CINCO MINUTOS
O relógio digital marcava 14:55.
Cinco minutos para as quinze horas. O mesmo horário que, Lucas tinha marcado como sentença.
Thomas olhou para o visor como se pudesse empurrar o tempo com os olhos.
A respiração dele estava medida, mas o aperto na garganta traiu a pressa.
— Porra. — murmurou. — Seu pai deveria estar aqui.
Augusto estava encostado na porta do carro, a arma presa à cintura, o olhar cortando a fachada do prédio vermelho.
Não havia pânico na voz dele. Havia cálculo.
— Não podemos esperar. — respondeu. — Não sabemos o que ele pode fazer se atrasarmos.
Thomas confirmou com a cabeça, um movimento curto, seco.
As equipes distribuídas em sombras, olhando prédios, janelas, calçadas; olhos que eram máquinas de ver.
Um dos homens na lateral do prédio chamou baixo no rádio:
— Câmbio.
O chiado respondeu:
> — Aqui. Temos três homens.
Visão de trás, próximo a você. Dois cobrindo nessa posição.
Thomas pegou a caneta e fez uma marca no mapa, a ponta do instrumento batendo como um metrônomo.
— Entendido.
A mão dele apertou o rádio de novo:
— Sargento.
Do outro lado, voz baixa, firme:
> — Na escuta, senhor.
— Quantos no portão de entrada?
> — Dois, senhor.
Thomas mordeu o lábio por um segundo, depois voltou para Augusto.
— Você vai subir sozinho. — disse, sem floreios. — Enrola até seu pai chegar. Quando José entrar, a gente entra com ele. Sua segurança também conta.
Augusto abriu a boca para perguntar algo — talvez uma alternativa, talvez um risco — mas Thomas já estendia um fone, um objeto pequeno brilhando no sol manso.
— Coloca. — Thomas instruiu.
Augusto pegou o fone, sentiu o metal frio, encaixou no ouvido com um gesto automático de quem já fez aquilo antes.
Thomas confidenciou, em voz baixa, quase só para Augusto ouvir:
— Use códigos.
— Não fale nada direto.
— Um toque no ouvido significa: Lucas está sozinho. Dois toques: dois ou três homens. Três toques: mais homens do que esperamos dentro.
Augusto fechou os olhos por um microsegundo. O rosto dele era uma máscara onde cabia só decisão.
— Entendido. — disse, firme.
Thomas pousou a palma da mão no ombro dele, um contato breve, solene.
— Agora é com você.
Augusto caminhou em direção ao prédio.
Cada passo era firme, controlado.
Ao redor, as equipes já estavam posicionadas:
atiradores nas janelas, observadores nos becos, carros prontos para fechar as rotas de fuga.
Nada chamava atenção.
Mas tudo estava preparado.
No relógio, 14:56.
O rádio de Thomas chiou:
> — Senhor — aqui é o sargento — temos três homens armados entrando.
Thomas respondeu sem levantar a voz, mas firme:
— Posição.
> — Sétimo andar.
Augusto começou a caminhar pela calçada em direção ao prédio.
Passo após passo.
Sem pressa.
Sem desvio.
Cada movimento calculado.
Cada passo consciente do que estava prestes a acontecer.
No ouvido, Thomas murmurou:
— Mantém a calma.
Augusto respirou fundo.
Dois homens estavam na frente do prédio — parados, imóveis, como cães treinados.
Eles encararam Augusto.
Sem palavra.
Sem expressão.
Só reconhecimento de predadores.
Um deles deu um passo à frente, puxou a corrente enferrujada que prendia o portão e abriu o cadeado com um estalo metálico que soou como condenação.
O outro levantou a camisa apenas o suficiente para que a arma no coldre ficasse visível — não era ameaça.
Era aviso.
Lento, firme, ele apontou a arma diretamente para Augusto.
O relógio vibrou.
14:59.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...