Na delegacia, o laudo pericial do carro de Sofia chegou ao amanhecer.
Thomas leu em silêncio.
Uma vez.
Depois outra.
Cápsulas recolhidas. Ângulo dos disparos. Altura dos atiradores. Distância. Precisão.
Ataque coordenado.
Profissional.
Mas não perfeito
Mas algo não fechava.
As imagens das câmeras de segurança completaram o quebra-cabeça.
Filmagem captadas horas antes do atentado.
Dois homens.
Uma moto.
Mesma placa.
haviam sido registradas paradas em frente a um café na zona central. Capacetes apoiados na mesa. Conversa curta. Saída rápida.
Com pressa.
Mas sem cautela.
Thomas ampliou a imagem.
— Talvez nem tão profissionais assim… — completou, em voz baixa.
Os nomes surgiram rápido no sistema.
Os rostos foram identificados rapidamente.
Fichas longas.
Assaltos armados.
Tráfico.
Extorsão.
Nenhum deles era desconhecido da polícia.
— Vocês erraram — pensou.
Sem perder tempo, Thomas solicitou o mandado de prisão.
E foi direto à sala do delegado.
Entrou sem bater.
— Senhor. — disse, firme. — Vou prender os dois suspeitos do atentado contra a doutora Sofia.
O delegado Morão levantou o olhar, atento.
— O que você tem?
— Momentos antes do ataque, eles foram filmados em um café. — Thomas colocou as fotos sobre a mesa. — As motos são as mesmas. As cápsulas batem com o calibre. As fichas criminais falam por si.
O delegado analisou as imagens por alguns segundos.
— Você vai com quais agentes?
— Equipe reduzida. — Thomas respondeu sem hesitar. — Alex, Nilson, Bruno e Igor.
Fez uma pausa curta.
— Equipe limpa, senhor.
O delegado apoiou as mãos na mesa.
— E como você sabe disso, investigador Alves?
Thomas sustentou o olhar.
— Eu investiguei.
O ar ficou denso entre eles.
— Sem a minha permissão? — Morão perguntou, a voz controlada. — Preciso lembrar que a delegacia ainda é minha, investigador Alves?
Thomas respirou fundo.
— Não precisa, senhor. — respondeu, respeitoso. — Com todo respeito. Mas é a vida da mulher que eu amo que está em jogo. O senhor também foi investigado.
O delegado não respondeu de imediato.
Apenas o observou.
— Eu sabia. Depois de mais de trinta anos na área… — disse, por fim. — A gente aprende a enxergar o que ninguém vê, Thomas. Só não sabia quem era.
Thomas assentiu.
— Peço desculpas. Mas precisava agir.
O delegado virou-se levemente na cadeira.
— E a Bruna? — perguntou, casual demais. — Está limpa?
Thomas hesitou.
— Não sei. — respondeu com cuidado. — A rotina dela… não é constante. Como se…
Parou.
Não precisava completar.
Morão entendeu.
Era perigoso demais acusar uma policial sem prova concreta.
— Entendido. — disse o delegado. — Me avisa quando tiver respostas.
Fez uma pausa.
— Isso é uma ordem, agente. Agora vá fazer as prisões.
Thomas assentiu.
Saiu da sala rápido.
Mas não apressado.
Discreto.
Controlado.
Ele já tinha um plano.
E, se estivesse certo…
Aquelas prisões não seriam o fim de nada.
Seriam apenas o começo.
Da verdade.
Thomas chegou à delegacia pouco depois das nove.
O movimento ainda era contido, mas a tensão já circulava pelos corredores. Dois agentes conduziam os suspeitos algemados, passos firmes, olhares baixos — experientes demais para parecerem amadores, descuidados demais para serem invisíveis.
Thomas caminhava alguns passos atrás.
Observando.
Sem pressa.
— Leva os dois para a sala de interrogação — ordenou. — E chama a Bruna. Agora.
O agente assentiu e seguiu.
Thomas parou diante do vidro espelhado da sala de interrogatório. Os dois homens foram colocados frente a frente com a mesa metálica. Um deles tinha o maxilar travado. O outro observava tudo com atenção excessiva.
Instinto de sobrevivência.
Ou de reconhecimento.
A porta do corredor se abriu.
Bruna surgiu.
O barulho da bota ecoou uma única vez antes de parar.
Ela caminhava confiante — até ver o reflexo no vidro.
O choque foi mínimo.
Mas existiu.
Um microssegundo a mais de respiração presa.
Os ombros enrijeceram.
Os olhos demoraram a piscar.
Thomas viu.
Ela não desviou o olhar dos homens.
Bruna recompôs o rosto rápido demais.
— Você me chamou? — perguntou, sem olhar para Thomas.
— Sim. — ele respondeu, neutro. — Vamos interrogar juntos.
Ela assentiu.
— Claro.
Mas a mão direita dela tremia levemente quando empurrou a porta.
Bruna respirou fundo.
— Quem mandou vocês? — Thomas perguntou, firme.
— Se eu disser… — o homem sorriu — vocês não vão acreditar.
Thomas se inclinou para frente.
— Tenta.
O homem abriu a boca.
Bruna falou antes:
— Acabou. — disse, controlando o tom. — Eles não vão colaborar.
Thomas sustentou o olhar nela por um segundo longo demais.
— Vamos dar um tempo. — decidiu. — Levem eles de volta.
Os agentes entraram.
Quando os suspeitos foram retirados, um deles olhou para Bruna uma última vez.
— Cuidado… — disse, baixo. — Nem todo favor é esquecido.
A porta se fechou.
O silêncio ficou.
Thomas se levantou devagar.
— Você está bem? — perguntou, neutro.
Bruna forçou um sorriso.
— Claro. Só criminosos tentando me provocar.
Thomas assentiu.
Mas, por dentro, algo tinha mudado.
Ela não estava apenas nervosa.
Ela estava envolvida.
E, naquele momento, Thomas soube:
Aquele interrogatório não tinha dado respostas.
Mas tinha dado algo muito mais perigoso.
Direção.
Quando a noite caiu, a delegacia já estava mais vazia.
Luzes frias. Corredores silenciosos. O tipo de calma que nunca significava paz.
Thomas estava sozinho na sala quando o envelope chegou.
Pardo. Grosso demais para ser apenas rotina.
Ele fechou a porta antes de abrir.
Leu em silêncio.
Uma vez.
Depois outra.
Na terceira, não havia mais dúvida.
As peças se encaixavam com precisão cruel.
Aquilo não era achismo.
Não era intuição.
Não era medo.
Era certeza.
Thomas fechou o dossiê devagar e apoiou os cotovelos na mesa, respirando fundo.
A verdade que ele procurava estava ali.
Inteira.
Perigosa.
E com um nome que mudava tudo.
Agora ele sabia.
E a única pergunta que restava não era o quê fazer.
Era quando contar para Sofia —
sem repetir o erro que quase a tinha perdido uma vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...