Ricardo encontrou Nathália sentada na beira da cama.
Os ombros curvados.
O rosto escondido entre as mãos.
O celular tremia entre os dedos.
— Amor… — ele falou baixo, aproximando-se. — O que foi?
Ela ergueu os olhos.
Vermelhos.
Molhados.
Sem dizer nada, estendeu o telefone.
Ricardo pegou.
Colocou no ouvido.
Ouviu.
E sentiu a raiva subir como um soco no estômago.
Depois…
a culpa.
Foi ele.
Ele que sugerira aquele almoço.
Ele que dissera que estava tudo sob controle.
A mandíbula travou.
— Meu amor… — disse devagar, devolvendo o celular. — Desculpa. Eu achei que era território seguro.
Passou a mão pelos cabelos.
— Esqueci com quem estamos lidando. A gente não precisa ir. Não agora.
Nathália limpou o rosto com as costas da mão.
Inspirou fundo.
— Eu preciso ir.
Ricardo franziu o cenho.
— Nath—
— Preciso olhar pra ele. — a voz saiu firme demais para quem chorava. — Nos olhos.
Levantou.
Caminhou até o espelho.
Pegou o pó compacto.
Passou no rosto com mãos decididas.
Reforçou o blush.
Endireitou os ombros.
A tristeza virando algo mais duro.
Mais quente.
Raiva.
— Nathália…
— Não vou fugir.
Minutos depois, já estavam descendo do carro diante de um restaurante italiano sofisticado.
Fachada elegante.
Luzes quentes.
Valet na porta.
Um dos mais caros da cidade.
Ricardo olhou para ela.
— Ainda podemos decidir.
Ela fechou a porta.
Virou-se para ele.
— Não podemos, não.
Havia aço na voz.
Determinação.
Entraram.
Foram conduzidos pelo maître até uma mesa no fundo.
Jorge e João já estavam sentados.
Jorge ergueu os olhos.
Não se levantou.
Nathália também não sorriu.
O aperto de mãos não veio.
O ar entre eles estalava.
O garçom surgiu rápido demais.
— Boa tarde, senhores.
Ninguém falou por um segundo.
— Para mim, só um café. — Nathália disse. — Não irei demorar.
Ela sorriu brevemente para o garçom.
A voz educada.
Mas quando voltou a encarar Jorge.
o rosto estava frio.
— Um café expresso. — disse Jorge, a voz fria como lâmina.
João pigarreou.
— Eu tô com fome. Então… se vocês me desculpam… vou querer uma lasanha à bolonhesa.
Fez um gesto para o cardápio.
— E um vinho pra acompanhar.
Ricardo fechou a expressão.
— Café.
O garçom anotou.
Saiu.
E o silêncio voltou.
Mais pesado.
Mais longo.
Quase ofensivo.
Como se todos soubessem…
que aquele almoço…
não terminaria bem.
Nathália cruzou as pernas com calma calculada.
As mãos apoiadas no colo.
O olhar firme demais para alguém que tinha chorado minutos antes.
Jorge observava.
Não o rosto.
Os gestos.
O jeito como ela respirava.
Como sustentava o olhar.
Como não desviava.
Como… não parecia frágil.
Ricardo sentia o corpo inteiro em alerta.
A perna tensionada.
O maxilar travado.
Pronto para intervir se aquilo descambasse um centímetro.
João pigarreou.
— Bom… — tentou aliviar. — Então… finalmente.
Sem correr.
Sem chorar.
Só indo.
Ricardo levantou imediatamente.
Os olhos queimando.
— Você acabou de tratá-la exatamente como minha mãe trata.
Jorge ergueu-se um pouco.
— Não—
— Tratou, sim. — Ricardo cortou. — Olhou pra ela com o mesmo desprezo que ela enfrenta quando anda ao meu lado.
Deu um passo à frente.
— Eu achei que tinha sido claro com você.
— Eu achei que tinha garantido que ninguém ia julgá-la.
A voz dele subiu.
Controlada.
Mas perigosa.
— Errei.
Jorge apertou o maxilar.
— Cuidado, Ricardo Rocha.
— Cuidado você. — devolveu na mesma altura. — Provavelmente a Carlota tem razão.
Ricardo riu.
Seco.
— Eu diria o mesmo.
O encarou duro.
— Mas eu conheço Nathália Guimarães.
— Eu conheço o esforço que foi pra ela aceitar estar comigo.
— Eu conheço a história dela.
— O quanto sonhou em ter um pai.
— Uma família.
— E como o seu julgamento esmagou tudo isso em minutos.
Jorge abriu a boca para responder.
Ricardo ergueu a mão.
— Não.
— Não diga mais nada.
A voz dele saiu baixa.
Fria.
— Espero que mantenha distância.
— Que não tente se aproximar da minha mulher nunca mais.
Silêncio absoluto.
João parecia sem saber onde enfiar a cara.
Jorge permaneceu imóvel.
O orgulho ferido pulsando no olhar.
Ricardo virou-se.
Saiu atrás de Nathália.
Sem olhar para trás.
E naquele restaurante elegante…
entre taças caras e pratos intocados…
um reencontro de vinte e cinco anos…
acabava de se transformar…
numa guerra declarada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...