Nathália terminou de ler a última linha com a respiração presa.
Os dedos ainda seguravam o papel com cuidado demais.
Como se a carta pudesse se desmanchar.
Como se fosse algo vivo.
As lágrimas caíram antes que ela percebesse.
Uma.
Depois outra.
Pingaram no papel.
Ela levou a mão à boca, tentando abafar o som que queria escapar do peito.
Não era um choro escandaloso.
Era aquele que vem de dentro.
Silencioso.
Dolorido.
Bonito.
Porque não machucava.
Acolhia.
Ela enxugou o rosto às pressas.
Mas era inútil.
O coração estava apertado demais.
Isabella não tinha escrito com ciúme.
Não havia ressentimento.
Nem cobrança.
Havia amor.
Havia cuidado.
Havia… generosidade.
Uma mulher falando com outra.
De um lugar que não era de disputa.
Mas de paz.
Nathália fechou os olhos por alguns segundos.
Respirou fundo.
Sentiu a culpa chegar primeiro.
Por ter sentido ciúme.
Por ter sentido aquele frio no estômago.
Por ter pensado — nem que fosse por um segundo — que aquela carta pudesse ser uma armadilha.
Que Isabella quisesse vigiar.
Controlar.
Afastar.
Ela não queria nada disso.
Isabella só queria que Ricardo fosse feliz.
Com quem quer que fosse.
Desde que fosse de verdade.
Nathália apertou o papel contra o peito.
Gratidão veio logo depois.
Pesada.
Imensa.
Por ter sido vista.
Mesmo sem ter sido conhecida.
Por ter sido acolhida por alguém que já não estava ali.
Mas que ainda cuidava.
De longe.
De outro lugar.
Ela levantou-se devagar da poltrona.
Caminhou até a cama.
Ricardo dormia de lado.
Respiração lenta.
Uma mão solta sobre o travesseiro.
O rosto sereno.
Como se não soubesse a guerra silenciosa que acontecia dentro dela.
Ela sentou na beira da cama.
Observou.
Aquele homem carregava fantasmas.
Lutos.
Histórias.
E ainda assim…
abria espaço.
Abriu para ela.
Isabella não era sombra.
Era raiz.
E raízes não competem com flores.
Sustentam.
Nathália sorriu entre lágrimas.
Guardou a carta com cuidado.
Dobrou.
Colocou de volta no envelope.
E deixou na mesa de cabeceira.
Como se fosse algo sagrado.
Deitou ao lado dele.
Devagar.
Cautelosa para não acordar.
Mas Ricardo se mexeu na hora.
Como se sentisse.
Sempre sentia.
O braço envolveu a cintura dela no automático.
A puxou para perto.
Nathália encaixou a testa no peito dele.
Inspirou fundo.
O cheiro.
A calma.
A segurança.
Fechou os olhos.
E ali…
entre o passado que não podia apagar…
e o futuro que ainda dava medo…
ela escolheu.
Ficar.
Confiar.
Lutar.
Não fugir.
Não se esconder.
Não duvidar do homem que segurava agora.
A mão dele apertou levemente suas costas enquanto dormia.
Inconsciente.
Mas presente.
Como se prometesse algo que nem sabia que estava prometendo.
O sono veio.
Tranquilo.
Sem fantasmas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...