Eles estavam virando noites.
Dias feitos de café frio, telas acesas e papéis espalhados.
Sofia e Thomas trabalhavam lado a lado há horas, quase sem falar. Não por desconforto — mas por concentração. O caso tinha deixado de ser apenas profissional. Havia algo pessoal ali. Para os dois.
Thomas estava debruçado sobre o computador quando o celular vibrou sobre a mesa.
Ele olhou a tela.
Suspirou.
— É minha mãe. — murmurou, atendendo.
Sofia não prestou atenção no início. Continuou anotando algo no bloco.
— Oi… — ele disse, a voz mudando de tom sem perceber. Ficou mais suave. — O que foi?
Do outro lado da linha, a voz de Antonieta vinha aflita, mas carinhosa.
— Filho, eu sei que você está trabalhando, mas aconteceu um imprevisto. O Miguelzinho saiu mais cedo da escolinha… seu irmão e a sua cunhada se atrasaram, e a babá só chega daqui a pouco. Você consegue buscar ele pra mim?
Houve um segundo de silêncio.
— Claro que consigo. — Thomas respondeu na hora. — Eu vou agora.
Desligou.
Sofia levantou os olhos, curiosa.
— Aconteceu alguma coisa?
— Preciso ir buscar o Miguel. — ele explicou, já pegando a jaqueta.
— Quem é Miguel? — Sofia perguntou, por curiosidade.
— Uma pessoinha gente boa — respondeu, quase sorrindo.
Ela observou aquele sorriso rápido… raro.
— Vem comigo — ele hesitou por um instante. — Se quiser claro...
Sofia pensou por dois segundos.
— Vamos — respondeu.
O trajeto foi silencioso, mas confortável.
Quando chegaram à escolinha, Thomas saiu do carro antes mesmo de estacionar direito. Sofia observou de longe.
O momento em que Miguel viu o Thomas foi imediato.
— TITI! — gritou, correndo com as perninhas curtas e desajeitadas.
Thomas se abaixou no mesmo instante, abrindo os braços.
— Ei, campeão! — disse, rindo de verdade pela primeira vez em dias.
Pegou o menino no colo com facilidade, girou uma vez no ar, fazendo Miguel gargalhar alto.
Sofia sentiu algo apertar no peito.
Não dor.
Surpresa.
Ela nunca tinha visto Thomas assim.
Tão… inteiro.
No caminho, pararam numa sorveteria pequena.
Thomas pediu dois potinhos.
— Chocolate pra você. — disse para Miguel. — E baunilha pra mim.
O menino fez careta.
— Não quero dividir.
— Então faz assim… — Thomas abaixou a voz, conspirador. — A gente come escondido e não conta pra sua mãe. Combinado?
Miguel arregalou os olhos e riu, cúmplice.
Sofia sorriu, sem conseguir evitar.
Depois, seguiram até a casa da família.
Thomas desceu com o menino no colo. Entregou-o à babá que havia acabado de chegar, ajeitou o sapatinho, deu um beijo rápido na testa dele.
— Se comporta, campeão.
Miguel acenou, distraído com o sorvete.
Thomas voltou para o carro.
O silêncio se instalou novamente, mas era outro.
No caminho até a delegacia, Sofia falou:
— A relação de vocês… melhorou?
Thomas demorou alguns segundos para responder.
— Não. — disse, sincero. — Não como deveria.
Mas sabia — com a lucidez que só a maturidade traz — que ninguém atravessa o passado ileso.
Algumas cicatrizes não pedem distância.
Não pedem tempo.
Pedem verdade.
E, cedo ou tarde, a verdade sempre cobra o preço de ser dita.
Thomas permaneceu ali pensativo.
O motor desligado. O celular pesado na mão.
Ele encarou a tela iluminada, respirou fundo como quem toma uma decisão que vinha sendo adiada há tempo demais.
Rolou os contatos.
Parou em um nome.
Augusto.
Hesitou por um instante — orgulho ainda era um hábito difícil de largar — mas, pela primeira vez, o cansaço falou mais alto do que o medo.
A ligação chamou duas vezes antes de ser atendida.
— Fala, irmão. — a voz de Augusto veio tranquila. — Aconteceu alguma coisa?
Thomas fechou os olhos por um segundo.
— Aconteceu… — respondeu baixo. — E eu preciso conversar com você. Sem julgamento. Sem ironia.
Houve um breve silêncio do outro lado.
— Onde você está? — Augusto perguntou.
— Perto da delegacia. — Thomas respondeu. — Eu só… — fez uma pausa curta, honesta. — Eu não sei mais o que fazer quando o assunto é sentimento. E isso está começando a me atrapalhar.
Augusto não riu.
Não provocou.
— Então vamos ao clube. — disse apenas. — A gente conversa. Às vezes, até quem parece saber tudo… precisa ouvir a verdade de fora.
Thomas desligou sentindo algo estranho no peito.
Não era fraqueza.
Era o primeiro pedido de ajuda que ele fazia em anos.
E talvez — só talvez — fosse assim que algumas histórias começassem a mudar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...