Assim que Eloise soube que Sofia já estava no quarto, não pensou duas vezes.
Com cuidado e delicadeza, pegou a bebê no colo, ajeitando-a contra o peito como se estivesse carregando algo sagrado.
— Vamos, amor… — disse a Augusto, com os olhos brilhando. — Ela precisa ver os nenéns. E eu… eu preciso ver ela.
Augusto caminhava ao lado, segurando um dos bebês com atenção absoluta. A babá vinha logo atrás, com o terceiro, protegendo-o do burburinho do hospital.
— Com calma, meu amor. — Augusto murmurou. — Um passo de cada vez.
Quando chegaram ao corredor, antes mesmo de ver o quarto, ouviram risadas.
Leves.
Vivas.
Eloise parou por um segundo.
Aquela simples constatação aqueceu seu peito.
Sofia estava rindo.
E isso mudava tudo.
A porta foi aberta devagar.
O quarto estava cheio de flores, balões discretos, vozes conhecidas. Laís, Emma, Nathália e Alana se espalhavam pelo espaço, tentando não fazer bagunça — falhando com graça.
Thomas estava perto da cama, atento a cada gesto de Sofia.
Foi ele quem percebeu primeiro.
— Elas chegaram… — disse baixo.
Sofia virou o rosto.
E seus olhos se encheram no mesmo instante.
— Eloise… — murmurou, incrédula.
Eloise entrou sorrindo, mas os olhos denunciavam o susto que ainda morava ali.
— Que susto você resolveu nos dar, doutora? — brincou, aproximando-se. — Quase mata a gente do coração.
Sofia soltou um riso fraco, emocionado.
— Olha quem fala… — respondeu. — Você teve os nenéns?! Meu Deus… — os olhos correram pelos braços deles. — Eles são lindos.
— Trouxemos pra apresentar você. — Eloise disse, orgulhosa.
Ela apontou primeiro para o bebê no colo de Augusto.
— Esse aqui foi o primeiro a nascer. — disse. — Carlos Henrique.
Emma se aproximou na mesma hora, inclinando-se com cuidado.
— O lindo da dinda, meu Deus do céu… — suspirou. — Já pode mandar fazer o RG.
Todos riram.
Eloise então indicou o bebê no colo da babá.
— Esse é o caçula. — explicou. — José Leonardo.
Laís se aproximou, sorrindo largo.
— A cara de quem vai dar trabalho. — comentou. — Já te amo, pequeno.
E então Eloise respirou fundo.
Olhou para Sofia.
Depois, para a bebê em seus braços.
Se aproximou mais da cama, com cuidado.
— E essa… — disse, a voz suavizando — é a nossa pequena Vitória Sofia.
O mundo pareceu parar.
— Afilhada de vocês. — completou.
Sofia levou a mão à boca.
Os olhos marejaram sem aviso.
— Ai, meu Deus… — sussurrou.
As lágrimas começaram a descer, silenciosas, profundas.
Thomas se aproximou de imediato, passando o braço pelos ombros dela com cuidado.
— Amor… calma. — disse baixo. — Respira.
Sofia riu entre lágrimas.
— Vitória Sofia… — murmurou, olhando para a bebê. — Ela venceu antes mesmo de nascer.
Eloise sorriu.
— Assim como você.
O quarto ficou em silêncio por um instante.
Não de tristeza.
Mas daquele silêncio cheio.
Cheio de vida.
Cheio de recomeços.
E, ali, entre flores, risos e pequenos corações batendo forte, Sofia soube:
Ela tinha sobrevivido.
O dia foi se despedindo devagar.
A luz alaranjada do pôr do sol atravessava a janela do quarto, alongando sombras pelas paredes claras do hospital. Aos poucos, os amigos começaram a sair — com abraços, promessas de voltar no dia seguinte e olhares demorados, como quem ainda precisava confirmar que Sofia estava ali mesmo.
Eloise foi uma das últimas.
Precisava voltar para o seu andar, para os bebês, para o novo caos bonito que a aguardava.
— Amanhã eu volto cedo. — disse, apertando a mão de Sofia com carinho. — E você não ouse sair desse quarto antes disso.
Sofia sorriu.
— Prometo.
Os pais de Thomas também já tinham ido. Antonieta deixou um beijo leve na testa de Sofia antes de sair, Juan apenas assentiu, respeitoso.
O quarto ficou mais silencioso.
Thomas se afastou alguns passos, atendendo uma ligação do delegado no corredor. A porta ficou entreaberta.
Foi ali que Sofia percebeu.
Era agora.
Ela respirou fundo e olhou para os pais, sentados lado a lado perto da janela. A mãe mantinha as mãos cruzadas no colo. Alberto encarava o pôr do sol como se evitasse encará-la.
— Pai… mãe… — Sofia chamou, com a voz calma. — Antes de irem… a gente precisa conversar.
Alberto virou o rosto devagar.
— Agora? — perguntou.
Olhou para a filha.
Deitada.
Machucada.
Mas inteira.
— Você sempre foi teimosa. — murmurou, quase sorrindo.
Sofia sorriu de volta.
— Aprendi com você.
Nesse momento, Thomas voltou, parando discretamente perto da porta. Não interferiu. Não interrompeu.
Alberto o viu.
E, pela primeira vez, não desviou o olhar.
— Eu não prometo facilidade. — disse, levantando-se. — Mas prometo uma coisa.
Ele respirou fundo, como quem escolhe uma batalha diferente.
Olhou de novo para Sofia.
— Eu não vou mais lutar contra você.
Não era um sim.
Mas era um passo.
Sofia fechou os olhos por um instante.
Quando abriu, havia alívio.
— Obrigada, pai.
A mãe se levantou e a abraçou com cuidado.
— A gente te ama. — sussurrou. — Mesmo quando dói.
Quando os pais saíram, o sol já tinha quase desaparecido.
O quarto ficou em meia-luz.
Thomas se aproximou devagar.
— Tudo bem? — perguntou.
Sofia olhou para ele.
Cansada.
Forte.
Verdadeira.
— Agora está. — respondeu. — Do jeito mais difícil… e mais honesto.
Thomas segurou a mão dela.
Sem prometer nada.
Sem fugir.
Apenas ficando.
Como ela precisava.
E a vida… tinha decidido ficar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...