As irmãs chegaram à mansão de Jorge sem anunciar.
Foram direto para o escritório.
Agatha ia à frente.
Nathália vinha logo atrás.
Nervosa.
Os dedos entrelaçados.
O coração acelerado.
Agatha bateu na porta.
Forte.
— Papai, abre agora.
Do lado de dentro, ouviu-se um suspiro pesado.
Alguns segundos depois, a porta se abriu.
— De novo, Agatha… você pode me deixar quieto por um dia?
A frase morreu no meio.
O olhar de Jorge congelou ao ver Nathália atrás da filha.
— O que você faz aqui? — perguntou, seco. — Pensei que tinha me dito para esquecer da sua existência.
Agatha entrou na frente antes que Nathália respondesse.
— Eu trouxe ela.
Anabela completou:
— Na verdade… nós trouxemos. Tem assuntos que precisam ser esclarecidos.
Ana fechou a porta atrás delas.
— E vocês dois têm que estar cara a cara.
Nathália encarou Jorge.
O rosto dele denunciava noites sem dormir.
As olheiras fundas.
O olhar cansado.
O corpo rígido.
Ela respirou fundo.
— Vamos direto ao assunto. — disse firme. — Eu recebi um áudio onde você está me insultando.
Fez uma pausa curta.
— Suas filhas estão convencidas de que não é o senhor.
Jorge franziu a testa.
— Áudio? Eu te insultando?
Deu um passo à frente.
— Fui eu que recebi um áudio onde você estava explicando seu plano.
Nathália soltou uma risada incrédula.
— Que plano?
Jorge apontou para dentro do escritório.
— Então temos muito a conversar.
Jorge caminhou até a mesa sem dizer nada.
Pegou o celular.
A tela ainda estava aberta no áudio.
O mesmo.
O que ele tinha escutado dezenas de vezes.
Talvez centenas.
O que tinha destruído qualquer esperança antes mesmo de sentar àquela mesa.
Ele respirou fundo.
Apertou o play.
A voz de Nathália saiu abafada.
Distante.
Quase casual.
> " É simples… vou usar o nome dele e o dinheiro, lógico…"
Uma risada baixa.
Cínica.
> "Carlota vai ter que me engolir porque eu sou uma Lemann. Vou me casar com Ricardo, virar senhora Rocha… e a filhinha perdida daquele velho besta que está disposto a mimar muito sua filhinha."
A garganta de Nathália fechou.
O áudio continuou.
> "Depois disso é só aproveitar. Terra, empresa, herança… tudo meu. Nasci pobre, mas não vou morrer assim. Nunca mais piso naquele escritório."
Silêncio.
O tipo de silêncio que dói nos ouvidos.
Nathália levantou-se de supetão.
A cadeira raspou no chão.
— Isso não sou eu! — a voz saiu trêmula de raiva. — Eu nunca falei isso! Nunca!
Deu dois passos à frente.
— Ricardo me aceita do jeito que eu sou. Ele não preciso da aprovação da mãe dele. Nem de ninguém!
Jorge a encarou.
O rosto fechado.
Mas agora…
diferente.
— Me mostra o áudio que você recebeu.
Nathália pegou o celular com dedos rígidos.
Abriu.
Apertou play.
A voz masculina saiu firme.
Cruel.
> "Ela é só uma pobre sem ter onde cair morta.
Tá me olhando como se eu fosse um bilhete premiado.
Quer virar herdeira.
Nathália só quer dinheiro..."
Jorge levantou a mão.
— Basta.
O áudio foi cortado no meio.
O silêncio voltou.
Mas agora…
pesado de outro jeito.
Jorge passou a mão pelo rosto.
Andou até a janela enorme do escritório.
Ficou olhando para fora.
Os campos verdes ao longe.
As árvores.
O céu limpo demais para aquele caos.
— Então alguém armou isso.
Nathália respirava rápido.
— Quem? Poucas pessoas sabiam desse encontro.
Jorge virou-se.
Nathália estava sentada, imóvel.
A respiração pesada.
A cabeça martelando perguntas.
Milhares.
Quando a batida na porta ecoou, ela voltou para o presente.
— Entra. — disse Jorge.
Um homem alto entrou.
Novo.
Postura profissional.
Discreto demais para aquele clima.
— Em que posso ajudar, senhor Jorge?
Jorge caminhou até ele.
— Eu e minha filha recebemos áudios. Nenhum dos dois é verdadeiro… mas são com as nossas vozes. — disse firme. — Quero que você me explique como isso é possível e, principalmente, quem mandou.
O homem assentiu.
— Certo. Vou precisar dos dois celulares… e de duas horas.
Jorge inclinou a cabeça.
Pegou os aparelhos que estavam sobre a mesa.
Entregou a ele.
— Pode sentar aqui. — apontou para a cadeira ao lado da mesa.
Depois virou-se para as meninas.
— Vamos. Ele precisa de silêncio… não de vocês com essa pilha de nervos observando cada movimento dele.
Agatha foi a primeira a se levantar.
— Mas vai demorar muito.
— Bora. — Jorge respondeu. — Vamos tomar um café. E sem reclamar.
O olhar passou por Ana, rápido.
Ela percebeu.
— Por que o senhor tá me olhando?
Anabela falou sem pensar:
— Porque você é a mais chata. Reclama de tudo. Papai sabe.
Jorge deixou escapar um pequeno sorriso.
— Eu não disse nada.
Agatha cruzou os braços.
— Mas todo mundo sabe. Papai só não quer se comprometer.
Jorge balançou a cabeça.
— Vamos, mulheres.
As três começaram a caminhar.
Jorge abriu espaço.
Olhou para Nathália.
Fez um gesto discreto para que ela também passasse.
Ela observou a cena.
O jeito como elas se provocavam.
Como falavam sem cerimônia.
Como se conheciam demais.
Aquilo atravessou seu peito de um jeito estranho.
Quase quente.
Um pensamento escapou, silencioso demais para virar palavra:
> "Talvez seja divertido ter irmãs."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...