O prédio estava silencioso quando Thomas ajudou Sofia a sair do carro.
Ela se apoiava nele sem perceber, os passos lentos, o corpo pesado pelo cansaço e pelo álcool. No elevador, encostou a testa no espelho e fechou os olhos.
— Qual é a senha? — ele perguntou baixo, já diante da porta.
Sofia abriu um olho só.
— Você sabe… — murmurou, sonolenta. — Sempre soube.
Thomas digitou a senha.
A porta se abriu.
A data do pedido de namoro.
O ar pareceu faltar por um segundo.
Porque Sofia tinha seguido em frente em tantas coisas…
menos em apagar o dia em que confiou o coração a ele.
E Thomas entendeu — tarde demais — que nunca foi o esquecimento que os separou.
Foi exclusivamente culpa dele.
O apartamento estava em penumbra, do jeito que ela gostava. Ele a conduziu até o quarto, com cuidado para não tropeçar nos próprios passos.
— Vamos deitar… — disse suave.
Ela concordou com a cabeça, mas no caminho até a cama, levou a mão à boca.
— Espera…
Não deu tempo.
Ela correu para o banheiro, mal conseguindo manter o equilíbrio.
Ajoelhou diante do vaso, o corpo reagindo antes que a mente acompanhasse.
Thomas foi atrás sem pensar duas vezes.
Segurou os cabelos dela com firmeza cuidadosa e se ajoelhou ao lado, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo para estar.
Quando passou, ele não disse nada.
Apenas limpou o rosto dela com a toalha, ajudou-a a enxaguar a boca, passou água fria em sua nuca.
Falava baixo, calmo, como se ela fosse algo frágil demais para o mundo naquele instante —
e, talvez, fosse mesmo.
— Tá tudo bem… respira.
Ela encostou a testa no ombro dele.
— Eu não sinto saudade de você… — murmurou, confusa, a voz arrastada. — Nem um pouco.
Thomas fechou os olhos por um segundo.
Não respondeu.
Levou-a para o chuveiro, ajustou a água morna, ajudou a tirar a roupa sem olhar mais do que o necessário. O cuidado era automático. Respeitoso. Dolorido.
Ela falava coisas desconexas enquanto ele lavava seus cabelos.
— Você foi embora… — disse em outro momento. — E agora fica aparecendo… isso é injusto.
— Eu sei. — respondeu apenas.
Depois, a envolveu numa toalha, levou-a de volta ao quarto e colocou nela uma camisola limpa. Ajudou-a a deitar com delicadeza, como se cada gesto fosse uma promessa silenciosa de que ela estava segura.
Sofia abriu os olhos quando sentiu o colchão.
— Thomas… — chamou, a voz mais clara por um segundo.
Ele se inclinou.
— Oi.
Ela hesitou.
— Pode… — engoliu seco. — Pode me dar um beijo?
O pedido era simples.
Mas carregava tudo.
Thomas sustentou o olhar dela por alguns segundos. Então se aproximou e beijou sua bochecha, leve, contido, exatamente onde o limite ainda era seguro para os dois.
Sofia sorriu pequeno.
Virou de lado.
Dormiu.
Thomas ficou ali mais um instante. Colocou uma garrafa de água e os remédios na mesinha ao lado da cama. Ajustou o cobertor sobre os ombros dela.
Observou.
Respirou fundo.
Depois saiu do quarto, pegou o casaco e fechou a porta do apartamento com cuidado.
Sem fazer barulho.
Sem levar nada, tinha coisa que nunca conseguiu levar.
___
Sofia acordou com a cabeça latejando.
A luz entrando pela fresta da cortina parecia agressiva demais para um sábado de manhã. Ela virou o rosto, gemeu baixo e levou a mão à testa.
Ressaca.
Daquelas que não eram só físicas.
Quando tentou se sentar, algo chamou sua atenção.
Uma garrafa de água ao lado da cama.
Remédios.
Organizados.
Ela franziu o cenho.
— Eu não fiz isso… — murmurou.
O corpo estava coberto por uma camisola clara, confortável demais para ter sido escolhida no impulso da madrugada. Sofia olhou para si mesma, confusa.
Memória nenhuma do fim da noite.
Nenhuma.
O peito apertou.
— O que eu fiz…? — murmurou para o vazio do quarto.
O celular vibrou novamente.
Ela pegou com receio.
> Thomas investigador <
A mensagem estava ali.
Simples.
Direta.
Impossível de ignorar.
> “Quando eu voltar da pescaria com os rapazes, queria conversar com você.”
> “Eu escolho você. Agora e sempre, Sofia.”
O coração dela falhou uma batida.
Depois outra.
Sofia leu de novo.
E de novo.
Não havia ironia.
Não havia joguinho.
Não havia desculpa.
Era escolha.
Ela apoiou o celular no peito, fechou os olhos por um instante e deixou o ar sair devagar.
Amava Thomas.
Sempre amou.
Mas amar nunca foi o problema.
O problema era o medo.
De confiar.
De baixar a guarda.
De acreditar que, dessa vez, ele ficaria.
Sofia abriu os olhos, olhando ao redor do quarto silencioso.
A água.
Os remédios.
O cuidado invisível.
Talvez… ele já estivesse ficando.
E talvez o que mais assustasse…
era o fato de ela querer deixar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...