NÃO ERA PARA DAR ERRADO
O apartamento estava escuro.
Só a luz da tela iluminava o rosto de Antônio.
Ele estava sentado na poltrona, a perna cruzada, o charuto queimando lento entre os dedos.
O homem ao lado dele — um dos seus — aproximou-se e entregou o celular.
Antônio colocou o celular no ouvido.
Ouviu.
— Ok. — murmurou, e desligou.
Sem pressa, digitou outro número.
Chamou.
A ligação atendeu na segunda vez.
— Pegue a outra mulher. — disse, sem elevar o tom. — Corte o dedo dela. Envie foto. Agora.
Houve silêncio do outro lado.
Depois, a voz — trêmula.
— Senhor… senhor… ela e o seu filho fugiram.
A mão de Antônio parou no ar.
Ele ficou imóvel.
O rosto não mudou.
Mas o ar no cômodo gelou.
— Fugiram? — perguntou, como quem confirma a sentença de alguém.
— S-sim, senhor.
— Inútil. — Antônio cortou.
Não levantou a voz.
Não precisava.
A voz veio baixa. Afiada. Feita para cortar carne.
— Vocês são imbecis. — continuou, respirando fundo. — Dois idiotas. Como o idiota do meu filho fugiu de vocês?
Do outro lado, só o barulho da respiração pesada.
— Saiam da frente. — ordenou Antônio, sem tirar os olhos da tela. — Agora.
— Se eles abrirem a boca, a localização da garota cai nas mãos desse investigar intrometido em menos de dez minutos. Ela é valiosa.
— Se escondam. Amarrem a garota para não perder outra presa. Chego já para saímos do radar.
— S-sim, senhor. Estou indo. — o homem respondeu, desesperado.
Antônio desligou.
Demorou três segundos.
Três segundos de silêncio absoluto.
Então, ele apertou o charuto contra a borda do cinzeiro com tanta força que o tabaco esmagou e a fumaça subiu densa, amarga.
Ele não piscou.
Não respirou fundo.
Apenas murmurou, baixo, para ninguém:
— Lorenzo… você vai pagar por isso.
A tela continuava mostrando o oitavo andar.
Lucas.
José.
Uma nova peça.
Augusto.
O jogo estava andando.
Mas agora —
as peças já estavam fugindo do tabuleiro.
E Antônio odiava quando alguém movia peças sem permissão.
Ele se levantou devagar, pegando o palito como quem afia uma intenção.
— Vamos.
Está na hora de lembrar quem controla o tabuleiro.
___
O barulho da briga lá embaixo ecoava pelas paredes como trovão preso.
Eloise estava atrás da porta.
Respirando pela boca.
Contando o tempo entre um passo e outro.
A maçaneta girou.
O segurança entrou xingando.
— Seu imbecil. — ele cuspia as palavras. — Achou que aquela gostosa ia dar moral pra um capanga fedido igual você? Tá achando que vive em romance...
Ele nem terminou.
Eloise avançou.
A tesoura entrou abaixo da clavícula, atravessando o músculo.
O homem gritou — um grito rouco, curto — e caiu de joelhos.
Eloise correu.
Desceu os degraus tão rápido que quase caiu — o corrimão arranhando sua mão.
Mas, na metade da escada, uma sombra surgiu.
Grande. Larga. Firme.
O outro segurança.
Ele agarrou o braço dela e a puxou de volta, o corpo dela quase voando contra o peito dele.
— Aonde você pensa que vai, princesa?
Eloise tentou morder, chutar, rasgar.
Mas ele era grande demais.
Os dedos dele apertavam o braço dela como ferro quente.
— Solta! — ela gritou, o coração explodindo na garganta.
— Se acalma — ele rosnou. — O chefe decide se você respira—
CRASH!
O som foi seco.
Um jarro de barro se partindo na cabeça dele.
A expressão do homem apagou — como uma vela sufocada.
Ele caiu.
Atrás dele, Márcia estava ofegante, as mãos tremendo, mas os olhos firmes.
— Anda. — ela disse, puxando Eloise pelo pulso. — Precisamos sair daqui.
Eloise não perguntou nada.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...