O COMEÇO DA FUGA
O corredor cheirava a madeira velha e terra molhada.
Thamires ria na cozinha — um riso doce demais, alto demais, calculado demais.
O segurança estava encostado no balcão, enorme, braços cruzados, prestando atenção nela como se o mundo tivesse parado só para ouvir sua voz.
Era exatamente isso que ela queria.
Enquanto isso, do lado de fora, na lateral da casa
Lorenzo corria abaixado, o coração batendo tão forte que parecia querer romper o peito.
Ele chegou ao galinheiro — farpas, cheiro de palha, o ar frio da manhã cortando a pele.
Márcia estava lá dentro, os pulsos amarrados pelo mesmo nó que tinha visto tantas vezes.
Ela levantou o rosto quando ouviu passos.
— Filho? — a voz dela veio baixa, em choque. — O que você vai fazer?
Lorenzo arregaçou as mangas, as mãos tremendo, tentando desfazer o nó.
— Nós vamos sair daqui. Agora.
— Se ficarmos… depois que eles matarem o José, vão destruir provas.
— E nós somos as provas.
Márcia ficou imóvel por um instante.
O nó na madeira se soltou, a corda caiu.
Lorenzo puxou a mãe para fora.
— Vai para o carro — ele disse, rápido. — Se esconde no banco de trás. Eu vou chamar a Thamires.
Mas Márcia segurou o braço dele.
Os olhos dela estavam firmes.
— Eu não vou.
— Vocês vão.
— Eu tenho uma dívida com o José.
— Essa é minha hora de pagar. Isso também é minha culpa.
Lorenzo sentiu o sangue gelar.
— Mãe, tem dois seguranças armados. Dois.
— Isso aqui não é brincadeira.
— Eu vivi ao lado de um monstro por trinta anos. — ela respondeu, firme, olhando para a porta da casa. — Não subestime o que eu sei fazer para sobreviver.
Ela se afastou, sem pedir permissão para viver.
E desapareceu entre as pilhas de lenha, como parte da própria sombra.
Lorenzo engoliu seco.
Correu de volta para a casa.
Na cozinha, Thamires estava sentada no balcão, a perna cruzada sobre a coxa do segurança, a mão dele na cintura, o rosto deles perigosamente perto.
Era performance.
Era isca.
Era plano.
Quando Lorenzo entrou, o chão pareceu sacudir.
— Thamires… o que é isso? — ele rosnou.
Thamires fez exatamente o que precisava:
Um sobressalto perfeito.
Uma expressão culpada.
Uma boca entreaberta.
— Desculpa, amor.
— Eu… eu só… a tensão… eu fiquei… — ela gaguejou, frágil de mentira.
O segurança riu — riso largo, confiante, estúpido.
Como se tivesse vencido alguma coisa.
Lorenzo virou de costas.
— Assim não dá, Thamires. — ele disse, saindo.
Thamires olhou para o segurança.
E então pegou a faca que deixara escondida minutos atrás quando fingia corta pão.
Ela caminhou devagar.
A faca invisível ao longo do antebraço.
A respiração firme.
— Lorenzo. — ela chamou, como atriz que sabe o ato exato em que precisa falar.
Foi quando o outro segurança apareceu no topo da escada — o que vigiava Eloise.
— Ei. — ele perguntou, desconfiado. — O que tá acontecendo aí?
Thamires não respondeu.
Só caminhou.
Passou por ele.
Olhos frios.
O segurança da cozinha deu uma risada curta, sem medir o peso do próprio destino.
— O imbecil ficou com ciúme. — ele disse para o outro. —
— Eu tava pegando a namorada gostosa dele.
Os dois riram.
Alto.
Solto.
Sem noção.
Sem preparo.
Sem saber.
Que naquele instante, a casa estava toda em movimento.
Márcia esperando no fundo.
Lorenzo indo em direção ao carro.
Thamires com uma faca escondida.
E Eloise acordando.
Devagar.
Silenciosa.
Com algo muito mais perigoso que força:
vontade de sobreviver.
O ar estava pesado.
Quente.
Denso.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...