Os dias passaram devagar.
Não daquele jeito ansioso de quem espera uma resposta —
mas no ritmo cuidadoso de quem se reconstrói.
Sofia melhorava um pouco a cada manhã.
Primeiro sentou sozinha.
Depois caminhou até a janela.
Depois voltou a sorrir sem sentir o peso no peito.
As amigas estavam sempre ali.
Nas conversas leves que não exigiam esforço.
Os pais apareciam quase todos os dias.
Os sogros também.
E Thomas…
Thomas não se afastava.
Ele ajeitava as almofadas antes mesmo que ela percebesse desconforto.
Dava comida quando o cansaço vinha antes da fome.
Ajustava o cobertor.
Observava em silêncio.
Todos os dias, às dezoito horas em ponto, ele chegava.
Sem avisar.
Sem falhar.
Era o horário dele.
A noite era deles.
Quando veio a alta, não houve comemoração barulhenta.
Houve alívio.
E uma decisão silenciosa:
ninguém ia deixar Sofia sozinha.
O apartamento se transformou aos poucos.
Gente entrando e saindo.
Sapatos perto da porta.
Risadas ecoando no corredor.
Thomas assumiu tudo sem pedir permissão.
Cozinhava.
Arrumava.
Organizava.
— Você não vai fazer nada. — dizia, sempre que ela tentava levantar.
— Nem pensar. — ela respondia, fingindo irritação.
Por vontade dele — e por prudência — Sofia ficou afastada do trabalho presencial por algumas semanas.
Mas voltou em home office.
Precisava da mente ocupada.
Da sensação de estar viva.
Quando o sábado chegou, o apartamento estava cheio.
Cheio de gente.
Cheio de barulho.
Cheio de vida.
Nathália, Emma, Laís, Alana, Eloise.
Augusto, Ricardo, Thiago, Heitor, Enzo.
Thomas saiu da cozinha trazendo as entradinhas e colocando tudo na mesa com naturalidade demais para quem nunca tinha sido “da casa”.
Heitor observou e riu:
— Que isso… o menino é prendado.
Ricardo completou, com um copo na mão:
— Já pode casar.
Thiago, sem nem levantar os olhos, cortou:
— Ele já tá casado. Só não percebeu ainda.
O riso veio fácil.
Mas algo ficou suspenso no ar.
Sofia e Thomas trocaram um olhar rápido.
Não de constrangimento.
De reconhecimento.
Fez sentido.
Mesmo que nenhum dos dois tivesse nomeado aquilo ainda.
Eloise entrou na brincadeira:
— Precisamos ver isso aí. — disse, séria demais para ser brincadeira. — Tem que pedir a gata em casamento.
Nathália gargalhou:
— Minha amiga é moça de respeito. — disse, apontando para Sofia. — Tem que casar. Fica aí só curtindo o mel.
As risadas tomaram conta do ambiente.
Outros assuntos surgiram.
Conversas paralelas.
Planos.
Memórias.
Mas, para Sofia e Thomas, aquele assunto não foi esquecido.
Ele ficou ali.
Silencioso.
Calmo.
Presente.
Ela percebeu.
E, sem dizer nada, soube:
Algumas coisas não começam com pedidos.
Começam com permanência.
E o que estava nascendo entre eles…
não fazia barulho.
Mas era real.
Quando a porta se fechou e o último riso ecoou no corredor, o apartamento voltou ao silêncio.
Não o silêncio vazio.
Mas aquele que só existe depois de um dia cheio.
Thomas se sentou no sofá e puxou Sofia com cuidado. Ela se acomodou ao lado dele, apoiando a cabeça em seu peito como se aquele fosse, há muito tempo, o lugar certo.
O corpo dela relaxou de imediato.
Thomas passou o braço ao redor dos ombros dela, instintivo.
— Tá cansada? — perguntou baixo. — Sentindo dor?
Sofia balançou a cabeça devagar.
— Não. — respondeu. — Tô bem assim… aqui.
Ele apertou o abraço um pouco mais.
Ficaram em silêncio por alguns segundos.
O tipo de silêncio confortável.
Mas, dentro de Thomas, algo martelava.
Ele respirou fundo antes de falar.
— Sofia… — começou. — A gente tá quase morando junto.
Ela ergueu o rosto, curiosa.
— Como assim?
— Eu tô aqui todos os dias. — explicou. — Durmo aqui. Acordo aqui. Trabalho daqui. — sorriu de leve. — Nem percebi quando passei a ficar mais aqui do que no meu apartamento.
Sofia pensou por um instante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...