A investigação seguia.
Avanços mínimos, lentos demais para quem precisava de respostas urgentes — mas seguia.
E, às vezes, seguir já era vencer.
Sofia estava melhor. O corpo recuperado, a febre vencida, a mente novamente afiada. Voltava à rotina com a disciplina de sempre, mas algo havia mudado.
Thomas.
Ele estava ali.
Não de forma invasiva.
Não cobrando.
Não exigindo.
Presente.
Mensagens curtas pela manhã.
“Já comeu?”
“Não esquece de se hidratar.”
No início da tarde, o almoço chegava — sempre algo simples, equilibrado, pensado para ela.
No meio da tarde, um lanche discreto.
À noite, quando o frio se intensificava, vinha a sopa.
Feita por ele.
Sofia fingia não gostar. Reclamava do tempero, dizia que preferia algo mais forte.
Mas o que realmente a incomodava não era a sopa.
Era o sentimento.
Algo estava florescendo de novo — silencioso, cuidadoso, perigoso.
Na sexta-feira, Sofia chegou cedo ao escritório.
— Bom dia, Alana.
A secretária sorriu, eficiente como sempre.
— Bom dia, doutora Sofia. O senhor Dante pediu para avisar que a senhora tem um jantar hoje às 19h30 com o senhor Jonathan.
Sofia assentiu.
— Imagino o motivo. — disse. — A empresa dele está no meio do fogo.
O dia correu intenso.
Sofia mergulhou em documentos, estudou cada detalhe, buscou brechas jurídicas, estratégias para conter danos, possíveis ações para proteger não só o cliente — mas a própria reputação.
Às dezenove em ponto, ela atravessava a entrada de um restaurante que traduzia perfeitamente o perfil dos clientes do escritório: chique, elegante, caro.
Vestia um vestido preto clássico, blazer bem cortado por cima. Era o plano B — o que sempre deixava no escritório para dias em que não havia tempo de ir para casa.
Informou seu nome ao maître, que indicou o elevador para o segundo andar.
Enquanto aguardava, sentiu uma presença ao lado.
Antonieta.
Foi a primeira a vê-la.
— Sofia… que bom ver você.
Sofia respondeu com um sorriso contido. Educado. Controlado.
— Olá, senhora Antonieta.
Trocaram cumprimentos formais.
Antonieta suspirou, como quem carrega algo engasgado há tempo demais.
— Uma pena você e o Thomas terem terminado. Ele ficou tão mal… Sei que não posso me meter, vocês tiveram seus motivos. Mas ele ficou destruído.
Sofia não foi rude.
Mas foi honesta.
— Senhora Antonieta, com todo respeito… quando conheci Thomas, ele já estava destruído. E isso não começou comigo.
Antonieta franziu o cenho.
— Como assim? Do que você está falando?
Sofia manteve a postura firme.
— Encobrir traição. Normalizar situações que humilham a integridade emocional dele. — fez uma breve pausa. — Mas acredito que isso não seja da minha conta.
O elevador chegou.
Sofia deu um passo à frente.
— Sofia. — Antonieta chamou, a voz agora mais dura. — Seja clara. Não gosto de joguinhos. Como mãe… como eu destruí meu filho?
Sofia virou-se.
Olhou diretamente nos olhos da mulher conhecida na alta sociedade como a Dama de Ferro. Elegante. Imponente. Inabalável.
— Senhora Antonieta… — disse com calma — eu não posso abrir feridas que pertencem ao Thomas. Acredito que já ultrapassei limites.
— Mas, se a senhora quer tanto a verdade… procure seu filho. Você e seu marido, como pais. Sem fingir desentendimento.
— Porque a senhora sabe o que aconteceu. Talvez não nos detalhes. Mas sabe o suficiente.
Fez uma pausa curta, precisa.
— E sabe por que ele se afastou.
Apertou o botão do elevador.
— Tenha um bom jantar.
As portas se fecharam.
Antonieta permaneceu parada no corredor, sem chão.
Pela primeira vez em muito tempo, não tinha resposta pronta.
Nem justificativa elegante.
Nem controle.
E ali, sozinha, entendeu algo que vinha evitando há anos:
Não podia mais fingir que não via.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...