Nathália ainda ficou para o almoço e logo depois foi embora.
Antes de sair, Agatha avisou:
— Às quatro da tarde a gente passa no seu trabalho.
Nathália franziu a testa.
— Pra quê?
Agatha sorriu.
— Surpresa.
Anabela e Ana trocaram um olhar cúmplice.
— Coisa de irmã.
Jorge se recolheu ao escritório logo depois da saída dela.
Parou diante da janela.
O campo verde se estendia até onde a vista alcançava… mas ele não via nada daquilo.
A preocupação o atingiu em cheio.
Claro que respeitaria o tempo dela.
Mas havia demorado tantos anos para encontrá-la.
Tantos.
E agora só queria poder estar perto.
Nathália era a prova viva de que existira amor entre ele e Emília.
Mas também…
a prova da própria covardia.
Durante anos, Jorge sonhara com o que diria se voltasse a encontrá-la.
Ensaiara discursos.
Pedidos de perdão.
Explicações.
Mas agora que sabia a verdade…
agora que a realidade pesava…
permitiu que a dor finalmente o alcançasse.
As lágrimas vieram.
Silenciosas.
Pesadas.
Culpa.
Arrependimento.
Ele era Jorge Lemann.
O homem mais rico de Serra Alta.
Mas naquele instante…
era apenas um homem que perdeu alguém.
Quebrando por dentro.
A porta se abriu atrás dele.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouviu a chave girar.
Marta.
Sem dúvida.
Continuou de costas, encarando a paisagem.
Ela entrou e fechou devagar.
— Jorge… — chamou baixo.
Ele não respondeu.
Marta se aproximou alguns passos.
— Nunca fomos bons nessas conversas. — disse com suavidade. — Mas não se preocupe… agora é a hora de lutar como você fez esses anos todos.
Ele engoliu seco.
— Só que agora não é pra procurar. — ela continuou. — É pra conquistar. E isso… só acontece com tempo.
Jorge fechou os olhos.
— E se eu não tiver tempo suficiente?
Marta chegou mais perto.
Colocou a mão sobre o ombro dele.
Trinta anos juntos.
Mesmo depois do divórcio, permaneceram aliados.
Ela o conhecia como ninguém.
— Você vai ter tempo, querido. — disse firme. — Ainda vai ver seus netos correndo nesse campo… e, quem sabe… até bisnetos.
Ele soltou um sopro quase risonho.
— Bisnetos? Não tão querendo nem me dar netos.
Marta sorriu.
— Não seja dramático. O mais difícil você já fez.
— E o que foi?
— Encontrou ela.
Jorge respirou fundo.
— Mas… e se isso não for suficiente?
Marta inclinou a cabeça.
— Nathália puxou você. — disse com calma. — Você também não aceita coisas grandes sem entender. Lembra quanto tempo levou pra aceitar o casamento da Agatha com o André? E aquilo era amor. Imagina um sobrenome desses… do nada.
Ele franziu a testa.
— São coisas diferentes.
— Talvez. — concedeu. — Mas tenta enxergar pelos olhos dela. Esse sobrenome vem com história. Com peso. Com ferida.
Jorge passou a mão pelo rosto.
Marta suspirou.
— Eu sei que você queria ter vivido tudo diferente com a Emília. — disse baixo. — Mas a vida raramente segue o roteiro que a gente escreve.
Fez uma pausa.
— Se martirizar agora não muda o passado. E forçar um vínculo… também não cria amor.
Ele permaneceu em silêncio.
— Calma. — completou. — Deixa a vida andar.
Jorge soltou um suspiro longo.
— Senta aí, senhora conselheira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...