordem direta.
Os homens assentiram.
— Vocês vão se comunicar apenas por rádio encriptado. — continuou. — Quero posição exata de cada homem na fazenda. Eu fui informado que há dois ou três seguranças armados. O resto é nível amador. Mas isso precisa ser confirmado antes de qualquer passo.
Thiago cruzou os braços, observando o plano ganhar forma.
Augusto, porém, estava imóvel — os olhos fixos no mapa.
Até que falou.
— Você está planejando atrair ele para longe da fazenda? — perguntou, a voz baixa, carregada.
Thomas o encarou.
— Não. — respondeu, lento. — Ele vai fazer isso.
Silêncio.
O tipo de silêncio que congela o sangue.
Thomas continuou:
— O Lucas não vai te enfrentar dentro da fazenda. Nem com Eloise lá. Ele sabe que isso tiraria a vantagem dele.
Ele vai te atrair para fora.
Vai criar uma urgência.
Vai tentar te separar dela.
Augusto respirou fundo, o maxilar travado.
— E quando ele fizer isso… — Thomas completou, marcando um X em cima da fazenda no mapa — Eloise fica vulnerável.
E foi ali que todos entenderam:
Esse não era um resgate.
Era uma caçada.
Os quatro homens da operação já estavam prontos para sair.
Thomas finalizou:
— Nós vamos esperar ele fazer o primeiro movimento.
Quando ele achar que tem o controle…
Nós fechamos todas as saídas.
Os agentes saíram sem uma palavra.
A porta se fechou.
O tempo pareceu parar.
Cada segundo agora era uma eternidade.
___
O quarto estava abafado.
O silêncio era tão denso que parecia vibrar pelas paredes antigas da fazenda.
Eloise tentou puxar o ar — mas a dor no rosto chamou atenção primeiro.
A mão de Thamires apertava seu queixo com força, inclinando seu rosto para cima.
— Olha pra mim. — Thamires rosnou, os olhos ardendo de rancor. — Você destruiu qualquer chance que eu tinha com o Augusto, sua nojenta.
Eloise tentou afastar a mão dela — mas Thamires apertou ainda mais.
— Eu esperei. Eu lutei. Eu suportei ele me olhar como se eu fosse nada. — A voz dela tremia — uma mistura de ódio e desespero. — E você… você chegou e roubou tudo. Com esse jeitinho de santa… manipuladora.
Eloise tentou falar, mas a pressão no maxilar era absurda.
— Thamires… — Ela forçou a voz. — Isso não é amor. Você nunca amou Augusto.
Thamires congelou.
Por um segundo — um só — o olhar dela rachou.
Então veio o ódio.
— Cala a boca.
Mas antes que ela pudesse continuar—
BOOM.
A porta explodiu contra a parede.
Thamires deu um salto para trás.
Eloise arregalou os olhos.
Lucas estava na porta.
Respiração pesada.
Pele avermelhada.
Olhos… vermelhos.
Não de choro.
De algo muito pior.
Ele entrou devagar.
Devagar demais.
Como um predador.
— Eu mandei você ficar longe dela. — A voz dele saiu baixa. Grave. Mortal. — Mandei não tocar nela.
Terno cinza grafite. Relógio caro. Olhar afiado.
Ele observou a cena sem pressa alguma.
Lucas parado. Lorenzo à frente de Thamires. Thamires no chão.
E então, seus olhos pousaram em Lorenzo.
— Levante-se. — Antônio disse para Thamires, como quem manda uma sombra obedecer.
Lorenzo não se moveu.
— Ela não vai a lugar nenhum. — Lorenzo respondeu, firme.
Antônio sorriu.
Mas não havia humor ali.
Somente desprezo.
— Você ainda acha que pode me desafiar. — falou, caminhando dois passos para frente. — Sempre foi o mesmo erro. Essa mania ridícula de pensar que tem direito a alguma coisa minha.
Lorenzo trincou o maxilar.
— Eu sou seu filho, pai.
Antônio se inclinou apenas o suficiente para olhar dentro dos olhos do filho.
— Não me chama de pai.
Silêncio.
O ar ficou pesado.
— Você é apenas um bastardo. — Antônio completou, como quem cospe veneno.
Thamires engasgou.
Lorenzo não recuou. Mas a dor estava lá — exposta, crua, aberta.
Lucas, então, deu um passo para frente.
E ali, tudo se inverteu.
Ele não olhou para Antônio. Não pediu atenção. Não pediu validação.
Ele falava de cima.
— Já chega de dramatização familiar. — Lucas disse, com o tom de quem encerra uma reunião. — Nós temos assuntos maiores.
Antônio parou.
E aceitou.
Isso foi o mais chocante.
Lorenzo viu. Thamires viu. Eloise, lá em cima, ouviu.
O poder naquele quintal não estava no homem que começou a guerra.
Estava no homem que estava terminando ela.
Lucas.
O Louvre.
A serpente sem máscara.
Ele passou por Antônio como se passasse por um móvel caro.
— Vou buscar Eloise. — Lucas disse, ajustando o punho da camisa.
Antônio ficou calado.
Lorenzo sentiu o estômago virar.
Porque naquele instante ficou claro:
Antônio era o passado.
Lucas era o presente.
E a guerra estava só no começo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...