As cartas foram guardadas.
Com cuidado.
Com respeito.
Como se cada envelope fosse uma relíquia.
Ricardo organizou tudo dentro da cesta de vime, uma por uma, fechando-a devagar antes de se virar para Nathália.
Havia uma última carta em sua mão.
Ele estendeu.
— Amor… essa é sua. — disse baixo. — Leia quando quiser. Quando estiver pronta.
Nathália segurou o envelope como se fosse frágil demais para existir.
Apenas assentiu.
Não confiava na própria voz.
Ricardo entrelaçou os dedos nos dela.
E a puxou suavemente para longe do chalé.
Seguiram por uma trilha diferente da que tinham usado para subir.
Pedras.
Mato baixo.
O cheiro da terra ainda úmida.
O vento frio tocando a pele.
Nathália franziu a testa.
— Vamos descer por outro lado?
Ricardo lançou um sorriso pequeno.
De quem guardava surpresa.
— Vamos.
Alguns passos depois…
Ela viu.
Parou.
Piscou.
À frente deles, suspenso por cabos grossos de aço, um teleférico panorâmico cruzava lentamente entre duas montanhas, a cabine envidraçada refletindo o céu claro da manhã.
Nathália abriu a boca.
— Espera… isso existe aqui?!
Ricardo riu.
— Existe.
— Então por que subimos andando?!
Ele inclinou a cabeça.
— Porque pra merecer essa vista… tem que suar um pouco, senhorita.
Ela bateu de leve no braço dele.
— Saliente.
Entraram na cabine.
Ricardo fechou a porta e apertou o botão.
E começaram a descer.
Devagar.
O chão se afastando.
A fazenda se abrindo inteira lá embaixo.
As fileiras de cacau.
O gado espalhado nos campos.
As construções pequenas vistas de cima.
As pessoas andando como pontos.
Nathália colou no vidro.
— Isso é absurdo de bonito…
Ricardo observava.
Mas não a paisagem.
Ela.
Quando chegaram ao outro lado da montanha, desceram e seguiram por um caminho que levava a um elevador externo embutido na rocha.
Mais uma descida.
Depois, uma trilha curta.
A casa principal surgindo entre árvores.
há alguns passos de caminhada.
Um funcionário se aproximou para falar algo baixo no ouvido de Ricardo.
Enquanto isso…
Nathália se perdeu nos próprios pensamentos.
Ele tinha pensado em tudo.
Cada acesso.
Cada caminho.
Cada vista.
Cada conforto.
Ele tinha feito aquilo por Isabella.
Porque a amava.
Porque queria que ela fosse feliz até o último dia.
E agora…
Era aquele mesmo homem que segurava a mão dela.
Que a protegia.
Que a escolhia.
Que não escondia.
Que enfrentava a própria mãe por ela.
— Não tem motivo pra eu fugir… — murmurou pra si mesma. — E ele nem vai deixar.
Sorriu sozinha.
O funcionário se afastou.
Ricardo virou o rosto para ela.
— Do que você tá rindo?
Nathália piscou.
— Nada, amor.
E se aproximou.
Beijou-o.
Um beijo tranquilo.
Seguro.
Daqueles que não pedem nada.
Só confirmam.
Ricardo sentiu o peito apertar.
De um jeito bom.
Observou Nathália por um segundo a mais.
O sol batendo no cabelo dela.
O sorriso distraído.
O jeito como já caminhava ao lado dele como se aquele lugar também fosse seu.
E pensou.
Sem medo.
Sem alarde.
Sem pressa.
> Está na hora de ser minha noiva.
O pensamento se acomodou no peito.
Como se estivesse só esperando o momento certo para existir em voz alta.
E, pela primeira vez…
Ricardo Rocha não achou essa ideia assustadora.
Achou inevitável.
O Clube Serra Alta era exatamente como Nathália imaginava.
Luxuoso sem ostentação gritante.
Madeira escura.
Vidros amplos.
Vista aberta para as montanhas.
Assim que entraram, um funcionário se aproximou e os conduziu até uma mesa bem posicionada, próxima à varanda principal.
Ricardo puxou a cadeira para ela.
— Amor, pede um drink e alguns aperitivos. — disse baixo. — Vou ali na administração e já volto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...