O ALVO QUE NÃO PARAVA
No oitavo andar, não tinha parede.
Só vento.
Só concreto.
Só precipício.
Lucas estava de frente para Augusto conforme o vento rasgava o silêncio.
Nenhum dos dois piscava.
Mas então —
Passos.
José surgiu no topo da escada.
Lucas desviou o olhar de Augusto como se tivesse sido puxado por um ímã invisível.
O sorriso nasceu devagar no rosto dele.
— Que bom ver você, José Monteiro… — disse, quase doce.
Mas o sorriso morreu do mesmo jeito que nasceu —
rápido demais.
Porque atrás de José, subindo um passo atrás,
Francisco.
Rosto tenso.
Respiração curta.
Culpa antiga pesando nos olhos.
Lucas congelou.
— Tio? — a palavra saiu em choque, cortada.
Depois, veio como veneno:
— O que você está fazendo aqui?
— E com ele? — o olhar dele voou para José, depois Augusto — e voltou para Francisco com fúria.
Augusto, enquanto Lucas estava focado em Francisco,
levou a mão até a orelha.
Um toque.
Sinal.
Do lado de fora.
No carro camuflado, Thomas endireitou o corpo na hora.
— Câmbio.
O rádio chiou.
> — Na escuta, senhor.
— Pode agir. Imobiliza os três que estão na sua direção.
> — Entendido, senhor.
Thomas apertou outro canal:
— Qual é a posição, Águia?
No topo de um prédio vizinho, o atirador de precisão observava através da mira.
> — Senhor… eu não tenho visão do alvo. O suspeito está atrás de uma coluna.
Thomas esfregou a testa, a respiração prendendo.
— Entendi.
Ele alternou para o canal do outro sniper, no prédio oposto.
— Águia Dois, responda.
Silêncio.
Nenhum retorno.
— Águia Dois, responda!
Nada.
Thomas sentiu o ar dentro do carro ficar menor.
— Merda.
No oitavo andar.
Lucas passou a língua pelos dentes, como um animal prestes a morder.
— Então é isso… — ele murmurou, caminhando em um círculo lento, estudando José, Augusto… e Francisco.
— Tio Francisco… quem é amigo dos meus inimigos…
Os olhos dele estavam tão abertos que pareciam cortar o rosto.
— É meu inimigo também.
Ele tirou a arma da cintura.
Apontou para José.
Depois, moveu a mira para Francisco.
— Então, tio… — a voz dele ficou baixa, fraturada, doente — de que lado você está?
Francisco levantou as mãos — gesto pequeno, desesperado.
— Lu… Lucas, me escuta…
— Você não precisa fazer isso…
— Eu deveria ter estado com você quando tudo aconteceu.
— Eu devia ter falado sobre seus pais, devia ter ajudado você a entender… mas eu achei que não toca no assunto seria melhor. Eu errei filho.
A voz dele tremeu.
— Mas agora você já estava quebrando, e eu… eu não vi.
O vento entrou pelo vão do prédio, carregando poeira, silêncio, e algo mais —
tragédia prestes a acontecer.
Augusto manteve o rosto firme.
Mas seu maxilar estava duro.
Cada músculo do corpo dele pronto para atacar — e morrer tentando.
No fone, a voz de Thomas veio tensa, cortada, urgente:
— Augusto…
— Eu preciso que o Lucas se mova.
— Ele está fora da mira do atirador.
— Se continuar aí… a gente não tem alvo.
Augusto não respondeu com voz.
Ele respondeu com o olhar:
firme, frio, calculado.
Ele deu um passo.
Para frente.
Lucas moveu a arma direto para o coração dele.
As respirações travaram.
O chão parecia não existir.
E a distância entre atirar e morrer cabia em um piscar.
Lucas mantinha a arma apontada para o peito de Augusto.
O vento atravessava o oitavo andar, cortando a garganta, levando poeira e tensão no ar.
Ele analisou Augusto por um segundo — um segundo longo demais.
— Tira. — disse.
Augusto o encarou, o rosto sem reação.
Lucas deu um passo à frente.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...