Na frente do prédio Nunes
Viaturas estacionadas.
Dois carros descaracterizados.
Joyce entrou no prédio compassos apressados.
O salto batendo forte no mármore do saguão.
O coração acelerado.
Ainda sentia o eco da palavra apreensão na cabeça.
Assim que atravessou a porta giratória…
congelou.
Policiais uniformizados.
Outros à paisana.
No meio do hall.
Caixas.
Pastas.
Computadores sendo retirados.
Funcionários cochichando em grupos pequenos.
Rostos pálidos.
Telefone tocando sem ninguém atender.
— Não… — murmurou.
Endireitou os ombros e avançou.
— O que está acontecendo aqui?!
Ninguém respondeu.
Ela passou por dois agentes levando monitores.
Subiu os degraus.
Elevador está ocupado por polícias.
Foi direto para a recepção da presidência.
A secretária do pai estava de pé atrás da mesa.
O rosto tenso.
Os dedos tremendo enquanto segurava o telefone.
— Onde está meu pai? — Joyce perguntou, sem rodeios.
A mulher ergueu os olhos.
Engoliu seco.
— Senhora Joyce… ninguém sabe.
O estômago dela revirou.
— Como assim ninguém sabe?
— Ele saiu cedo. — respondeu baixo. — Disse que tinha uma reunião urgente fora da empresa.
Joyce se aproximou.
— Com quem?
— Não deixou nome.
— Ligaram pra ele?
— O celular está desligado.
Joyce apertou a alça da bolsa.
Com força.
— Desde quando isso?
— Desde que os policiais chegaram.
O silêncio entre as duas ficou pesado.
— E… — Joyce respirou fundo. — Eles disseram o motivo?
A secretária balançou a cabeça.
— Não.
Fez uma pausa.
— Só falaram em investigação financeira.
Joyce sentiu o sangue gelar.
Financeira.
— Investigação de quê?
— Não explicaram, senhora.
Joyce virou o rosto lentamente.
Olhou para o saguão.
Para os policiais.
Para as caixas sendo lacradas.
Para os computadores desligados.
Para os cofres abertos.
Para os arquivos sendo retirados.
Tudo.
— Isso é perseguição. — sussurrou.
Mas agora…
nem ela mesma acreditava.
Porque quando a polícia entra assim…
não é para assustar.
É porque alguém puxou o fio certo.
E o novelo inteiro estava começando a desmoronar.
E o pior…
o pai dela…
tinha simplesmente desaparecido.
Joyce dirigiu até a mansão dos Nunes como se o volante fosse a única coisa mantendo o mundo inteiro de pé.
As mãos suadas.
O coração batendo rápido demais.
Entrou pelo portão de ferro sem nem esperar autorização.
Estacionou torto.
Saiu do carro quase correndo.
A cena que encontrou foi pior do que na empresa.
Duas viaturas ainda estavam paradas na lateral.
Um caminhão pequeno sendo fechado.
Caixas lacradas.
Agentes conversando entre si.
Outros saindo pela porta principal.
A operação estava terminando.
Mas o estrago…
já tinha sido feito.
— Mãe! — gritou assim que entrou no saguão.
A voz ecoou pela casa grande demais.
Silêncio.
Depois passos.
A mãe surgiu no topo da escada.
Rosto abatido.
Sem maquiagem.
O cabelo preso às pressas.
— Onde está o papai? — Joyce perguntou, subindo dois degraus de uma vez.
A mulher hesitou.
Olhou para os policiais.
Depois para a filha.
— Eu… não sei.
Joyce congelou.
— Como assim não sabe?
— Ele saiu cedo. — respondeu baixo. — Pegou alguns documentos. Disse que ia resolver uma coisa… e não voltou.
O estômago de Joyce despencou.
— Isso não faz sentido. — balançou a cabeça. — Meu pai não faria isso. Não assim.
A mãe fechou os olhos por um segundo.
Mesmo que fosse oportunismo.
Mesmo que fosse a última cartada.
Mas enquanto Joyce apostava tudo…
do outro lado da cidade, o jogo seguia por linhas bem diferentes.
Jorge ligou para Nathália no meio da manhã.
Assim que viu o nome dele na tela, ela se levantou da cadeira e foi rápido até a copa para atender.
— Alô?
A voz de Jorge veio firme.
— Boas notícias.
Nathália prendeu a respiração.
— O que aconteceu?
— Fomos procurar prata… e encontramos diamante.
Ela franziu a testa.
— Como assim?
— Nem precisamos ajudar para o império Nunes cair. — explicou. — Mais cedo ou mais tarde isso aconteceria. Encontramos inúmeras empresas laranja, lavagem de dinheiro…
Fez uma breve pausa.
— E o mais chocante: tudo está no nome da Joyce e da mãe dela.
O estômago de Nathália revirou.
— No nome delas?
— Sim. — confirmou. — Nada que, por enquanto, incrimine diretamente o Amaral Nunes.
Nathália levou a mão à boca.
— Mas sendo assim… a Joyce vai ser presa?
— Provavelmente. — respondeu. — Ainda hoje.
— Não.
A palavra saiu rápida demais.
— Ainda não.
Jorge ficou em silêncio por um segundo.
— Como assim, filha?
— Eu preciso que ela confesse o que fez com o Ricardo. — disse firme. — Que admita que armou tudo para separar a gente.
— Nathália… — a voz dele ficou mais cautelosa. — Você tem certeza?
— Tenho. — respondeu sem hesitar. — Tudo o que ela fez precisa vir à tona. Publicamente.
— Seria muito burrice ela admitir.
— Talvez. — Nathália respirou fundo. — Mas é necessário tentar e não duvide da burrice dela.
Do outro lado da linha, Jorge soltou um suspiro lento.
— Vou ver o que posso fazer para segurar a polícia por mais um tempo.
— Obrigada.
A ligação foi encerrada.
Nathália ficou parada por alguns segundos, encarando a parede branca da copa.
Ela tinha certeza.
Tinha sido Joyce.
As fotos.
A colunista.
A tentativa de destruir sua reputação.
Tudo levava ao mesmo nome.
E agora…
a mentira precisava ser desmontada.
Em público.
Do jeito que Joyce tentou destruí-la.
Sem bastidores.
Sem sombras.
Sem proteção.
Porque algumas quedas…
só doem de verdade quando acontecem diante de todo mundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...