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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 246

A Testemunha Silenciosa

O porta-malas estava escuro.

Mas não silencioso.

Márcia podia ouvir passos. Vozes abafadas. A vibração do motor havia parado há alguns minutos. O coração batia tão alto que parecia chamar atenção para ela.

Ela esperou.

Um minuto.

Dois.

Três.

Nada.

Então, com as mãos trêmulas, retirou a chave de fenda que havia colocado para impedir o travamento total da tampa. Empurrou com cuidado.

A luz entrou.

Fraca.

Suficiente.

Márcia saiu devagar, o corpo doendo, as pernas bambas.

Respirou o ar frio do campo, sentindo a grama roçar nos tornozelos.

Uma casa isolada. Porta de madeira pesada. Janelas iluminadas.

Havia uma porteira ao longe. Nenhuma alma à vista do lado de fora.

Márcia engoliu o medo.

Caminhou até a parede lateral da casa e se aproximou de uma janela, espiando por entre a cortina.

Seu peito afundou.

Lá dentro, sentados na poltrona, Antônio Mello.

Ao lado dele, Lorenzo — nervoso, inquieto.

Mais longe, Thamires — braços cruzados, expressão de medo e tensão misturada.

Mas o que fez o estômago de Márcia gelar foi a cena perto da escada:

Lucas.

E nos degraus, sendo puxada pelo braço, estava ela.

A mulher que Márcia tinha visto tantas vezes na televisão, nos eventos sociais, nas revistas empresariais.

A noiva de Augusto Monteiro.

Eloise.

Viva. Assustada. Mas viva.

Márcia recuou, o coração disparado.

Se Eloise estava ali…

Augusto não fazia ideia.

Márcia correu até o carro, se abaixando atrás da roda para ficar escondida, mãos tremendo enquanto pegava o celular.

Discou o número que conhecia de cor.

— Alô? — José atendeu, a voz fraca, cansada.

Márcia sussurrou, quase sem ar:

— José… eu estou na fazenda. Naquela fazenda. Eu… eu vi ele. Eu vi Lucas. Ele está com seus filhos. Eloise está aqui. Eles… José, é pior do que pensávamos.

Ela ainda ia continuar, mas—

Uma sombra cresceu atrás dela.

Uma mão grande agarrou seu cabelo com violência.

Márcia gritou — mas o som morreu na garganta quando o homem torceu sua cabeça para trás.

— A senhora é corajosa, dona Márcia. — a voz dele era fria, quase debochada. — Mas coragem demais mata.

O celular caiu no chão.

O homem olhou para ele.

Sorriu.

E pisou.

O estalo seco da tela quebrando ecoou como um tiro.

Márcia tentou se soltar. Tentou lutar. Tentou tudo.

Mas o homem era forte.

Ele arrastou ela pela grama, pela varanda, até a porta da casa.

Empurrou.

A porta bateu na parede ao abrir.

— Chefe. — o homem anunciou, arrastando Márcia como um saco de roupa. — Olha o que eu achei lá fora.

Todos olharam.

José respirou fundo — como se o mundo estivesse desabando pela segunda vez.

Lorenzo congelou.

Thamires levou a mão à boca.

Lucas virou o rosto devagar.

Só um detalhe mudou nele:

O sorriso.

Devagar.

Macabro.

Eloise o viu sorrir assim.

E entendeu que o pior estava só começando.

A porta bateu na parede quando o segurança arrastou Márcia pelos cabelos para dentro da sala.

O chão pareceu tremer.

Lorenzo deu um passo para frente — o rosto dele mudou na hora, descrença e horror misturados.

— Mãe? — a voz saiu sem ar.

Márcia tentou se firmar, mas o corpo não obedecia. As mãos dela tremiam.

Antes que ela pudesse responder, Antônio riu.

Um riso lento. Cruel. Sem pressa.

— Tudo isso… — disse ele, abrindo os braços como quem apresenta um espetáculo — para salvar o seu amado José.

Lorenzo franziu o cenho, confuso.

— Do que você está falando?

Antônio inclinou a cabeça, os olhos brilhando de satisfação venenosa.

— Ah, que família bonita. Vamos lá, Márcia… conta para ele.

Conta quem é o pai desse bastardo.

Márcia fechou os olhos — uma lágrima desceu.

— Filho… me perdoa.

Lorenzo sentiu o mundo girar.

— Do que ele está falando, mãe?

— Ele é meu pai?

— Ele é o homem que não quis a gente?

— Que fingiu que nem me conhece?

Antônio soltou uma gargalhada amarga.

— Eu? Pai de você? — ele cuspiu as palavras. — Eu não gero fracassos.

Ele apontou o queixo para José, algemado na poltrona.

— Seu pai está bem ali.

O Monteiro que ninguém sabia que deixou um rastro.

Silêncio.

Pesado. Absoluto.

Márcia caiu de joelhos, chorando.

— José nunca soube.

— Eu nunca disse.

— Eu estava com medo.

— Eu tinha vergonha do que aconteceu.

— Lorenzo… por favor, olha pra mim…

Capítulo 246 1

Capítulo 246 2

Capítulo 246 3

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