Antonieta foi a primeira a vê-lo.
— Filho… — chamou, assim que entrou na sala de espera.
Thomas levantou o olhar, surpreso.
Ela não esperou resposta. Apenas o abraçou.
Sem pressa.
Sem palavras ensaiadas.
Como não fazia há anos.
Juan se aproximou logo depois.
— Chegamos agora de viagem. — disse. — Viemos assim que soubemos.
Ele também o envolveu no abraço.
Firme. Contido. Necessário.
Thomas ficou imóvel por um segundo — depois permitiu.
Antonieta se afastou apenas o suficiente para encará-lo.
— Como ela está? — perguntou, a voz baixa, carregada de preocupação sincera.
— Em observação. — Thomas respondeu. — A cirurgia foi um sucesso. Agora… é esperar.
Antonieta assentiu, os olhos marejados.
— Então vamos esperar juntos.
Juan pousou a mão no ombro do filho.
— Você não está sozinho.
E, ali — sem discursos, sem pedidos de desculpa explícitos —
o que havia se quebrado ao longo dos anos começava a ser reescrito.
Não apagado.
Mas reconstruído.
O sol começava a nascer quando a madrugada finalmente cedeu.
A luz pálida atravessava as janelas altas do hospital, desenhando faixas douradas no chão frio do corredor. O mundo seguia. Normal. Indiferente. Como se nada tivesse acontecido.
Thomas continuava ali.
Sentado na mesma cadeira.
Na mesma posição.
Com o corpo cansado, os olhos ardendo, mas sem cogitar sair.
Depois de muita conversa — e insistência — os pais de Sofia aceitaram ir descansar no apartamento dela. Não era abandono. Era exaustão. Era amor tentando sobreviver ao medo.
— Qualquer coisa, liga. — Alberto disse, antes de ir.
Thomas apenas assentiu.
Ele não foi atrás.
Não prometeu nada.
Não precisava.
Ele queria que Sofia tivesse certeza de uma coisa quando abrisse os olhos:
Ele ficou.
Na delegacia, o trabalho seguiu.
Relatórios.
Depoimentos.
Encaminhamentos.
Prisões.
Todos sabiam que Thomas não estava lá.
E ninguém questionou.
Ninguém precisou.
Eles conheciam o investigador que ele era.
Mas também conheciam o homem que ele se tornava quando aquela mulher estava em risco.
Na sala de observação, Sofia permanecia imóvel.
Monitores marcavam ritmo.
Constante.
Controlado.
Mas, por dentro, ela lutava.
Sonhos fragmentados.
Ruídos.
A sensação de correr sem sair do lugar.
A pressão no peito.
A lembrança do cano frio da arma.
A voz de Nicole.
O impacto.
A queda.
E, no meio do caos, uma certeza teimosa:
Ela não podia morrer ali.
Não agora.
Não daquele jeito.
O corpo reagiu antes da mente.
Os dedos se moveram levemente.
O peito subiu com força demais.
O ar entrou como se tivesse sido roubado por tempo demais.
— Senhora Sofia… — uma enfermeira murmurou, se aproximando.
Os batimentos aceleraram.
Os olhos se abriram de repente.
Desorientados.
Assustados.
Ela puxou o ar com força, como se ainda estivesse fugindo.
— Calma… você está segura. — a voz tentou ancorá-la.
Mas Sofia não ouvia.
O olhar correu pelo teto branco.
Pelas luzes.
Pelo silêncio.
E, antes que qualquer pergunta pudesse se formar, antes que o medo tomasse conta de novo, um nome escapou de seus lábios — rouco, urgente, verdadeiro:
— Thomas…
Do lado de fora, no corredor, Thomas sentiu.
Não ouviu.
Sentiu.
O corpo reagiu antes da razão.
Ele se levantou num impulso, o coração disparado como se tivesse sido chamado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...