O telefone tocou cedo demais.
Sofia ainda estava entre o sono leve e a vigília quando estendeu a mão, tateando a mesa de cabeceira.
— Alô… — a voz saiu rouca.
— Bom dia, doutora Sofia. — a voz de Alana veio controlada, profissional demais para aquele horário.
Sofia sentou-se na cama no mesmo instante.
— O que aconteceu?
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
— Está começando a circular uma matéria. Nada conclusivo, mas… seu nome já começou a ser citado de forma indireta.
O coração de Sofia bateu mais forte.
— Que matéria? Onde?
— No site da Karol Trancoso.
Sofia fechou os olhos por um segundo.
Karol Trancoso não era jornalista investigativa.
Era algo pior.
Uma colunista especializada em plantar dúvidas.
— Me manda o link. — pediu, já estendendo a mão para o tablet.
— Já enviei. — Alana respondeu. — Não há acusações diretas. Ainda. Mas o tom é perigoso.
— Entendi. — Sofia respirou fundo. — Obrigada, Alana. Me avise se surgir algo novo.
A ligação caiu.
Sofia abriu o tablet.
A página carregou rápido demais.
A manchete não dizia muito — e, ao mesmo tempo, dizia tudo:
“Advogada ligada a investigação sofre atentado em circunstâncias controversas”
Ela deslizou a tela.
O texto era sinuoso. Cuidadosamente construído para não afirmar nada… e sugerir tudo.
Até que chegou à coluna destacada.
Sem assinatura direta.
Mas com a marca registrada de Karol Trancoso.
“Chegou ao meu conhecimento que uma advogada — nome conhecido no meio jurídico e associada a um escritório de grande porte — anda envolvida em movimentações delicadas demais para alguém que deveria atuar apenas de um lado da mesa.”
Sofia sentiu o estômago retesar.
Continuou lendo.
“Fontes sugerem que essa profissional jogava dos dois lados do tabuleiro. E, ao que tudo indica, um dos lados não gostou de descobrir.”
Ela apertou o tablet com mais força.
“O atentado recente levanta questionamentos incômodos: foi aviso? Queima de arquivo? Ou apenas um ajuste de contas?”
A linha seguinte veio como uma lâmina fina.
“Ainda estou verificando nomes, provas e conexões. Medo de processo não é medo de verdade — é só prudência jurídica.”
Sofia largou o tablet na cama.
Aquilo não era uma acusação.
Era pior.
Era uma preparação.
Ela passou a mão pelo rosto, respirando fundo.
A narrativa tinha começado.
E alguém estava testando o terreno antes de apertar o gatilho de vez.
A partir daquele momento, Sofia não era apenas uma advogada incômoda.
Ela tinha virado uma dúvida pública.
E, quando a reputação entra no jogo…
Ela assentiu.
— A parte ruim… — ele continuou — é que o tempo está acabando. Precisamos de respostas. E rápido.
Sofia respirou fundo.
— Eu sei.
Dante fechou o notebook devagar.
— Eu lido com a Karol Trancoso há anos. — disse. — E entenda uma coisa: enquanto você está aqui, tentando se defender com fatos, ela está atrás de manchetes. Do espetáculo.
Ele se inclinou levemente para frente.
— Para ela, não importa se é verdade ou mentira. Importa ter uma história. E algo que sustente a narrativa.
Sofia sustentou o olhar.
— O que o senhor indica que eu faça?
Dante não hesitou.
— Coloque um detetive atrás dela. — respondeu. — Mas não qualquer um.
— Quero alguém que a siga… — fez uma pausa — e que siga a verdade junto.
Dante a observou por alguns segundos.
— Se estão fazendo isso com você. — disse — é porque está no caminho certo.
Sofia assentiu, firme.
— Exatamente. — respondeu. — E é por isso que não posso parar agora.
Sofia se levantou.
— E eu não vou. — disse. — Custe o que custar.
Ela saiu da sala determinada.
Agora não era mais só sobre reputação.
Era sobre sobreviver ao jogo.
E virar a mesa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...