Sofia saiu do restaurante com a mente ainda presa à conversa.
Não era o jantar.
Era a ameaça velada.
O aviso elegante demais para ser ignorado.
Entrou no carro, ajustou o retrovisor e respirou fundo antes de ligar o motor.
A noite estava estranhamente silenciosa.
Silenciosa demais.
Ela arrancou, seguindo pela via principal. O trânsito era leve. Alguns semáforos abertos. A cidade seguia indiferente, como se nada estivesse prestes a acontecer.
Foi quando ouviu o primeiro estouro.
PÁ!
O vidro traseiro trincou.
Sofia sentiu o coração disparar antes mesmo de entender.
— Merda… — murmurou, já acelerando.
No retrovisor, viu duas motos surgirem.
Quatro homens. Capacetes escuros. Movimentos coordenados demais para serem aleatórios.
PÁ! PÁ!
Os tiros vieram de novo.
— Filho da puta… — Sofia puxou o volante, desviando entre dois carros.
Sofia levou a mão ao painel, o coração disparado, mas a mente afiada.
— Ligar para Thomas Alves. — ordenou, usando o comando de voz do carro.
O sistema confirmou a chamada enquanto os disparos ecoavam atrás dela.
Quando a ligação completou, a voz de Sofia saiu firme — controlada demais para alguém sob ataque:
— Thomas. — disse, sem rodeios. — Estou sendo perseguida. Estão atirando no meu carro.
Do outro lado, o silêncio durou menos de um segundo.
— Onde você está? — a voz dele veio dura, mais do que profissional, era alerta máximo.
— Estrada central. Sentido sul. Vou tentar pegar o desvio da avenida velha e seguir para a delegacia.
— Mantém a linha. Não entra em rua sem saída. — ele ordenou. — Estou a caminho. Me mantém na ligação.
As motos aceleraram e emparelharam.
Uma pela esquerda.
Outra pela frente.
O farol iluminou o brilho frio das armas.
PÁ! PÁ! PÁ!
O vidro dianteiro estalou.
Sofia não gritou.
Pensou.
Rápido.
O desvio surgiu à direita. Estreito. Curto. Quase invisível.
Ela virou o volante com força total.
O carro derrapou.
Uma das motos não conseguiu frear a tempo.
O impacto foi seco.
Os dois homens voaram, rolando pelo asfalto.
— Uma moto caiu. — Sofia avisou, a respiração curta. — Tem apenas uma com dois homens.
— Você está indo bem. Continua. — Thomas respondeu, tenso demais. — Não para.
Ela acelerou tudo o que o carro aguentava.
As motos ficaram para trás conforme ela entrou na área iluminada da delegacia. O portão estava aberto. Viaturas ali. Movimento.
Sofia buzinou. Jogou o carro para dentro.
As motos desapareceram na noite.
O silêncio caiu pesado.
Sofia encostou a cabeça no volante por um segundo.
Só um.
Depois saiu do carro.
As pernas tremiam, mas ela estava de pé.
— Sofia! — Thomas veio correndo na direção dela.
Ele segurou os ombros dela com força demais, os olhos passando pelo rosto, pelos braços, pelo corpo inteiro.
— Você está ferida?
— Não. — respondeu. — Só… tremendo.
Ela respirou fundo.
Foi então que viu.
Bruna.
Encostada perto da entrada lateral da delegacia.
Já sem o casaco.
Celular na mão.
Tranquila demais para alguém que acabara de ouvir tiros do lado de fora.
Ela levantou o olhar.
E sorriu.
Um sorriso curto. Controlado.
— Meu Deus, Sofia… — disse, fingindo choque. — Você está bem?
Thomas respondeu antes dela.
— Estamos lidando com isso. — seco. — Depois falamos.
Bruna assentiu.
Mas antes de se afastar, fez algo pequeno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...