Sofia continuava se recuperando.
Um dia de cada vez.
O corpo ainda respondia com cansaço fácil, mas havia algo diferente nela — uma serenidade silenciosa, como se tivesse voltado não só do coma, mas de um limite invisível.
Flores passaram a ocupar cada canto do quarto.
Colegas de trabalho.
Amigos.
Cartões deixados sobre a mesa, com palavras simples e sinceras.
As visitas aconteciam em pequenos grupos, dois de cada vez, respeitando o espaço, o tempo e o ritmo dela. Risos contidos. Conversas baixas. Presença.
Thomas dormia quase sempre na poltrona ao lado da cama.
Não porque alguém pediu.
Mas porque ele simplesmente não foi embora.
Os pais de Sofia entraram juntos pela primeira vez no segundo dia.
A emoção tomou o peito antes mesmo das palavras.
A mãe foi a primeira a se aproximar, segurando a mão da filha com cuidado, como se ainda tivesse medo de machucá-la.
Alberto permaneceu um passo atrás.
O olhar sério.
Mas diferente.
Não havia acusação ali.
Só alívio contido.
Sofia sorriu fraco ao vê-los.
— Eu tô aqui… — murmurou.
Foi o suficiente.
Eloise, no terceiro andar do hospital, estava inquieta.
Era a única do grupo que ainda não tinha conseguido vê-la. A restrição da sala de observação a mantinha distante, e isso a incomodava mais do que queria admitir.
No terceiro dia, o médico chamou todos na sala de espera.
O clima era de expectativa.
— Estou vendo que a doutora Sofia é muito amada. — comentou, sorrindo. — Isso ajuda mais do que imaginam.
Fez uma pausa curta, antes de continuar:
— Ela está se recuperando muito bem. Apresentou ótimos sinais nas últimas horas. Hoje, vamos transferi-la para o quarto.
O alívio foi coletivo.
Um pequeno murmúrio de comemoração percorreu o grupo.
— Mas nada de bagunça. — o médico completou, em tom leve.
As meninas se entreolharam imediatamente.
— Jamais, doutor. — Nathália respondeu, séria demais para ser levada a sério.
— Somos extremamente comportadas. — Emma completou.
O médico riu.
Não demorou muito até a enfermeira aparecer.
— A paciente Sofia já está no quarto.
Antonieta foi a primeira a se manifestar, com um cuidado que poucos conheciam nela:
— Será que posso ir vê-la…?
A mãe de Sofia respondeu antes mesmo de pensar muito:
— Pode sim. — disse, já se levantando. — Vamos ali comer alguma coisa e voltamos depois.
Alberto apenas lançou um olhar sério para ela… e concordou com a cabeça. Não discutiu.
Thomas olhou o relógio.
— Daqui a cinco minutos, entramos. — avisou.
No quarto, Sofia observava a luz entrando pela janela quando Antonieta a tirou dos próprios pensamentos.
— Olá, Sofia. — disse, com suavidade. — Como você está?
— Melhorando. — respondeu, a voz ainda baixa, mas firme. — Um dia de cada vez.
Juan sorriu.
— Que bom. Você é muito forte. Muito corajosa.
— São… ofícios do nosso trabalho. — Sofia brincou.
— Diga por você. — Juan respondeu, rindo. — Nunca levei um tiro.
Antonieta arqueou a sobrancelha.
— Nem eu. Isso é coisa só para os bons.
Sofia riu, sentindo o peito aquecer.
Antonieta respirou fundo antes de continuar.
— O Thomas e as meninas estão ansiosos para entrar… mas pedimos para vir antes porque queríamos agradecer.
Sofia a olhou, atenta.
— Obrigada por cuidar do meu filho. — Antonieta disse, a voz embargando. — Por amar o Thomas quando ele estava quebrado… e por ter aberto os meus olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...