Ricardo ajeitou o paletó antes de sair.
— Amor… o dia do leilão beneficente da Royal está chegando.
Nathália sorriu.
— Sim. Vou providenciar um vestido.
Ele se inclinou e deu um beijo rápido nela.
— Bom trabalho. A gente se vê no fim do dia.
— Vou morrer de saudade.
Ricardo sorriu de canto.
— Também.
Nathália acenou e se afastou, entrando no prédio da MonteiroCorp.
Não demorou para que Ricardo atravessasse o hall imponente da Royal.
Funcionários andando apressados.
Conversas baixas.
Elevadores subindo e descendo.
Quando chegou ao andar da presidência, seguiu direto para a própria sala.
Parou.
Franziu a testa.
— Quem é você?
Na mesa de Francisca havia uma mulher jovem.
Organizada demais.
Postura tensa.
Ela se levantou rápido.
— Senhor… a senhora Francisca está internada.
Ricardo congelou.
— O quê?
— Ela caiu no banheiro. — explicou. — Sou a filha dela… Ingrid. Ela pediu que eu a substituísse por alguns dias.
O rosto dele fechou na hora.
— Merda… Fran…
Passou a mão pelo maxilar.
— Em qual hospital ela está?
Ingrid puxou um papel.
Passou o endereço.
Ricardo nem respondeu.
Deu meia-volta.
Já caminhando em passos largos para o elevador.
Ricardo chegou ao hospital pouco depois das dez da manhã.
A conversa com o médico — por coincidência, um velho amigo — foi breve, mas objetiva. Ficou acertado que Fran seria transferida para um quarto melhor, com atendimento prioritário e acompanhamento constante.
Minutos depois, ele entrou no novo quarto.
Fran ergueu os olhos, surpresa.
— Senhor Rocha.
Ricardo fez uma careta leve.
— Estamos fora da empresa… e, se não me engano… — riu baixo. — Ricardo, Fran.
Ela assentiu, ajeitando-se na cama.
— Minha filha fez algo? Eu deixei toda a agenda da semana organizada… mas acho que saiu antes.
— Calma, mulher. — Ele puxou uma cadeira e sentou. — Você trabalha comigo há mais de vinte anos. O mínimo que eu podia fazer era vir ver como você está.
Fran soltou um riso nervoso.
— Estou bem. Minha perna fraturou, mas estou bem.
Ricardo inclinou a cabeça, observando-a por alguns segundos.
— Fran… acho que está na hora de você dar adeus ao seu posto de secretária.
O sorriso dela sumiu.
— Senhor Ricardo… por quê? Eu fiz algo errado?
— Não foi isso que eu disse. — Ele levantou as mãos, conciliador. — Eu tenho outro cargo para você. Quando voltar, conversamos com calma.
— Outro cargo? — repetiu, confusa. — Senhor… eu gosto de ser sua secretária.
— E você é excelente nisso. Sempre foi. — Ele respirou fundo. — Mas olha a profissional que você é. Fala vários idiomas, resolve crises, organiza tudo. Eu preciso aproveitar esse talento. E… — hesitou por um instante. — vou precisar diminuir meu ritmo.
Fran permaneceu em silêncio.
— Futuramente quero pedir Nathália em casamento. Pensar em filhos. Quero aproveitar mais a vida… a família que quero construir.
— Faz bem… — murmurou. — Não cometer os mesmos erros.
Assim que as palavras escaparam, Fran percebeu o que tinha dito.
Levou a mão à boca.
— Desculpa.
O rosto de Ricardo se fechou por um segundo.
— Você só falou a verdade.
Ele se levantou.
— Agora descansa. E, se sua filha não estiver trabalhando… talvez você possa treiná-la para ficar no seu lugar definitivamente. Quando voltar, conversamos melhor.
Sem esperar resposta, saiu do quarto.
Fran ficou olhando para a porta fechada por alguns segundos.
Depois puxou o notebook para perto, apoiando-o sobre as pernas imobilizadas.
Murmurou para si mesma:
— Pelo menos agora tenho tempo de olhar essas filmagens com atenção…
E logo mais uma nova peça seria colocada no tabuleiro.
Os dias corriam.
O frio já começava a ceder, e logo a primavera estaria chegando.
O sol daquela manhã iluminava, mas ainda não aquecia.
Fazia uma semana desde o dia do almoço.
Poucos segundos depois, ouviu-se a chave destravando.
Jorge conhecia bem a filha mais velha.
Sabia que ela era perfeitamente capaz de cumprir a ameaça.
Ele abriu a porta e voltou a se sentar.
Agatha entrou e foi direto até as janelas, abrindo as cortinas.
— Eu falei. Eu avisei para não criar esperança. Sabia que, no fim, ia acontecer como sempre… trancado durante dias dentro desse escritório. Mas chega. Está na hora de aceitar e seguir em frente.
Jorge suspirou.
— Dessa vez é diferente.
Agatha cruzou os braços.
— Eu sei que é. O senhor viu os papéis que o tio passou por baixo da porta. O exame deu positivo.
Jorge apenas balançou a cabeça.
— Mas ela não quer um pai. — Agatha completou. — Fim. E está no direito dela.
— É mais complexo que isso.
— Então me explica, pai.
Jorge apoiou os cotovelos na mesa.
— Nem eu entendo. Recebo um áudio… quando cheguei lá, estava preparado para um teatro de boa moça. Mas ela estava fria. Rude.
Agatha franziu a testa.
— E o que é complexo nisso?
— Não sei, filha. As duas vezes que tive chance de falar com ela, foi menos rude do que naquele almoço. Ricardo a descreve diferente… eu vi o brilho nos olhos dele quando falava dela aqui, na minha frente.
Agatha respirou fundo.
— Pai… sendo sincera… também deve ser difícil pra ela. Crescer sem pai e, de repente, um homem rico aparece dizendo que é seu pai.
Jorge suspirou outra vez.
Mais pesado.
O coração de Agatha apertou.
E foi ali, naquele instante, que decidiu.
Ia colocar aquela mulher frente a frente com a verdade.
Pegou a bolsa que estava sobre a mesa e saiu.
Antes de cruzar a porta, voltou-se para ele.
— Aproveita e vai comer. A Joana fez canjica.
Já dentro do carro, puxou o celular.
Encarou o número como vinha fazendo há dias.
Dessa vez…
apertou para ligar.
Chamando.
Do outro lado, uma voz feminina atendeu.
Agatha respirou fundo.
— Aqui é Agatha Lemann. Eu gostaria de encontrar você hoje… queria conversar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...