Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 251

CINCO MINUTOS

O relógio digital marcava 14:55.

Cinco minutos para as quinze horas. O mesmo horário que, Lucas tinha marcado como sentença.

Thomas olhou para o visor como se pudesse empurrar o tempo com os olhos.

A respiração dele estava medida, mas o aperto na garganta traiu a pressa.

— Porra. — murmurou. — Seu pai deveria estar aqui.

Augusto estava encostado na porta do carro, a arma presa à cintura, o olhar cortando a fachada do prédio vermelho.

Não havia pânico na voz dele. Havia cálculo.

— Não podemos esperar. — respondeu. — Não sabemos o que ele pode fazer se atrasarmos.

Thomas confirmou com a cabeça, um movimento curto, seco.

As equipes distribuídas em sombras, olhando prédios, janelas, calçadas; olhos que eram máquinas de ver.

Um dos homens na lateral do prédio chamou baixo no rádio:

— Câmbio.

O chiado respondeu:

> — Aqui. Temos três homens.

Visão de trás, próximo a você. Dois cobrindo nessa posição.

Thomas pegou a caneta e fez uma marca no mapa, a ponta do instrumento batendo como um metrônomo.

— Entendido.

A mão dele apertou o rádio de novo:

— Sargento.

Do outro lado, voz baixa, firme:

> — Na escuta, senhor.

— Quantos no portão de entrada?

> — Dois, senhor.

Thomas mordeu o lábio por um segundo, depois voltou para Augusto.

— Você vai subir sozinho. — disse, sem floreios. — Enrola até seu pai chegar. Quando José entrar, a gente entra com ele. Sua segurança também conta.

Augusto abriu a boca para perguntar algo — talvez uma alternativa, talvez um risco — mas Thomas já estendia um fone, um objeto pequeno brilhando no sol manso.

— Coloca. — Thomas instruiu.

Augusto pegou o fone, sentiu o metal frio, encaixou no ouvido com um gesto automático de quem já fez aquilo antes.

Thomas confidenciou, em voz baixa, quase só para Augusto ouvir:

— Use códigos.

— Não fale nada direto.

— Um toque no ouvido significa: Lucas está sozinho. Dois toques: dois ou três homens. Três toques: mais homens do que esperamos dentro.

Augusto fechou os olhos por um microsegundo. O rosto dele era uma máscara onde cabia só decisão.

— Entendido. — disse, firme.

Thomas pousou a palma da mão no ombro dele, um contato breve, solene.

— Agora é com você.

Augusto caminhou em direção ao prédio.

Cada passo era firme, controlado.

Ao redor, as equipes já estavam posicionadas:

atiradores nas janelas, observadores nos becos, carros prontos para fechar as rotas de fuga.

Nada chamava atenção.

Mas tudo estava preparado.

No relógio, 14:56.

O rádio de Thomas chiou:

> — Senhor — aqui é o sargento — temos três homens armados entrando.

Thomas respondeu sem levantar a voz, mas firme:

— Posição.

> — Sétimo andar.

Augusto começou a caminhar pela calçada em direção ao prédio.

Passo após passo.

Sem pressa.

Sem desvio.

Cada movimento calculado.

Cada passo consciente do que estava prestes a acontecer.

No ouvido, Thomas murmurou:

— Mantém a calma.

Augusto respirou fundo.

Dois homens estavam na frente do prédio — parados, imóveis, como cães treinados.

Eles encararam Augusto.

Sem palavra.

Sem expressão.

Só reconhecimento de predadores.

Um deles deu um passo à frente, puxou a corrente enferrujada que prendia o portão e abriu o cadeado com um estalo metálico que soou como condenação.

O outro levantou a camisa apenas o suficiente para que a arma no coldre ficasse visível — não era ameaça.

Era aviso.

Lento, firme, ele apontou a arma diretamente para Augusto.

O relógio vibrou.

14:59.

Foi mais do que um minuto.

Foi o suficiente para a memória morder.

De repente, a campainha interna tocou, o portão abriu com lentidão mecânica.

E Francisco apareceu.

Ele era menor do que José lembrava.

O cabelo e a barba totalmente brancos.

Uma barriga sob a camisa polo vermelha.

Sandálias nos pés.

Mas os olhos…

Os olhos eram os mesmos.

Olhos que já viram uma vida se desfazer duas vezes.

— José. — ele disse, abrindo um sorriso triste. — Quanto tempo.

José estendeu a mão.

O aperto não foi firme.

Foi humano.

— Demais, Francisco. — respondeu. — Anos demais.

O homem fez um gesto com a mão, chamando para dentro.

— Vamos entrar. Toma um café.

Mas quando José deu o primeiro passo para atravessar o portão, Francisco o observou de lado.

Havia entendimento na expressão.

E luto também.

— Você não veio por café. — ele disse, com a voz curta. — Tem coisa pesada aí.

José parou.

Olhou para o chão.

Depois ergueu o rosto, e a dor estava ali — aberta, crua, sem defesa.

— É sobre o Lucas.

— Eu preciso da sua ajuda.

Francisco fechou os olhos, como se tivesse levado um soco que já sabia que viria.

— Eu sabia… — sussurrou. — Eu sempre soube que esse dia ia chegar.

Ele abriu o portão por completo.

— Entra. — disse, a voz embargando. — Está na hora de alguém contar a verdade pra esse menino.

José atravessou.

E naquele momento, a narrativa do passado — o que realmente aconteceu — começou a se mover em direção ao presente.

Como um fantasma abrindo os olhos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário