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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 376

Os dias passaram com uma delicadeza quase respeitosa.

A dor cedeu. O corpo respondeu. As cicatrizes começaram a deixar de ser feridas abertas para se tornarem marcas de sobrevivência.

Sofia recebeu alta definitiva. Estava liberada para voltar a viver — não apenas existir.

Vieram dias cansativos de depoimentos finais, audiências, prisões confirmadas, acordos selados, manchetes que finalmente diziam a verdade. O peso que ela carregara sozinha por tanto tempo foi, aos poucos, sendo repartido com o mundo.

Mas, acima de tudo, veio o amor.

O amor insistente dos amigos.

A presença firme de Thomas.

O cuidado que não cobrava força.

Com tudo o que tinha enfrentado — e com tudo o que ainda viria — aquele momento não era fuga.

Era merecimento.

Foi assim que, pela primeira vez desde que tudo começou, Sofia aceitou parar.

E deixar a vida acontecer.

O fim de tarde chegou sem pressa.

O céu começava a mudar de cor enquanto o barco permanecia ancorado, balançando de leve, como se respeitasse o silêncio deles. O motor desligado. O mar calmo. Nenhuma outra embarcação por perto.

Só o som da água batendo no casco.

Sofia estava sentada na proa, os pés descalços, sentindo a brisa morna tocar a pele. Ainda se acostumava com a ideia de estar ali — fora do hospital, fora do medo, fora da vigilância constante do corpo.

Viva.

Thomas observava em silêncio, encostado na lateral do barco.

Ela parecia tranquila.

Inteira.

E isso fazia o peito dele apertar de um jeito bom.

— Você tá quieto. — Sofia comentou, sem virar o rosto.

Thomas sorriu de canto.

— Tô pensando.

— Isso nunca é pouca coisa. — ela brincou.

Ele se aproximou e sentou ao lado dela, deixando que os ombros se tocassem. Ficaram alguns segundos assim, olhando o horizonte.

— Lembra de uma conversa nossa… — ele começou, a voz baixa — de uns dois anos atrás?

Sofia franziu a testa, tentando puxar a memória.

— A gente teve muitas.

— Aquela em que você disse que queria um barco. — ele continuou. — Não grande. Nem luxuoso. Um lugar pra sumir do mundo.

Ela virou o rosto devagar.

— Eu disse isso?

— Disse. — ele confirmou. — E eu ri, porque parecia improvável demais naquela época.

Sofia sorriu.

— A gente vivia apagando incêndio.

Thomas assentiu.

— Pois é. — fez uma pausa curta. — Eu nunca esqueci.

Ela olhou em volta, entendendo.

O barco.

O silêncio.

O entardecer.

— Você comprou isso por causa daquela conversa? — perguntou, incrédula.

— Eu comprei porque… — ele respirou fundo — eu cansei de adiar tudo que importa.

Sofia ficou em silêncio.

O vento balançou de leve os cabelos dela.

Thomas se virou de frente para ela.

Não havia anel visível.

Não havia ensaio.

Só verdade.

— Eu quase te perdi. — disse, direto. — E naquele dia eu entendi uma coisa muito clara.

Ela o encarou, atenta.

— Amor não é promessa bonita. — ele continuou. — É decisão diária. É ficar quando seria mais fácil fugir. É escolher mesmo com medo.

Thomas estendeu a mão e segurou a dela.

Firme.

— Eu não sei fazer discursos. — admitiu. — Mas sei fazer escolha.

Ele puxou do bolso uma caixinha simples. Nada chamativo. Nada exagerado.

Abriu.

Dentro, um anel delicado. Elegante. Do jeito dela.

— Sofia… — a voz falhou por um segundo, mas ele não desviou o olhar — eu escolhi você no pior dia da minha vida

Ela sentiu os olhos arderem.

— E quero continuar escolhendo… em todos os outros.

Não houve pergunta formal.

Não precisou.

Sofia levou a mão ao rosto, emocionada.

— Thomas… — sussurrou.

— Eu prometo nunca soltar sua mão. — ele completou. — Nem quando o mar ficar revolto. Nem quando a vida pesar. Nem quando o silêncio assustar.

Ela riu entre lágrimas.

— Você sabe que eu não sou fácil.

— Ainda bem. — ele respondeu, sorrindo. — Eu também não sou.

Sofia não disse “sim”.

Ela fez algo mais verdadeiro.

— Amanhã você conta. — murmurou no ouvido dela.

Sofia riu, mordeu o lábio inferior de propósito.

— Thomas Alves… isso não vale.

— Sofia Valente, isso é covardia. — ele rebateu.

Ela fingiu não entender.

— O quê?

Riu de novo.

— Vamos. — disse, pegando a bolsa. — Vou dizer que a culpa do atraso foi sua.

Minutos depois, chegaram à casa de praia de Eloise e Augusto.

A casa estava iluminada, aberta, viva — exatamente como eles.

Assim que entrou, Sofia olhou ao redor, impressionada.

— Minha nossa, amiga… que casa linda.

Eloise a abraçou com força.

— Que bom que vieram.

Sofia sorriu e soltou, casual demais para quem acabara de virar o mundo das amigas do avesso:

— Desculpa a demora… é que meu noivo não queria vir.

O silêncio foi imediato.

As meninas se entreolharam.

Piscadas rápidas.

Confusão coletiva.

— Seu o quê? — Nathália perguntou, incrédula.

Sofia levantou a mão de novo.

— Meu noivo.

O caos se instalou.

— MEU DEUS! — Laís gritou, levando a mão ao peito. — QUE FELICIDADE!

— ATÉ QUE FIM! — Emma comemorou. — Eu amo esse casal!

— Você merece, So. — Alana disse, emocionada.

Eloise se aproximou devagar, os olhos brilhando.

— Finalmente. — disse, segurando o rosto da amiga. — Finalmente vocês entenderam que ficar também é escolher.

Thomas observava a cena em silêncio, encostado na parede.

O sorriso discreto.

O peito cheio.

Porque, pela primeira vez, ele não precisava explicar nada.

Sofia tinha dito.

E o mundo tinha ouvido.

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