Os dias passaram com uma delicadeza quase respeitosa.
A dor cedeu. O corpo respondeu. As cicatrizes começaram a deixar de ser feridas abertas para se tornarem marcas de sobrevivência.
Sofia recebeu alta definitiva. Estava liberada para voltar a viver — não apenas existir.
Vieram dias cansativos de depoimentos finais, audiências, prisões confirmadas, acordos selados, manchetes que finalmente diziam a verdade. O peso que ela carregara sozinha por tanto tempo foi, aos poucos, sendo repartido com o mundo.
Mas, acima de tudo, veio o amor.
O amor insistente dos amigos.
A presença firme de Thomas.
O cuidado que não cobrava força.
Com tudo o que tinha enfrentado — e com tudo o que ainda viria — aquele momento não era fuga.
Era merecimento.
Foi assim que, pela primeira vez desde que tudo começou, Sofia aceitou parar.
E deixar a vida acontecer.
O fim de tarde chegou sem pressa.
O céu começava a mudar de cor enquanto o barco permanecia ancorado, balançando de leve, como se respeitasse o silêncio deles. O motor desligado. O mar calmo. Nenhuma outra embarcação por perto.
Só o som da água batendo no casco.
Sofia estava sentada na proa, os pés descalços, sentindo a brisa morna tocar a pele. Ainda se acostumava com a ideia de estar ali — fora do hospital, fora do medo, fora da vigilância constante do corpo.
Viva.
Thomas observava em silêncio, encostado na lateral do barco.
Ela parecia tranquila.
Inteira.
E isso fazia o peito dele apertar de um jeito bom.
— Você tá quieto. — Sofia comentou, sem virar o rosto.
Thomas sorriu de canto.
— Tô pensando.
— Isso nunca é pouca coisa. — ela brincou.
Ele se aproximou e sentou ao lado dela, deixando que os ombros se tocassem. Ficaram alguns segundos assim, olhando o horizonte.
— Lembra de uma conversa nossa… — ele começou, a voz baixa — de uns dois anos atrás?
Sofia franziu a testa, tentando puxar a memória.
— A gente teve muitas.
— Aquela em que você disse que queria um barco. — ele continuou. — Não grande. Nem luxuoso. Um lugar pra sumir do mundo.
Ela virou o rosto devagar.
— Eu disse isso?
— Disse. — ele confirmou. — E eu ri, porque parecia improvável demais naquela época.
Sofia sorriu.
— A gente vivia apagando incêndio.
Thomas assentiu.
— Pois é. — fez uma pausa curta. — Eu nunca esqueci.
Ela olhou em volta, entendendo.
O barco.
O silêncio.
O entardecer.
— Você comprou isso por causa daquela conversa? — perguntou, incrédula.
— Eu comprei porque… — ele respirou fundo — eu cansei de adiar tudo que importa.
Sofia ficou em silêncio.
O vento balançou de leve os cabelos dela.
Thomas se virou de frente para ela.
Não havia anel visível.
Não havia ensaio.
Só verdade.
— Eu quase te perdi. — disse, direto. — E naquele dia eu entendi uma coisa muito clara.
Ela o encarou, atenta.
— Amor não é promessa bonita. — ele continuou. — É decisão diária. É ficar quando seria mais fácil fugir. É escolher mesmo com medo.
Thomas estendeu a mão e segurou a dela.
Firme.
— Eu não sei fazer discursos. — admitiu. — Mas sei fazer escolha.
Ele puxou do bolso uma caixinha simples. Nada chamativo. Nada exagerado.
Abriu.
Dentro, um anel delicado. Elegante. Do jeito dela.
— Sofia… — a voz falhou por um segundo, mas ele não desviou o olhar — eu escolhi você no pior dia da minha vida
Ela sentiu os olhos arderem.
— E quero continuar escolhendo… em todos os outros.
Não houve pergunta formal.
Não precisou.
Sofia levou a mão ao rosto, emocionada.
— Thomas… — sussurrou.
— Eu prometo nunca soltar sua mão. — ele completou. — Nem quando o mar ficar revolto. Nem quando a vida pesar. Nem quando o silêncio assustar.
Ela riu entre lágrimas.
— Você sabe que eu não sou fácil.
— Ainda bem. — ele respondeu, sorrindo. — Eu também não sou.
Sofia não disse “sim”.
Ela fez algo mais verdadeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...