O DISPARO
Lá embaixo, o jogo também tinha começado.
O sargento deu o sinal com a mão — silêncio absoluto.
Quatro homens da equipe tática se abaixaram atrás do muro lateral.
Um salto rápido.
Corpos por cima do concreto.
Queda leve do outro lado.
Agora, eles estavam dentro.
O pátio interno era estreito, com três carros parados, mas estava longe. Tinha pilares de sustentação fazendo sombra.
Perfeito para emboscada.
O sargento ergueu o punho fechado:
Parar.
O primeiro homem armado apareceu, caminhando distraído pela lateral, arma baixa, achando que o mundo estava sob controle.
O sargento contou nos dedos:
3…
2…
1.
O policial mais próximo avançou.
Braço no pescoço.
Corpo no chão.
Mão na boca para sufocar o grito.
Rápido. Preciso. Sem barulho.
O segurança se debateu por três segundos — depois apagou.
O sargento fez um gesto:
Avançar.
Eles seguiam apoiados na parede, deslizando pela sombra, respiração controlada.
Mais adiante, outro segurança — andando, virando a cabeça de um lado para o outro.
O sargento moveu a mão de novo:
Agora.
O segundo policial veio por trás, mata-leão, joelho na lombar, corpo travado.
Queda limpa.
Sem tempo para comemorar.
— ALI! — o sargento avisou, apontando.
Um terceiro apareceu no corredor, arma já levantada.
Tiro.
O disparo ricocheteou no pilar — por centímetros não atingiu ninguém.
Antes que ele puxasse o gatilho de novo, um dos agentes o derrubou com um emburrão seco, ombro contra costelas, os dois indo ao chão.
O segurança tentou erguer a arma, mas o policial já estava por cima, joelho no braço, imobilizando.
Respirações curtas.
Voz baixa.
Adrenalina alta demais para caber no corpo.
Foi nesse momento que Thomas saltou o muro.
Um salto só.
Caiu ajoelhado, mão na arma.
Mas lá dentro não havia cobertura suficiente.
Pouco concreto.
Muito céu.
Troca de tiros significaria morte instantânea.
Então ele fez o que melhores fazem:
movimento rápido + silêncio absoluto.
Ele se abaixou ao lado dos carros, que estava mais perto dele e de sua pequena equipe, o metal frio tocou o colete.
Apontou para dois agentes:
— Você, pela direita. Eu vou pela esquerda. — disse, quase sem voz.
Eles se moveram ao mesmo tempo.
Surpresa perfeita.
Dois seguranças estavam perto dos carros, conversando baixo, sem imaginar que o cerco já estava dentro.
Thomas ergueu a arma e gritou:
— PERDEU! PERDEU! NO CHÃO! AGORA!
Os dois congelaram.
As armas caíram.
As algemas fecharam.
Som metálico.
Som final.
Foi rápido demais para reação.
Mas um segurança viu.
O que estava no portão.
Ele travou o corpo, arregalou os olhos —
— MERDA — e correu para dentro do prédio.
Thomas mirou.
Não atirou.
Se ele disparasse, Lucas ouviria.
E aí — o plano inteiro desmoronaria.
Em vez disso — ele assobiou.
Um som curto.
Agudo.
Lucas pisca — só uma vez — e a dor passa no fundo dos olhos.
Raiva.
Dor antiga.
A ferida que nunca cicatrizou.
Ele pega o celular.
Disca.
Chamada.
Toque.
— Não. — Augusto dá um passo, instintivo, sem pensar.
Lucas levanta o indicador, mandando ficar.
O celular encostada em sua orelha.
___
Flashback de alguns horas antes.
Um galpão vazio.
Cadeiras metálicas.
Luz fria.
Lucas e Antônio frente a frente.
Antônio não ri.
Ele fala como quem lê sentença.
— Se Augusto tentar bancar o herói… — Antônio diz, enquanto limpa a lâmina devagar — você me liga.
Lucas permanece imóvel.
— E você sabe o que fazer. — completa.
Antônio não olha para Lucas.
— Thamires acha que está no controle. — ele diz. — Mas ela é só peso morto.
Lucas não reage.
Só aceita.
Acordo selado.
Sem Eloise.
Sem sangrar motivos.
Sem tocar no objeto de amor.
A ameaça sempre seria Thamires.
---
Lucas está com o celular no ouvido.
— Manda uma lembrancinha. — ele diz, calmo.
Augusto perde o ar.
Francisco interrompe, a voz quebrando:
— Lucas, escuta o que eu vou dizer — AGORA.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...