Nathália voltou a encarar a tela do celular por longos segundos.
Ricardo deitado na cama.
Os olhos fechados.
A mesma posição nas três fotos.
O enquadramento perfeito demais.
Ela balançou a cabeça.
Então soltou uma risada curta.
Baixa.
Sem humor.
Jorge observava.
— Algum problema, filha?
Nathália falou mais para si mesma do que para ele:
— Sério? Fotos na cama… homem dopado… e uma mulher nua?
Virou o telefone na direção de Jorge.
— Ela nem pra vilã de livro presta. Isso é tão… previsível.
Jorge franziu o cenho.
— Você tem certeza de que isso é só uma armação?
Nathália nem piscou.
— Tenho.
Ergueu os olhos.
Firmes.
— Ricardo nunca faria isso comigo. Nunca.
Ao redor da mesa, todos se entreolharam.
Ana, que estava ao lado de Nathália, viu as fotos.
Empalideceu.
— Meu Deus… irmã…
E, num movimento rápido, a envolveu em um abraço.
Por mais que Nathália tivesse certeza de que aquilo era apenas um plano de Joyce…
ver aquelas imagens doía.
E aquele abraço fez uma lágrima escapar.
A feição de Jorge endureceu.
— Onde ele está?
— Foi pra Cidade Sul.
— Sabe o hotel?
— Hotel Conceito… acho que quarto 223. Não tenho total certeza. Ele comentou, mas passou despercebido.
Jorge assentiu uma única vez.
— Em algumas horas eu te entrego provas se isso é ou não uma armação.
Disse isso e se levantou.
Andou alguns passos.
Parou.
Virou-se novamente.
— Quando eu tiver as imagens das câmeras… alguém vai ter que se responsabilizar por isso.
Nathália soltou o ar devagar.
— Será que pode me levar pra casa? Desculpa… mas estou cansada.
— Sim. — respondeu de imediato. — Me dá quinze minutos e já vamos.
Alguns minutos depois Jorge voltou.
Nathália se despediu de todos.
Abraços rápidos.
Sorrisos tensos.
Ana tentou animá-la:
— Amanhã a gente vai fazer compras. Gastar, tirar o estresse.
Nathália esboçou um sorriso leve.
Quase forçado.
Porque, por mais segura que estivesse de Ricardo…
alguma coisa dentro dela…
já estava em alerta.
A viagem de helicóptero foi rápida.
E silenciosa.
Quando pousaram no topo do prédio da cobertura, Nathália olhou ao redor, surpresa.
— Eu nem sabia que podia pousar aqui.
Jorge soltou um riso leve.
— Não deixei na porta… mas deixei em cima.
Assim que o helicóptero tocou o solo e as hélices diminuíram, Nathália saiu com a ajuda dele.
Jorge falou baixo:
— O funcionário vai te acompanhar até a porta do apartamento. Qualquer coisa… não hesite em me ligar. Meu número já tá salvo no seu telefone.
— Obrigada… por tudo.
Ele pareceu meio sem jeito por um segundo.
Então a puxou para um abraço.
Curto.
Mas firme.
Protetor.
— Não precisa agradecer. — murmurou. — Eu sempre vou te proteger. A partir de agora… você tem um pai.
O peito de Nathália apertou.
Aquilo era bom.
Reconfortante.
Mas vinha junto com medo.
Com cuidado.
Com coisas que ela ainda não sabia nomear.
O funcionário a levou até a porta.
Assim que entrou, Nathália foi direto para o sofá.
Sentou.
Respirou fundo.
E chorou.
Por tudo.
Pelas fotos.
Pelo mal-entendido.
Por quase ter perdido a chance de ter irmãs.
Por ter encontrado um pai… justo no momento em que precisava ir embora.
O cansaço venceu seu corpo antes que pudesse pensar demais.
Ela adormeceu.
Era por volta das duas da manhã quando o celular vibrou.
Não uma vez.
Várias.
Tantas notificações que a despertaram sobressaltada.
Vídeos.
Muitos.
No e-mail.
Confusa, ela se levantou.
Foi até a cozinha.
Pegou um copo de água.
Passou pela mesa de jantar, pegou o notebook.
Voltou para o sofá.
Abriu o e-mail.
Clicou nos anexos.
E congelou.
Havia vídeos até do restaurante onde Ricardo estava com investidores.
Depois…
as câmeras do hotel.
No primeiro, Ricardo aparecia chegando.
Era praticamente arrastado por dois homens.
Claramente bêbado.
Ou dopado.
No vídeo seguinte, no corredor do quarto…
os homens entravam com ele.
Passavam o cartão.
A porta se abria.
Minutos depois, saíam rindo.
Outro arquivo.
Cerca de dez minutos depois — o horário aparecia no canto da tela.
Joyce.
Vestida com um sobretudo preto.
O rosto parcialmente coberto.
Passava o cartão do mesmo quarto.
Antes de entrar, olhava para os lados.
Um segundo.
— O áudio era mentira. — Nathália respirou fundo. — Armação da Joyce. Ela também mandou um áudio pro Jorge, fingindo que era eu, dizendo que só queria usar o dinheiro e o sobrenome dele. Ela fez tudo.
Ricardo congelou.
— Vocês conversaram?
— Um pouco.
Ela passou a mão pelo rosto.
— E eu tenho um plano… e acho que o Jorge vai aceitar.
Ricardo a encarou.
— Jorge?
— Sim.
Antes que ele dissesse qualquer coisa, o celular de Nathália começou a vibrar.
Ela olhou a tela.
Fran.
Atendeu.
— Alô… Fran, tudo bem?
Do outro lado da linha…
veio exatamente a resposta que ela precisava.
A peça que faltava.
Do outro lado da linha, a voz soou tensa:
— Dona Nathalia, desculpa o incômodo… mas não consigo falar com o senhor Ricardo.
Nathalia virou-se imediatamente para ele, cobrindo o microfone do celular com a mão.
— Cadê o seu celular?
Ricardo franziu a testa.
— Não sei. Acordei e não achei.
Ela assentiu e afastou a mão.
— Fran, ele perdeu o celular. Vou colocar no viva-voz, tudo bem?
Do outro lado, houve um pequeno silêncio antes da resposta:
— Sim, sim, dona Nathalia.
Nathalia ativou o alto-falante.
— Oi, Fran. — A voz dele estava firme.
— Oi, senhor Ricardo.
— Então… o que é tão importante a ponto de ligar até para Nathalia?
Fran pigarreou.
— Senhor Ricardo… o senhor lembra que eu disse que ia conferir as câmeras. Para ter certeza se tinha sido impressão minha ou não ter visto alguém saído da suas
— Sim. E então?
— Depois de alguns dias sem tempo… agora que estou no hospital, consegui verificar tudo. E naquele dia… quem saiu correndo da sua sala foi Joyce Nunes.
O maxilar de Ricardo se contraiu.
— Como ela entrou?
— Senhor, ela chegou às sete da manhã pela escada. Eu revisei todas as gravações. Entrou pela área dos entregadores. Talvez, pelo horário, tenham pensado que era funcionária.
Houve uma breve pausa.
Fran continuou:
— Depois disso, ela entrou no seu escritório. Mais tarde, as amigas da dona Nathalia chegaram. Só depois que elas saíram e o senhor foi para a sala de reunião… Joyce deixou sua sala às pressas e correu para o elevador.
Ricardo fechou os olhos por um segundo.
— Então foi assim que ela descobriu… — murmurou, virando-se para Natalhia— As meninas tinham ido lá para falar sobre o Jorge ser seu pai.
Ele voltou-se para o telefone.
— Fran… muito obrigado. Você é a melhor.
A ligação foi encerrada.
O silêncio caiu pesado.
Ricardo respirou fundo.
— Então… qual é o plano?
Nathalia ergueu o olhar, fria e precisa.
— Por enquanto, vamos deixar ela achar que deu certo. Que estamos separados. — Fez uma pausa. — Ela vai ter que confessar publicamente o que fez.
Ricardo estreitou os olhos.
— E eu vou arrancar isso dela. — Ela falou confiante.
Ele assentiu.
— Tudo bem.
Ricardo se levantou e seguiu em direção ao corredor.
— Já volto.
Nathalia ficou sozinha por alguns segundos.
Pensando.
Calculando.
Porque aquela guerra…
estava só começando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...