Sofia seguia.
Sem reclamar.
Sem desacelerar.
Noites viradas.
Trabalho empilhado.
Pouco sono.
Café frio esquecido na mesa.
Energético aberto pela metade.
Qualquer coisa servia quando a fome aparecia — pão seco, biscoito, restos de algo pedido às pressas.
Ela não queria admitir — mas não era só a própria reputação que estava em jogo, mas também as meninas que ela visitara e ouvira no hospital.
Não era mais só um caso.
Era pessoal.
O maxilar de Sofia ficava tenso quando uma pista não levava a lugar nenhum.
O silêncio se tornava pesado quando trabalhavam em círculos.
Ela apertava os olhos diante da tela, como se pudesse obrigar os dados a confessarem.
Thomas não gostava de como Sofia estava envolvida.
Mas também não sabia como dizer sem parecer que estava pedindo para ela recuar.
E Sofia não recuava.
Então Thomas fez o que sabia fazer.
Ficou.
Presente.
Constante.
Sem invadir.
— Calma — dizia, em voz baixa, quando a frustração ameaçava transbordar. — A gente vai conseguir. Ela já errou uma vez. Agora está mais propícia a errar de novo.
Sofia ouvia.
Mas não escutava assim.
Para ela, aquilo soava como permissão para exigir ainda mais de si.
Mais horas.
Mais leitura.
Mais cruzamentos impossíveis.
Dormia quatro horas por noite. Às vezes menos.
O corpo reclamava.
A mente ignorava.
Até o dia em que o corpo venceu.
Era uma quarta-feira.
O quarto estava em penumbra quando Sofia abriu os olhos.
Ou tentou.
A cabeça latejava.
O corpo ardia.
Ela tentou se sentar. Não conseguiu.
O mundo girou devagar demais para ser ignorado.
Febre alta.
Os músculos não respondiam.
A respiração pesada.
Sofia fechou os olhos por um segundo — só para se reorganizar.
Não adiantou.
Com esforço, estendeu a mão até a mesinha de cabeceira.
O celular parecia pesado demais.
Discou.
— Alô, Alana… — a voz saiu rouca, diferente da habitual. — Cancela meus compromissos de hoje. Acho que peguei um resfriado.
Do outro lado da linha, a secretária não hesitou.
— Entendido, doutora Sofia. — uma breve pausa. — A senhora quer que eu envie um médico até seu apartamento?
Sofia respirou fundo.
— Não precisa. — respondeu. — Vou tomar um remédio e me deitar. Amanhã já estou novinha em folha.
Mentira dita com convicção.
— Tudo bem. — Alana disse, cuidadosa. — Melhoras, doutora Sofia.
A ligação encerrou.
O silêncio voltou a ocupar o quarto.
Sofia deixou o celular cair ao lado do corpo.
Fechou os olhos.
Ela sempre acreditou que fosse dona do próprio destino.
Que controle vinha de disciplina, inteligência e esforço.
Mas o destino não avisa quando decide intervir.
E naquele quarto silencioso, com o corpo em febre e a mente finalmente obrigada a parar, Sofia ainda não sabia…
…quem realmente estava no controle agora.
A ausência de Sofia não passou despercebida.
Thomas percebeu logo cedo.
O celular dela ia direto para a caixa postal. Nenhuma mensagem. Nenhum retorno seco. Nenhuma resposta objetiva como costumava ser quando estava concentrada demais para conversa.
Aquilo não era normal.
Ele tentou mais uma vez.
Nada.
O incômodo se instalou no peito como um alerta silencioso.
Thomas largou a pasta sobre a mesa e pegou o telefone novamente, discando outro número.
— Escritório Siqueira, bom dia. Alana falando.
— Alana, aqui é o Thomas Alves. — a voz saiu mais baixa do que pretendia. — A Sofia está no escritório?
Talvez fosse o cansaço acumulado.
Ou talvez fosse só o alívio de não precisar ser forte por alguns minutos.
Sofia fechou os olhos enquanto ele ajeitava a manta sobre seu corpo.
— Você não precisava vir… — murmurou.
— Eu precisava. — respondeu, simples.
Thomas foi até a cozinha.
Abriu armários.
Observou.
Pensou.
Não era a cozinha dele. Não era o mundo dele. Mas, naquele momento, era o lugar onde ele precisava estar.
Colocou uma panela no fogo.
Cortou legumes com cuidado.
O cheiro da sopa começou a se espalhar pelo apartamento silencioso.
Do sofá, Sofia observava em silêncio.
Aquele homem — tão duro no trabalho, tão controlado — agora mexia uma panela como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.
E talvez fosse.
Thomas voltou alguns minutos depois com uma xícara de chá.
— Bebe. Devagar.
Ela obedeceu.
— Você sempre foi péssima em cuidar de si mesma. — ele comentou, mais baixo.
— E você sempre foi péssimo em ir embora. — ela respondeu, sem abrir os olhos.
Ele sorriu de canto.
Sentou-se ao lado dela.
Não tocou.
Mas ficou.
Presente.
Constante.
O silêncio entre eles não era desconfortável.
Era cheio.
Cheio de tudo que ainda não tinha sido dito — e de tudo que não precisava ser.
Enquanto a sopa terminava de ferver na cozinha, algo antigo começava a se rearranjar ali.
Não com promessas.
Não com beijos.
Mas com cuidado.
E, às vezes, era assim que o amor voltava.
Não fazendo barulho.
Mas ficando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...