Naquele momento, a cidade não falava de outra coisa.
Em frente à delegacia, viaturas de imprensa se acumulavam. Câmeras ligadas. Microfones erguidos. Jornalistas disputando espaço, tentando arrancar qualquer informação sobre a operação, sobre Nicole… e, principalmente, sobre Sofia.
O clima era pesado.
Tenso.
Quando Thomas caminhava de volta para a sala de monitoramento, sentiu a presença antes mesmo de ouvir a voz.
Alberto Valente vinha em sua direção, passos duros, o rosto tomado por uma fúria que misturava medo e impotência.
— Você de novo. — Alberto disparou, sem sequer cumprimentá-lo. — É sempre a sua culpa. Sempre. Fica longe da Sofia! Olha o que acontece toda vez que você se aproxima dela!
Thomas parou.
Não recuou.
Não respondeu de imediato.
Nathália, que vinha logo atrás, foi a primeira a se colocar à frente.
— Senhor Alberto, com todo respeito — disse, firme — A profissão da Sofia é perigosa. Sempre foi. Não existe um culpado aqui.
Laís completou, sem elevar a voz, mas com convicção:
— E tenho certeza de que o Thomas está fazendo tudo o que é possível para encontrar a Sofia sã e salva.
O silêncio se instalou por um segundo.
Thomas respirou fundo.
Não abaixou a cabeça.
Não se defendeu por impulso.
Ali não havia culpa — havia realidade.
Ele deu um passo à frente, encarando Alberto nos olhos, sem desafio, mas sem submissão.
— A Sofia não é uma vítima das minhas escolhas. — disse, com firmeza controlada. — Ela é uma mulher consciente, brilhante, que escolheu a própria profissão sabendo dos riscos.
Fez uma pausa curta.
— Assim como eu escolhi a minha.
Os olhos de Alberto vacilaram por um instante.
Thomas continuou:
— Eu não vou fugir agora. Não vou me afastar para aliviar a dor de ninguém. — a voz dele não tremeu. — Vou encontrá-la. Vou trazê-la de volta. E vou fazer isso porque é meu dever como investigador… e porque é minha escolha como homem. Eu amo a Sofia e só ela pode dizer se ofereço perigo a ela.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Mas diferente.
Não havia mais acusação ali.
Só medo.
E, pela primeira vez, Alberto não encontrou palavras para responder.
Thomas virou-se.
O foco dele estava claro.
A operação estava em andamento.
E Sofia precisava dele inteiro — não culpado.
___
A movimentação começou sem sirenes.
Sem alarde.
Como um animal se aproximando da presa.
Carros surgiram de pontos diferentes da estrada de terra estreita — um após o outro, coordenados, precisos. Lanternas apagadas. Faróis baixos. Pneus esmagando o cascalho com sons secos.
Viaturas descaracterizadas. SUVs táticos. Caminhonetes pretas.
Eles se espalharam rápido.
Dois veículos fecharam a única estrada de acesso.
Outros avançaram pelo mato alto, contornando a construção mal acabada, antiga, isolada demais para pedir socorro.
Homens desceram em silêncio.
Armas posicionadas.
Lanternas presas aos coletes.
Comunicação curta no rádio.
Thomas saiu do carro por último.
O rosto duro.
O corpo alinhado.
Nenhum traço de hesitação.
— Perímetro fechado. — informou um agente.
— Traseira limpa. — outro confirmou.
— Sem saída pelos fundos. — veio a última confirmação.
Thomas assentiu uma única vez.
— Ninguém entra sem meu comando. — disse, firme. — Ela sai andando.
Ele pegou o alto-falante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...