Os dias passaram.
O inverno começou.
Com mais frio.
Ricardo entrou no prédio da empresa Lemann.
Quando as portas do elevador se abriram no andar da presidência, uma funcionária aproximou-se.
— Bom dia, senhor Rocha. O senhor Jorge já está aguardando.
— Bom dia. Obrigado.
E seguiu a moça.
Entrou na sala.
Jorge Lemann estava em pé diante da enorme janela, uma xícara de café na mão, observando o céu nublado.
Imponente.
Silencioso.
A funcionária saiu, fechando a porta.
— Bom dia, Jorge.
— Bom dia, Ricardo. Aceita um café? Está fresco.
— Sim. Obrigado.
Jorge serviu a bebida e fez um gesto para que ele se sentasse.
Ricardo acomodou-se na poltrona.
— Então… — Jorge começou. — Gostaria que fôssemos direto ao assunto?
— É melhor.
Ricardo colocou a xícara na mesinha central.
Respirou fundo.
— Sabemos que há uma grande coincidência entre a filha que você procura e Nathália. Muitas informações batem.
Jorge o interrompeu, firme:
— Todas. Todas as informações batem.
Ricardo sustentou o olhar.
— Mas um exame de DNA daria certeza.
— Eu não preciso de um exame para ter certeza. — Jorge respondeu sem hesitar. — Se for necessário fazer, estou de acordo. Mas não preciso de um papel para dizer o que já sei. Nathália é minha filha.
Fez uma pausa curta.
Depois acrescentou, com convicção:
— Só precisamos que Emília confirme. Ela não teria coragem de negar olhando nos meus olhos.
Ricardo não piscou.
O silêncio que veio depois não foi confortável.
Foi pesado.
Denso.
— Jorge… — chamou, baixo.
Ele ergueu o olhar.
— Emília morreu.
A palavra caiu como vidro no chão.
— …morreu?
A voz saiu errada.
Mais baixa do que deveria.
Ricardo assentiu uma única vez.
— Sim. Nathália tinha dezenove anos na época.
Jorge ficou imóvel.
Literalmente imóvel.
A mão ainda segurava a xícara de café.
Mas os dedos começaram a apertar a porcelana sem que ele percebesse.
— Não… — murmurou. — Isso não… isso não faz sentido.
Como se estivesse esperando que aquilo se reorganizasse.
Jorge fechou os olhos.
Por um segundo inteiro.
— Eu nunca parei de procurar.
A voz saiu rouca.
— Mas mesmo assim a mulher que eu amei… morreu achando que eu não a procurei.
Jorge assentiu lentamente.
— Mas isso não muda o fato.
Respirou fundo.
O homem de negócios voltando à superfície.
Mas algo tinha rachado por dentro.
— Ainda assim… — completou. — Não muda a minha certeza.
O olhar escureceu.
Determinado.
Ricardo sustentou o olhar.
— Agora que sabe disso… vou ser totalmente claro com você.
— Eu sou o namorado… logo noivo… e futuro marido dela. — Ricardo falou com calma, mas sem suavizar. — Quero ter certeza das suas intenções. Não me entenda mal, mas você tem muito dinheiro. Três filhas. Genros. Ex-esposa.
Fez uma pausa.
— E não quero que Nathália se sinta deslocada, observada… ou julgada. Julgamentos errados sobre quem ela é.
Jorge inclinou a cabeça.
— Julgamentos como os que sua mãe faz.
— Assim como não aceito isso da minha mãe, não aceitarei de ninguém. — Ricardo respondeu sem piscar. — Vou proteger Nathália, se preciso… com a minha vida.
Jorge o observou por alguns segundos.
Depois assentiu.
— Justo. Uma atitude de quem ama minha filha.
— Talvez ela queira conhecê-lo.
Os olhos de Jorge escureceram.
— Eu quero conhecê-la. Desejei isso a maior parte da minha vida. Minhas filhas, minha ex-esposa e toda a família sabem da minha alegria por ter Nathália de volta.
A voz dele ficou firme.
— E jamais permitirei o menor desrespeito a ela. Isso eu direi pessoalmente.
— Espero que cumpra a palavra.
— Homem de verdade tem palavra. A vida ensina isso.
Ricardo assentiu.
— Nathália sugeriu um almoço. O que me diz?
— Para mim, perfeito. Marcamos na Cidade Norte. Eu voo para lá. Fica mais fácil.
Os dois se levantaram.
Aperto de mãos.
Um acordo silencioso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...