A noite era silenciosa sobre a cidade.
Não havia pressa entre eles.
Nem fuga.
Nem palavras jogadas para preencher o espaço.
Sofia estava sentada no sofá, as mãos entrelaçadas, o olhar perdido em algum ponto invisível da sala. Thomas tinha se levantando, estava poucos passos dela, como se ainda estivesse aprendendo onde podia estar — e até onde podia ir.
— Sobre a gente. — ele disse, enfim. A voz baixa. Verdadeira. — Eu senti sua falta, todos os dias.
Sofia fechou os olhos por um instante.
— Eu também. — confessou. — Mas sentir falta não foi o que mais doeu.
Ela ergueu o olhar para ele.
— Doeu confiar… e te ver me afastando usando o meu cuidado como desculpa.
Thomas respirou fundo. Não se defendeu.
— Eu fugi. — admitiu. — Usei proteção como justificativa para não lidar com o medo. Medo de perder você. Não conseguia aceitar te colocar em perigo.
O silêncio que se seguiu não foi confortável.
Mas foi honesto.
— Eu te amo, Thomas. — Sofia disse, sem rodeios. — Mas sempre vou ter medo de uma hora para outra você querer terminar. Hoje eu sou uma advogada criminalista. Tenho uma reputação. Tenho inimigos. Isso é parte da minha vida. Você conseguiria lidar com isso?
Thomas se aproximou devagar.
— Eu não sei se conseguiria antes. — respondeu. — Mas sei que não tentar seria continuar errando.
Ele se ajoelhou diante dela, as mãos envolvendo as dela com cuidado.
— Eu não quero prometer o que não posso garantir. — disse. — Só quero ficar. Mesmo com medo. Mesmo sem controle.
Sofia sentiu o nó no peito afrouxar.
Não era uma promessa.
Era escolha.
Ela tocou o rosto dele com a ponta dos dedos. Um gesto simples. Carregado de tudo o que ainda não tinham coragem de dizer.
O beijo veio sem pressa.
Não foi urgente.
Foi reconhecido.
Lábios que já se conheciam, mas agora se encontravam sem defesa. As mãos de Thomas deslizaram pelo braço dela, pelas costas, como quem memoriza um corpo que nunca deixou de ser seu. Sofia correspondeu, puxando-o para mais perto, sentindo o calor, o cheiro, a presença inteira.
Não havia pressa.
Só necessidade.
Quando chegaram ao quarto, não houve palavras.
A luz baixa, os corpos se encontrando com cuidado e fome contida. As mãos de Thomas percorreram Sofia com devoção — como se cada curva fosse um pedido de desculpas silencioso. Os beijos desceram lentos, demorados, intensos, como se o tempo tivesse finalmente cedido.
O toque dele não era urgente.
Era atento.
Como quem reaprende um território conhecido, respeitando cada limite, cada respiração mais curta, cada arrepio involuntário. Sofia sentiu o corpo responder antes da mente — o calor se espalhando, o coração acelerando num ritmo que não era pressa, era entrega.
Ela puxou Thomas para mais perto, os dedos se fechando no tecido da camisa dele, sentindo a firmeza, a presença real. Não havia palavras, mas havia comunicação em cada gesto: no jeito como ele se inclinava, no cuidado ao segurá-la, na forma como a boca dele demorava um segundo a mais, como se quisesse ter certeza de que ela estava ali — inteira.
Quando os corpos se alinharam, o mundo pareceu se reduzir àquele espaço.
Ao som da respiração misturada.
Ao calor compartilhado.
À sensação de pertencimento que não precisava ser dita.
Thomas apoiou a testa na dela por um instante, os olhos fechados, como se aquele momento fosse sagrado demais para ser apressado. As mãos dele deslizaram com firmeza e ternura, guiando, acolhendo, sustentando.
Sofia respondeu sem hesitação.
O toque dela nas costas dele era um convite silencioso, carregado de desejo e confiança — algo que tinha sido quebrado no passado, mas que agora se reconstruía ali, camada por camada.
Não foi uma noite impulsiva.
Foi intensa.
Profunda.
Um encontro de dois corpos que carregavam história, saudade e escolhas difíceis.
Quando finalmente se deixaram cair juntos, o mundo lá fora deixou de existir. Não havia mais investigações, medos ou defesas — apenas o agora, vivido com a consciência de quem sabe exatamente o que está sentindo.
E, naquela entrega contida e avassaladora ao mesmo tempo, Sofia percebeu:
Não era só desejo.
Era reconexão.
Era o corpo lembrando aquilo que o coração nunca esqueceu.
Só existiam uma certeza, os dois aquela noite, estavam ali. Inteiros. Presentes.
Sofia repousou a cabeça no peito dele. O coração de Thomas batia forte — não acelerado, mas firme.
Vivo.
Eles ficaram assim por longos minutos.
Sem precisar dizer nada.
Porque algumas reconciliações não acontecem em palavras.
Acontecem no silêncio compartilhado.
E, naquela noite, eles não resolveram o futuro.
Mas deixaram o passado, finalmente, respirar.
___
A manhã chegou sem pressa.
Sofia acordou primeiro.
O corpo ainda quente sob os lençóis, a lembrança da noite anterior pulsando de um jeito desconfortável — não pelo arrependimento, mas pelo impacto. Ela ficou alguns segundos olhando para o teto, respirando fundo, como se precisasse se convencer de que aquilo tinha sido real.
" Não era para ter acontecido."
O pensamento veio claro, direto, quase duro demais para aquele estado de semiconsciência.
Ela se levantou devagar, cuidando para não acordá-lo. Caminhou até o banheiro, fez a higiene matinal em silêncio, encarando o próprio reflexo no espelho por mais tempo do que o necessário.
Os olhos estavam cansados.
Mas havia algo diferente ali.
Algo que ela não sabia nomear.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...