Os policiais avançaram pelo perímetro traseiro da casa em formação.
Passos silenciosos.
Armas erguidas.
Um dos agentes fez sinal com a mão.
Outro assentiu.
O primeiro disparo veio pela janela dos fundos.
Vidro estilhaçado.
O capanga mal teve tempo de reagir antes de cair para trás, atingido no ombro.
O grito ecoou dentro da casa.
— CONTATO! — alguém gritou do lado de fora.
O caos explodiu.
Ao ouvir os tiros, Nicole reagiu por instinto.
Arrancou a arma da mão do capanga ao lado dela.
Puxou Sofia com violência, encaixando o braço em torno do pescoço dela, num mata-leão firme demais para ser só ameaça.
— Anda. — sibilou no ouvido de Sofia. — Se você fizer gracinha, eu atiro.
Sofia tentou respirar.
O ar vinha curto.
O coração disparado.
Outro capanga se aproximou, nervoso.
— CORTA. — Nicole ordenou. — Agora.
A lâmina passou rápido pelas amarras dos pés de Sofia.
O equilíbrio voltou apenas o suficiente para andar.
— Você. — Nicole apontou para o segundo capanga. — Pega outra arma. Vai pela retaguarda. Faz barreira no fundo.
O homem hesitou.
— Eles não têm sniper ali. — Nicole completou, segura.
Ela começou a se mover.
Arrastando Sofia.
Passo a passo.
A porta da frente foi aberta com força.
A luz externa invadiu o ambiente escuro.
— PARA! — Thomas gritou assim que as viu.
Nicole saiu primeiro.
Sofia à frente.
As mãos ainda presas.
A arma pressionada contra a cabeça dela.
O cano frio.
O corpo de Sofia tremia — não de medo, mas de esforço para se manter consciente.
Atrás delas, o capanga saiu andando de costas, arma em punho, cobrindo a retaguarda.
— NINGUÉM ATIRA! — Thomas ordenou, erguendo a mão. — ABAIXEM AS ARMAS!
Nicole parou a poucos metros.
O sorriso dela era tenso.
Mas triunfante.
— Então… — disse, olhando diretamente para Thomas. — Agora podemos negociar?
O silêncio caiu pesado.
Thomas deu um passo à frente.
— Solta ela, Nicole.
— Não. — respondeu, firme. — Ela é minha saída.
A arma pressionou mais forte.
Sofia engoliu em seco.
— Um movimento errado… — Nicole continuou — e eu não erro.
Thomas sentiu o peito apertar.
Mas manteve a voz estável.
— Você já perdeu. — disse. — Não tem para onde correr.
Nicole inclinou a cabeça, avaliando.
— Sempre tem. — respondeu. — A diferença é quem paga o preço.
Ela puxou Sofia um pouco mais para trás.
O capanga se mexeu.
Foi quando tudo aconteceu rápido demais.
O disparo quebrou o ar.
Ninguém soube de onde veio.
Seco.
Preciso.
O corpo de Nicole reagiu antes que a mente entendesse.
O tiro a atingiu no flanco.
Ela soltou Sofia num reflexo involuntário, o braço afrouxando de repente.
— SOFIA! — Thomas gritou.
O corpo de Sofia reagiu antes da mente entender.
A dor veio depois.
Sofia caiu de lado, ofegante, sentindo o chão quente contra o rosto enquanto o ar faltava.”
O impacto.
O calor.
A pressão absurda no peito.
O mundo perdeu foco.
— Merda… — Nicole murmurou.
E, naquele instante, ela percebeu:
O jogo tinha mudado.
Não havia mais vantagem.
Não havia mais controle.
Não havia mais saída limpa.
Nicole cambaleou um passo para trás, apoiando-se na parede da casa mal construída. O sangue escorria quente, manchando o casaco caro que ela insistira em vestir até o fim.
Tudo aconteceu em frações de segundos.
Ela olhou para Sofia no chão.
Com ódio puro.
— Eu fiz uma promessa pra você… — disse, a voz falhando, mas ainda cruel. — Lembra?
Sofia tentou se mover.
O corpo respondeu com dor.
Nicole reuniu o resto de força que tinha.
Não pensou.
Não calculou.
Só decidiu.
Ergueu a arma.
— Eu e você no inferno. — sussurrou.
O disparo ecoou.
Antes que o segundo tiro pudesse acontecer, um policial avançou.
Chutou a arma da mão de Nicole com força.
O metal deslizou pelo chão.
Mas o estrago já estava feito.
Nicole caiu de joelhos.
Depois de lado.
Os olhos abertos.
O olhar vazio.
A respiração falhou uma última vez.
O silêncio voltou — pesado, absoluto.
— MÉDICO! — Thomas gritou, correndo até Sofia.
Ele caiu ao lado dela, as mãos firmes, mas o rosto em desespero contido.
Thomas apontou para a porta.
— Em cirurgia.
Alberto fechou os olhos.
Não acusou.
Não gritou.
Apenas se sentou, como se as pernas tivessem falhado.
Pouco depois, mais gente chegou.
Laís foi a primeira a se aproximar de Thomas. Tocou o braço dele com cuidado.
— Ela é forte. — disse, firme. — Muito mais do que imagina.
Emma assentiu, os olhos marejados.
— Sofia não desiste. Nunca desistiu.
Alana veio logo atrás, nervosa, as mãos entrelaçadas.
— A doutora Sofia vai sair dessa. — falou, como se precisasse dizer em voz alta para acreditar. — Ela sempre resolve tudo.
Thomas ouviu.
Mas não respondeu.
O tempo parecia elástico.
Heitor, Ricardo e Thiago chegaram juntos.
Thiago foi direto até Thomas.
Colocou a mão em seu ombro.
— Ei. — disse baixo. — Ela é forte, irmão. Vai ficar bem.
Thomas engoliu seco.
— Eu devia ter impedido. — murmurou. — Devia ter sido mais rápido. Mais cauteloso. Eu…
— Não. — Thiago cortou, firme. — Você estava lá. Você chegou. Isso importa.
Ricardo assentiu em silêncio.
Heitor cruzou os braços, o olhar fixo na porta fechada.
— Agora é com ela. — disse. — E com os médicos.
O relógio na parede marcava o tempo com uma crueldade absurda.
Cada segundo parecia um teste.
Foi então que Nathália chegou, apressada, o celular ainda na mão.
— Gente… — disse, respirando fundo. — A Eloise acabou de entrar em trabalho de parto.
O choque foi imediato.
Vida e morte no mesmo corredor.
Thomas fechou os olhos por um instante.
Aquilo era irônico demais.
Cruel demais.
O mundo seguia.
Mesmo quando parecia injusto.
Ele abriu os olhos de novo.
Olhou para a porta da sala cirúrgica.
E fez algo que não fazia há muito tempo.
Pediu.
Em silêncio.
Sem barganha.
Sem promessa.
Só pediu que ela voltasse.
Porque havia coisas que ele ainda precisava dizer.
E porque, dessa vez…
ele não estava disposto a viver num mundo onde Sofia não estivesse.
A luz vermelha sobre a porta continuava acesa.
E ninguém, ali, ousava respirar fundo demais.
Porque, naquele momento, tudo dependia de uma sala branca —
e de uma mulher que sempre lutou, até quando o mundo parecia grande demais para ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...