Jorge esperou até que as mulheres se afastassem.
Só então virou-se para o irmão.
João.
Mais baixo.
Mais discreto.
Mas com o mesmo olhar atento.
— Ela é muito parecida com a Emília. — João murmurou. — O formato do rosto… a boca… o jeito de andar. Mas… os olhos não.
Jorge permaneceu imóvel.
O olhar perdido por alguns segundos.
— São meus. — respondeu baixo. — Os olhos são meus.
João franziu a testa.
— Jorge… calma. Não se precipita. Você já viu quantas mulheres apareceram nesses últimos anos dizendo ser suas filhas.
— Eu sei.
Mas não soava convencido.
Ele puxou o celular do bolso.
Discou.
Virou-se de lado.
— Quero a ficha dela completa. — disse seco. — Nome completo. Idade. Onde trabalha. Onde mora. Nome dos pais. Tudo. Absolutamente tudo.
Desligou.
João suspirou.
— E se for só coincidência?
Jorge apertou o maxilar.
— Não é.
Nesse momento, uma das mulheres aproximou-se.
Elegante.
Bem-vestida.
— Pai… eu já vou embora. Meus filhos chegaram de viagem.
Jorge abriu um sorriso automático.
— Então vamos todos. Estou morrendo de saudade dos meus netos.
Minutos depois, a família seguia para a saída.
A mansão dos Lemann era iluminada como se fosse dia.
Portões imensos.
Jardins impecáveis.
Quando entraram, Jorge cumprimentou o genro com tapinhas no ombro.
— Quero ver meus netos. Já tô cansado de só ver foto.
Risos surgiram.
— Pai, sem doce e sem fazer a vontade deles. — advertiu Marta.
Dois meninos correram pela escada e praticamente se jogaram nos braços do avô.
— Meus monstros favoritos. — Jorge riu.
Depois virou-se para Marta.
— E você… cada vez mais bonita desde a última vez.
Ela revirou os olhos, sorrindo.
— Sempre galanteador.
Ana, a caçula, cruzou os braços.
— Não sei por que vocês ainda estão separados.
Agatha, a mais velha, suspirou.
— Pelo mesmo motivo de sempre.
Anabela, do meio, completou:
— A filha preferida.
— Ei! — Marta protestou.
— Vamos mudar de assunto. — cortou, antes que a discussão crescesse.
Jorge puxou os netos para perto.
— Em vez de falar de mim e da mãe de vocês… podiam arrumar marido. Senhoritas Ana e Anabela… não vão me dar netos, não?
— Pai… — Ana reclamou.
— Tô ficando velho. João tem duas filhas e mais netos do que eu tendo quatro.
— Três, Jorge. — Marta corrigiu.
— Ainda assim injusto.
Anabela riu.
— Tio João tá ganhando porque as filhas dele tão competindo pra ver quem faz mais herdeiro.
Agatha ergueu a mão.
— Minha parte eu já fiz. Dois lindos. Não contem comigo pra mais nada.
André, marido dela, sorriu torto.
— Se quiser, a gente tenta mais um.
Agatha deu um tapa leve no braço dele.
— Sai, seu pervertido.
Todos riram.
Marta então pigarreou.
— Falando em maridos… Carlota Rocha mandou convite pra um jantar.
Jorge ergueu a cabeça.
— Carlota?
— Sim. Pediu pra eu levar as filhas solteiras. Pelo jeito… o filho viúvo anda interessado em casar.
Jorge ficou de pé lentamente.
— Ricardo Rocha?
— Ele mesmo. — confirmou Marta. — Está na cidade.
Ana inclinou-se.
— A gente viu ele no clube hoje.
— Com uma moça muito bonita. — acrescentou Anabela.
— Qual? — Marta perguntou.
— A loira. Mesa do fundo.
Agatha arqueou a sobrancelha.
— Aquela que papai e tio não tiravam os olhos.
Jorge limpou a garganta.
— Vocês estão vendo coisa.
— Aham. — Agatha ironizou.
Jorge virou-se para Marta.
— Confirma nossa presença nesse jantar.
— Interessado na moça loira? — ela provocou.
Jorge hesitou meio segundo.
— Sim.
Depois completou:
— E nessa história do Ricardo também.
O sorriso que surgiu em seu rosto…
não tinha nada de casual.
***
Na Cidade Norte, a noite caiu pesada.
Com ela, veio o cansaço do corpo…
mas não da mente.
Ricardo adormeceu rápido, o braço ainda envolto na cintura de Nathália, a respiração lenta e profunda de quem finalmente desligou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...