O médico saiu da sala cirúrgica com passos contidos.
O corredor silenciou.
Thomas se levantou no mesmo instante, o corpo tenso como se tivesse ficado em alerta por horas — porque ficou.
— Doutor… — a voz saiu firme demais para quem estava por dentro desmoronando.
O médico tirou a máscara devagar.
— A cirurgia foi um sucesso. — começou.
O ar voltou aos pulmões de todos por um segundo.
Mas o médico não sorriu.
— O projétil foi retirado. Não houve danos irreversíveis nos órgãos vitais. — fez uma pausa medida. — Mas ela perdeu muito sangue. O corpo entrou em exaustão.
Thomas sentiu o chão oscilar.
— Ela está em coma induzido. — concluiu. — Vamos mantê-la em observação nas próximas horas. As próximas vinte e quatro horas são decisivas.
— Posso vê-la? — Thomas perguntou de imediato.
O médico balançou a cabeça, com respeito.
— Ainda não. Ela precisa ficar estabilizada. Assim que for seguro, avisaremos.
Thomas assentiu.
Não discutiu.
Não implorou.
Mas as mãos fecharam com força ao lado do corpo.
— Obrigado, doutor.
O médico se afastou.
O corredor voltou a ficar quieto — pesado, mas diferente.
Ela estava viva.
E isso mudava tudo.
Alguns minutos depois, Nathália voltou apressada pelo corredor, o rosto misturando emoção e urgência.
— A Eloise já ganhou os bebês. — falou com um sorriso trêmulo.
Thomas piscou.
— Ela está bem?
— Sim. — confirmou. — Foi rápido.
— Dois meninos… — disse. — E uma menina.
Emma completou, rindo e chorando ao mesmo tempo:
— Três bebês perfeitos.
As meninas trocaram olhares.
— Vamos subir um pouco. — Laís disse, tocando o braço dele com cuidado. — A gente volta logo.
Thomas apenas assentiu.
Não tinha energia para subir.
Nem para se afastar dali.
O tempo passou estranho no corredor.
Ninguém sabia ao certo quanto.
Até que Alberto, o pai de Sofia, se levantou devagar, visivelmente exausto. O rosto carregava mais medo do que raiva agora.
— Vamos comer alguma coisa. — disse, olhando para a esposa. — Ninguém ajuda se desmaiar aqui.
Ele então se voltou para Thomas.
— Você fica. — falou, sem dureza. — A gente volta já.
Antes que Thomas respondesse, o irmão de Sofia se aproximou.
— Vou com eles. — disse. — Qualquer novidade… me chama.
Thomas apenas assentiu.
Viu os três se afastarem pelo corredor.
O silêncio voltou a se acomodar ao redor dele.
Dessa vez, de verdade.
Sozinho.
Com os pensamentos.
Com o medo que não tinha mais para onde correr.
Alguns minutos depois, passos firmes ecoaram no corredor.
Augusto apareceu.
Terno escuro, expressão séria — mas os olhos atentos.
Ele não disse nada de imediato.
Apenas se aproximou e puxou Thomas para um abraço firme, daqueles que sustentam mais do que palavras.
— E aí, irmão… — disse baixo. — Como você está?
Thomas respirou fundo.
— Vivo. — respondeu. — Mas preso aqui.
— E faz bem. — Augusto disse, soltando-o devagar. — Tem momentos em que ficar é a maior prova de coragem.
Eles sentaram lado a lado.
— Quando a Eloise quase morreu… — Augusto começou, sem dramatizar — eu aprendi uma coisa importante.
Thomas virou o rosto, atento.
— A gente passa a vida achando que precisa resolver tudo. Controlar tudo. Proteger todo mundo. — fez uma pausa curta. — Mas família… amor… não é sobre controle. É sobre presença.
Thomas engoliu seco.
— Você não precisa estar na delegacia agora. — Augusto continuou. — O mundo não acaba se você ficar aqui. Mas, pra ela… você estar aqui muda tudo. Mesmo dormindo.
Thomas abaixou a cabeça.
— Eu sempre achei que amar era saber a hora de ir embora pra não machucar. — confessou.
Augusto sorriu de leve.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...