O Encontro Marcado
A Sala de Guerra improvisada na MonteiroCorp pulsava como uma caixa de nervos. Telões projetavam a fazenda, estradas secundárias e pontos de fuga; rádios chiavam numa língua própria; agentes iam e vinham com passos curtíssimos, cada um encaixado em uma tarefa.
Thomas e Augusto ficaram imóveis diante do mapa, os olhos querendo abarcar cada linha vermelha, cada atalho. O silêncio ali tinha peso de ante-sinfonia — todos esperando o primeiro acorde.
O celular de Augusto vibrou na mesa. O som cortou a tensão como lâmina. Thomas ergueu os olhos. Não havia surpresa no rosto dele, só a constatação de que aquilo, de algum modo, faria sentido no caos.
— Eles sempre fazem isso. Previsível. — murmurou Thomas, baixo.
Augusto atendeu sem cerimônia.
— Alô? — disse com a voz firme.
A voz do outro lado veio calma, controlada — como se tudo aquilo fosse parte de um roteiro que Lucas já havia decorado.
— Augusto. Quero ver você e o José Monteiro. Sem polícia. Sem Thomas. Só nós.
Augusto apertou os dedos no aparelho, os nós dos dedos esbranquiçando.
— Ok. Onde? E que horas? — ele perguntou, sem nenhuma pressa aparente, embora a sala inteira prendesse o ar.
— Prédio vermelho. Oito andar. Às quinze horas. — respondeu Lucas.
O “Prédio vermelho" era um nome que vinha com um histórico: o lugar onde o pai de Lucas se jogou, o palco de um trauma que corroía o homem até hoje. Lugar cheio de sombra, cheio de gente que vai acabar com a própria história.
Augusto teve que perguntar a única coisa que importava.
— E a Eloise?
Houve um silêncio curto, bem medido.
— Calma. No momento certo você a verá. — Lucas devolveu, frio como vidro. — Sem gracinha.
A ligação caiu.
Os monitores pareceram chiar um pouco mais alto. O relógio continuou a marcha implacável.
Augusto fechou a mão no celular, os olhos pesando. Levantou o rosto.
— Ele quer nos encontrar no prédio vermelho, no oitavo andar. — Augusto repetiu.
José Monteiro, que permanecera de pé atrás dele, aproximou-se devagar, a expressão sombria.
— Foi lá onde tudo aconteceu. — murmurou ele, baixo, como quem solta uma confissão que pesa. — No mesmo andar… tem uma pessoa que pode ajudar. Pode confirmar a verdadeira história. Se Lucas ouvir a história real, talvez baixe a guarda.
Thomas avaliou a informação dois segundos, como quem pesa pólvora.
— Isso pode virar uma chance. — disse. — Meus homens vão ficar em posição. Vamos cercar o prédio sem levantar suspeitas.
Thomas virou-se para o operador do telão, apontou com a caneta e pediu a ampliação das rotas de acesso ao prédio. Os homens ao redor já moviam peças sem ordem explícita.
Em seguida, Thomas pegou o rádio preso ao colete, a voz assumindo o timbre que ele reservava para decisões que não comportavam hesitação.
— Sargento, ouviu? — a voz saiu controlada. — Liberar a estrada principal agora. Quero o caminho limpo. Ninguém deve ver nossas viaturas. Mantenham a operação discreta. Deixem ele passar até o ponto combinado. Quando estivermos com ele na mira, eu dou o sinal. Pegam a garota só no meu comando.
No silêncio que se seguiu, os agentes entenderam o peso. Thomas respirou fundo, a face implacável.
Augusto apoiou as duas mãos na borda da mesa, o corpo inteiro enrijecido.
— Você está certo? — perguntou, mais para si do que para Thomas.
— Quero que você vá — Thomas respondeu, seco. — Mas faz como eu disse: disfarce, rotina, naturalidade. Não provoque. Se ele desconfiar que estamos um passo à frente, muda de tática. E ele é perigoso quando perde vantagem.
Os segundos passaram presos num relógio que parecia ter parado. Motores de viatura engataram. Rádios responderam. Homens em trajes civis se posicionaram nos pontos marcados. Laís continuou a digitar, mapeando também as câmeras nas imediações do prédio, confirmando ângulos cegos e pontos de possível interceptação.
José ficou um instante a mais, a mão inquieta sobre a própria lapela.
— Preciso sair antes. Encontro vocês lá. — José disse, já se afastando.
Thomas assentiu. A operação passou a ser coordenada num detalhe invisível: silêncios combinados, passos medidos.
Augusto guardou o celular no bolso do paletó, respirou lento, forçando tranquilidade que não sentia.
— Quinze horas — repetiu. — Oito andar. Prédio vermelho .
A frase soou como sentença.
Thomas fechou a pasta e caminhou até a porta, a mão pousando no ombro de Augusto por um segundo — um aperto curto, sem palavras.
— Fica tranquilo, vamos trazer Eloise de volta — disse Thomas.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...