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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 410

Nathália não conseguiu trabalhar naquela manhã.

Pediu o dia de folga alegando dor de cabeça.

Não era mentira.

Mas também não era tudo.

Andava pela cobertura como se o chão estivesse inclinado.

Parava.

Respirava fundo.

Voltava a andar.

Sentava no sofá.

Levantava de novo.

Ensaiava conversas inteiras na cabeça.

Frases educadas.

Perguntas neutras.

Respostas firmes.

Quase desistiu três vezes antes das dez da manhã.

Quando Ricardo chegou às onze, ela estava sentada no sofá, abraçando uma almofada, olhando para nada.

— Amor?

Ela se virou rápido.

Os olhos tensos.

— Não vou mais.

Ricardo parou.

Depois caminhou até ela devagar.

Sentou ao seu lado.

Pegou suas mãos.

— Calma, amor.

Nathália soltou o ar em um suspiro nervoso.

— Eu tô muito nervosa… não sei… não quero.

— Você está sofrendo antes da hora. Eu prometo nunca soltar a sua mão durante o almoço.

Ela mordeu o lábio.

— Eu não consigo cortar carne com uma mão só.

Ricardo riu baixo.

Se inclinou.

Beijou sua testa.

— Eu vou está ao seu lado o almoço inteiro.

Ela piscou.

— Promete?

— Prometo.

A voz saiu firme.

Ela respirou fundo.

— Obrigada…

Levantou-se e foi para o quarto.

Abriu o closet.

Vestiu um vestido.

Tirou.

Outro.

Tirou também.

Depois mais um.

Nada parecia certo.

Tudo parecia errado.

Ansiosa demais.

Exposta demais.

Até que puxou um conjunto de calça e blusa marrom.

Vestiu.

Se encarou no espelho.

A cor combinava com a pele.

Com o cabelo.

Com os olhos.

Elegante.

Discreto.

Seguro.

— Perfeito… — murmurou.

Pegou o celular para mandar foto no grupo das meninas.

Uma mensagem não vista.

Número desconhecido.

Ela franziu a testa.

— Estranho…

Era um áudio.

Curto.

Sem nome.

Sem foto.

Sem contexto.

Hesitou por dois segundos.

Depois apertou play.

A voz saiu pelos fones.

E o mundo parou.

O coração disparou tão forte que doeu.

As mãos ficaram geladas.

O estômago afundou.

Foi como se o chão tivesse se aberto sob seus pés.

Ela levou a mão ao espelho.

O próprio reflexo parecia distante.

— Burra… burra… — sussurrou para si mesma.

As lágrimas vieram sem pedir licença.

Escorreram quentes.

Silenciosas.

Pingaram na tela do celular.

Nathália não sabia ainda…

mas aquele áudio…

tinha acabado de mudar tudo.

Antes mesmo do almoço começar.

Antes mesmo de sair de casa.

Antes mesmo de olhar de novo para Ricardo.

A guerra…

tinha sido declarada.

E ela…

acabava de ser atingida primeiro.

O helicóptero já aguardava na área privada da fazenda.

As hélices imóveis.

O vento frio da manhã cortando o ar.

Jorge caminhava pelo piso de concreto com passos firmes, o casaco pesado jogado sobre os ombros, os óculos escuros protegendo os olhos que — pela primeira vez em décadas — carregavam algo diferente de cálculo.

Ansiedade.

Expectativa.

João vinha ao lado dele, ajustando o cachecol.

— Nunca te vi tão arrumado pra um almoço. — comentou com meio sorriso.

Jorge soltou um breve riso pelo nariz.

— Ainda bem que meu coração é bom… porque se não, não aguentaria tanta emoção.

João arqueou a sobrancelha.

— Quem diria. O grande Jorge Lemann nervoso.

— Cala a boca. — respondeu, divertido. — Estou indo encontrar uma mulher que é minha filha depois de vinte e cinco anos.

João ficou sério na hora.

— Eu sei.

Jorge parou antes de entrar na aeronave.

Respirou fundo.

Olhou para o horizonte coberto de nuvens.

— Se for ela… — murmurou. — Eu não sei nem por onde começo.

João colocou a mão em seu ombro.

— Você começa sendo quem sempre foi. Um homem que nunca parou de procurar.

Jorge assentiu.

Depois entrou.

O helicóptero ganhou vida.

As hélices começaram a girar.

O vento explodiu ao redor.

Minutos depois, estavam no ar.

Serra Alta ficando pequena lá embaixo.

Campos verdes.

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