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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 248

Plano: Manter-se Vivo

O céu estava pesado.

Cinza.

Baixo.

Como se o próprio clima soubesse que algo estava prestes a estourar.

Thamires saiu da casa devagar, puxando a jaqueta contra o vento frio que cortava a pele.

A varanda rangeu sob seus passos. O cheiro de terra úmida e madeira velha enchia o ar, como memória de algo que já deu errado antes.

Lorenzo estava sentado no degrau.

Cotovelos nos joelhos.

Mãos entrelaçadas.

Olhos perdidos no horizonte seco.

Parecia alguém procurando saída onde não existia nenhuma.

— Precisamos sair daqui agora. — ela disse baixo, a voz tremendo apesar do esforço para parecer firme.

Lorenzo ergueu o olhar, lento, confuso, exausto.

— Por quê?

Thamires deu um passo, depois outro — cada movimento calculado, como se o chão pudesse estalar.

Abaixou a voz até quase virar um sussurro:

— Eles vão matar o pai do Augusto.

Silêncio.

O vento passou entre eles, gelado.

— E depois disso… — ela continuou, engolindo o medo — nós não serviremos mais pra nada.

— Mas seremos testemunhas.

— E você sabe o que acontece com testemunhas, Lorenzo.

A frase caiu pesada — como pedra jogada em água parada.

Lorenzo ficou imóvel.

A respiração dele prendeu no peito.

— Eu preciso soltar minha mãe — disse ele, firme, sem piscar. — Ela vem comigo.

Thamires fechou os olhos por meio segundo.

Ela conhecia aquele tom.

Quando Lorenzo falava daquele jeito, não havia retorno.

— Não dá tempo. — ela sussurrou. — Se você soltar ela primeiro, vai atrair atenção.

— Você está louca se acha que eu vou deixar minha mãe aqui. — Lorenzo respondeu, a voz trincada, o medo transbordando por trás da raiva.

Thamires respirou fundo.

Olhou para ele como quem mede chagas.

— Então escuta. — disse, rápida, prática, presa na sobrevivência que morava nela. — Você tem a chave do carro?

Lorenzo assentiu, a mão fechando-se em torno do metal no bolso.

— Então é simples. — Thamires falou, como quem traça uma rota no mapa do desespero. — Eu distraio o segurança da sala, você solta a sua mãe.

— Sem barulho. Sem chamar ninguém.

Lorenzo ouviu.

Absorveu.

Processou a dor, o medo, o tempo.

— E depois?

Thamires aproximou-se, muito perto, olhos duros.

— Você fura o pneu do carro da frente.

— Se eles tentarem seguir a gente, não vão conseguir.

O ar pareceu prender.

Lorenzo engoliu seco.

— E depois? — insistiu, porque a mente dele precisava da promessa para se mover.

Thamires olhou para o horizonte — sem esperança, só cálculo.

— Depois… nós sumimos da Cidade Norte.

Um silêncio pesado caiu entre eles.

Não era cumplicidade.

Não amor.

Não lealdade.

Era sobrevivência.

Só isso.

Thamires ajeitou o cabelo, respirou fundo.

— Vou dar o sinal. Vou dar uma risada escandalosa. É quando você corre.

Lorenzo assentiu.

A mão no bolso tremia.

Mas não vacilava.

— Sem ousar demais com o segurança. — murmurou, ainda que a voz saísse fraca.

Thamires soltou um sorriso curto, sem humor.

— Ciúme nessa altura?

Ele desviou o olhar.

Thamires deu as costas e entrou na casa.

Seu sorriso foi se desfazendo a cada passo.

Lorenzo caminhou para o lado da casa, o coração batendo tão alto que parecia querer romper a pele.

Na sala, Thamires acendeu o charme como quem afia uma faca.

Riso falso.

Brilho no olhar que não vinha da alegria — vinha da luta.

Lorenzo esperou.

Esperou.

Até que —

A risada veio.

Capítulo 248 1

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