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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 253

O ALVO QUE NÃO PARAVA

No oitavo andar, não tinha parede.

Só vento.

Só concreto.

Só precipício.

Lucas estava de frente para Augusto conforme o vento rasgava o silêncio.

Nenhum dos dois piscava.

Mas então —

Passos.

José surgiu no topo da escada.

Lucas desviou o olhar de Augusto como se tivesse sido puxado por um ímã invisível.

O sorriso nasceu devagar no rosto dele.

— Que bom ver você, José Monteiro… — disse, quase doce.

Mas o sorriso morreu do mesmo jeito que nasceu —

rápido demais.

Porque atrás de José, subindo um passo atrás,

Francisco.

Rosto tenso.

Respiração curta.

Culpa antiga pesando nos olhos.

Lucas congelou.

— Tio? — a palavra saiu em choque, cortada.

Depois, veio como veneno:

— O que você está fazendo aqui?

— E com ele? — o olhar dele voou para José, depois Augusto — e voltou para Francisco com fúria.

Augusto, enquanto Lucas estava focado em Francisco,

levou a mão até a orelha.

Um toque.

Sinal.

Do lado de fora.

No carro camuflado, Thomas endireitou o corpo na hora.

— Câmbio.

O rádio chiou.

> — Na escuta, senhor.

— Pode agir. Imobiliza os três que estão na sua direção.

> — Entendido, senhor.

Thomas apertou outro canal:

— Qual é a posição, Águia?

No topo de um prédio vizinho, o atirador de precisão observava através da mira.

> — Senhor… eu não tenho visão do alvo. O suspeito está atrás de uma coluna.

Thomas esfregou a testa, a respiração prendendo.

— Entendi.

Ele alternou para o canal do outro sniper, no prédio oposto.

— Águia Dois, responda.

Silêncio.

Nenhum retorno.

— Águia Dois, responda!

Nada.

Thomas sentiu o ar dentro do carro ficar menor.

— Merda.

No oitavo andar.

Lucas passou a língua pelos dentes, como um animal prestes a morder.

— Então é isso… — ele murmurou, caminhando em um círculo lento, estudando José, Augusto… e Francisco.

— Tio Francisco… quem é amigo dos meus inimigos…

Os olhos dele estavam tão abertos que pareciam cortar o rosto.

— É meu inimigo também.

Ele tirou a arma da cintura.

Apontou para José.

Depois, moveu a mira para Francisco.

— Então, tio… — a voz dele ficou baixa, fraturada, doente — de que lado você está?

Francisco levantou as mãos — gesto pequeno, desesperado.

— Lu… Lucas, me escuta…

— Você não precisa fazer isso…

— Eu deveria ter estado com você quando tudo aconteceu.

— Eu devia ter falado sobre seus pais, devia ter ajudado você a entender… mas eu achei que não toca no assunto seria melhor. Eu errei filho.

A voz dele tremeu.

— Mas agora você já estava quebrando, e eu… eu não vi.

O vento entrou pelo vão do prédio, carregando poeira, silêncio, e algo mais —

tragédia prestes a acontecer.

Augusto manteve o rosto firme.

Mas seu maxilar estava duro.

Cada músculo do corpo dele pronto para atacar — e morrer tentando.

No fone, a voz de Thomas veio tensa, cortada, urgente:

— Augusto…

— Eu preciso que o Lucas se mova.

— Ele está fora da mira do atirador.

— Se continuar aí… a gente não tem alvo.

Augusto não respondeu com voz.

Ele respondeu com o olhar:

firme, frio, calculado.

Ele deu um passo.

Para frente.

Lucas moveu a arma direto para o coração dele.

As respirações travaram.

O chão parecia não existir.

E a distância entre atirar e morrer cabia em um piscar.

Lucas mantinha a arma apontada para o peito de Augusto.

O vento atravessava o oitavo andar, cortando a garganta, levando poeira e tensão no ar.

Ele analisou Augusto por um segundo — um segundo longo demais.

— Tira. — disse.

Augusto o encarou, o rosto sem reação.

Lucas deu um passo à frente.

— Ele tem sangue nas mãos.

Augusto explodiu — sem levantar a voz, mas com aço no olhar:

— Meu pai nunca encostou um dedo na minha mãe.

Lucas o encarou.

— Você tem tanta certeza assim, amigo?

A palavra amigo veio como tapa.

José se aproximou meio passo.

— Lucas.

— O seu pai ficou com medo da verdade.

— Ele achou que ia perder tudo.

— Eu nunca culparia ele.

— Eu era o melhor amigo dele.

Lucas começou a respirar rápido.

Muito rápido.

Como quem tenta segurar um mundo que está caindo.

— MENTIRA.

Francisco fechou os olhos por um segundo.

E então falou.

Não como confissão.

Como sobrevivência:

— Seu pai era ciumento, Lucas.

— Doentio.

— Um dia antes daquela noite… Emanuel — seu primo — foi até sua casa levar um presente pra você.

— Ele nem entrou.

— Sua mãe estava no portão.

— Foi só isso.

Lucas congelou.

A arma baixou um centímetro.

Francisco continuou, firme, mesmo com lágrimas escorrendo:

— Seu pai viu tudo pelas câmeras.

— Achou que estava sendo traído.

— Não acreditou na própria esposa.

— Ele bateu nela, Lucas.

— Ela foi parar no hospital naquela noite.

— E ele bebeu.

— Bebeu até perder a consciência.

— Até…

BAM

Um disparo seco ecoou de baixo.

Todos gelaram.

Augusto virou o rosto instintivamente.

Lucas também.

Um erro.

Foi o primeiro erro.

E naquele instante, sem que ninguém respirasse —

tudo estava prestes a quebrar.

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