De longe, a mulher observava.
Ricardo conversava com um investidor.
Ria baixo.
Postura relaxada.
Seguro demais.
Ela virou-se para o garçom e falou com naturalidade ensaiada:
— É que somos casados… — mostrou a aliança no dedo. — E eu queria fazer uma surpresa.
O garçom hesitou.
— Senhora… isso pode me causar problemas.
Ela inclinou a cabeça, aproximando-se um pouco mais.
— Não vai.
Com movimentos rápidos, deslizou um envelope no bolso do avental dele.
— Considere um presentinho pela sua ajuda… no nosso joguinho de casal.
O homem engoliu em seco.
Olhou em volta.
Baixou a voz.
— Tá bom… é só colocar na bebida e deixar dissolver?
A mulher sustentou o olhar por dois segundos.
Depois balançou a cabeça em confirmação.
Sem sorrir.
Sem piscar.
Na Cidade Sul, a tacada final estava em andamento.
Mas, na Cidade Norte, outras peças começavam a se mover — movidas por puro instinto de proteção.
Nathália estava sentada em um restaurante elegante, tomando café.
Nervosa.
Mexia distraidamente a colher dentro da xícara quando percebeu movimento pelo reflexo do vidro.
Três mulheres vinham em sua direção.
Agatha.
Anabela.
Ana.
Ela ergueu o olhar.
Piscou uma vez.
— Achei que só vinha você.
Agatha puxou a cadeira.
— Elas insistiram em vir.
Nathália deu de ombros.
— Certo… então vamos ser diretas, o que você quer?
As três se sentaram.
O clima fechou imediatamente.
Agatha não perdeu tempo.
— Por que você deu esperança ao meu pai… e depois o tratou daquele jeito?
Nathália soltou uma risada curta.
Sem humor.
— Eu tratei ele mal?
Anabela se inclinou um pouco.
— Sim. Nosso tio João contou.
Nathália cruzou os braços.
— Eu só cortei laços. Coisa que deveria ter feito desde o começo.
Agatha respirou fundo.
— Eu até tento entender… deve ser difícil crescer sem pai e, de repente, ele aparece. Mas tenta entender o lado dele também. Antes de sair julgando e tratando ele mal, você podia ter dado uma chance.
Nathália inclinou a cabeça.
Os olhos endureceram.
— Vocês estão de brincadeira, né?
As três se entreolharam.
— Não… — responderam quase juntas.
Nathália apoiou as mãos na mesa.
— Vocês fazem ideia do que o pai de vocês falou de mim?
Silêncio.
Agatha franziu o cenho.
Anabela apertou os lábios.
Ana balançou a cabeça.
— Não.
As três disseram ao mesmo tempo.
Agatha respirou fundo antes de falar.
Os braços cruzados.
A postura rígida.
— Desde que eu entendo as coisas… eu escuto falar de uma irmã.
Nathália piscou.
Agatha continuou:
— Toda vez que aparecia uma suposta filha, era a mesma coisa. Festa. Esperança. Sorrisos. Papai se abria de novo.
A voz endureceu.
— E depois vinha a verdade.
Fez um gesto curto com a mão.
— Ele se trancava no escritório por dias. Sem falar com ninguém. Eu vi isso acontecer inúmeras vezes.
Anabela desviou o olhar.
Ana mordeu o lábio.
— Exames de DNA… sempre negativos. — Agatha completou. — Mesmo assim ele passava dias fechado. Depois de inúmeras tentativas, parou de comemorar. Virou protocolo. Frio. Sem se permitir sentir.
Ela encarou Nathália.
— Com você… eu achei que seria diferente.
Nathália abriu a boca para falar.
Agatha levantou a mão.
— Não.
A voz saiu mais dura.
— Me deixa terminar.
Respirou fundo.
— Porque dessa vez era real. Você é a verdadeira. E mesmo assim…
Engoliu seco.
— Eu queria que você nunca tivesse aparecido.
O silêncio caiu pesado sobre a mesa.
— Sim.
Respirou fundo.
— Vem com a gente.
— Pra quê?
— Porque tem alguma peça escondida nesse jogo. — disse firme. — E só vocês dois, falando cara a cara… comparando o que aconteceu naquele dia… vão conseguir juntar isso.
Nathália hesitou.
— Então vamos combinar uma coisa.
Agatha ergueu a sobrancelha.
— Se esse áudio for mesmo do pai de vocês… ninguém dessa família me procura nunca mais.
Agatha respondeu sem piscar:
— Prometemos. Mas se não for, você vai dar uma chance a ele.
Ana completou:
— Chance a nossa família.
Ela abriu a bolsa.
Puxou um envelope.
Entregou para Nathália.
Anabela arregalou os olhos.
— Ana Lemann… eu não acredito que você anda com esse exame.
Ana engoliu seco.
— Ela precisa saber.
— Ou pelo menos ter certeza.
Nathália abriu o papel.
Leu.
Uma vez.
Duas.
O nome dela.
O resultado.
Ali.
Preto no branco.
O mundo pareceu inclinar.
Jorge Lemann era o pai dela, não existia mais dúvida.
Agatha falou baixo:
— Podemos ir?
Nathália não respondeu.
Não conseguiu.
Mas levantou.
E seguiu.
As quatro saíram juntas.
Diretas.
Silenciosas.
Em direção à pista de pouso.
Onde verdades…
e mentiras…
iam finalmente se chocar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...