Joyce chegou à recepção da Royal como quem entra em território próprio.
O salto alto ecoou pelo mármore.
Da sala de Ricardo vinham vozes abafadas.
Dava para ouvir tensão…
mas não distinguir palavras.
Joyce inclinou levemente a cabeça, curiosa.
Aproximou-se da mesa de Ingrid.
— O Ricardo está me esperando. — disse, segura demais. — Avise que eu cheguei.
Ingrid levantou os olhos, desconfortável.
— Sim, senhora… — respondeu com cautela. — Ele autorizou a entrada, mas não acredito que seja um bom momento—
Joyce a interrompeu, sem sequer olhar direito para ela.
— Você não é paga pra acreditar em nada. — cortou. — Só pra obedecer.
E saiu caminhando antes que Ingrid dissesse qualquer outra coisa.
Determinada.
Curiosa.
Convicta de que tinha vencido.
Parou diante da porta da sala.
Girou a maçaneta.
Abriu.
E congelou.
Nathália estava ajoelhada no chão.
Chorando.
O cabelo levemente desalinhado.
As mãos trêmulas, estendidas em súplica.
Ricardo, em pé diante dela, estava vermelho de raiva.
O maxilar travado.
— Eu não quero te ver nunca mais. — a voz dele saiu dura.
Um sorriso quase imperceptível se formou no canto da boca de Joyce.
Ela entrou.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, fingindo surpresa.
Ricardo nem olhou para ela de imediato.
— Nada demais. — respondeu seco. — Já foi resolvido.
Nathália ergueu o rosto, desesperada.
— Ricardo… por favor, meu amor… me escuta.
Tentou tocá-lo.
Ricardo deu um passo para trás.
Como se o toque queimasse.
Joyce inclinou a cabeça, teatral.
— Desculpa entrar assim, Ricardo. — disse com falsa delicadeza. — A moça lá fora disse que eu podia… mas acho que cheguei numa hora ruim.
Ricardo respirou fundo.
Virou-se para Joyce.
— Desculpa você ter visto isso. — falou, controlado. — Depois de me trair, ela veio aqui implorar perdão.
Joyce arqueou levemente a sobrancelha.
— Trair?
O sorriso dela cresceu por dentro.
Ricardo caminhou até a porta, ficando mais próximo de Joyce.
— A gente pode marcar pra outro momento. — disse. — Eu preciso de ar agora.
Joyce se adiantou um passo.
— Podemos sair juntos. — sugeriu, suave. — Às vezes companhia ajuda.
Ricardo hesitou.
Então falou, num tom carregado de decepção.
— Você tinha razão. — disse, olhando rapidamente para Nathália. — Sobre essa mulher.
Nathália baixou a cabeça, como se não tivesse forças nem pra responder.
Ricardo voltou o olhar para Joyce.
Chegou a segurar a mão dela por um segundo.
— Mas eu preciso ficar sozinho agora. — completou. — Me desculpa.
Joyce sorriu.
Vitoriosa.
— Eu entendo. — respondeu. — Já vi esse tipo de cena várias vezes.
Olhou para Nathália, de cima a baixo.
— Vai… eu cuido de jogar o lixo fora.
Ricardo saiu rápido.
Sem olhar para trás.
Seguiu para o elevador.
Desceu até o oitavo andar.
Entrou direto na sala de Fran.
Sem dizer nada.
Abriu o notebook.
Acessou o sistema interno.
As câmeras.
A sala dele.
O espetáculo continuava.
E agora…
ele ia assistir de camarote.
Todas as peças estavam posicionadas, as duas principais no centro do escritório da Royal.
Nathália se levantou devagar.
Alisou a saia.
Pegou a bolsa.
Fez menção de sair.
Joyce riu.
— Eu avisei. — disse, satisfeita. — Ninguém toca no que é meu.
Nathália virou o rosto na direção dela.
— Você é patética. — respondeu, calma demais. — Essa raiva dele passa.
Joyce gargalhou.
— Me chama de burra de novo. — rosnou. — Você não faz ideia com quem tá lidando. Eu avisei.
Nathália caminhou até a porta.
— O Ricardo vai saber disso tudo.
Joyce segurou o braço dela com força.
— Acha mesmo que ele vai acreditar? — aproximou o rosto. — Eu sou só a burrinha, lembra?
Passou a mão, lenta, pelo rosto de Nathália.
— A melhor parte vem agora. — sussurrou, orgulhosa. — As fotos… pedi pra um amigo fazer. Ângulo certo. Sombra certa. Nada demais.
Nathália virou-se para a maçaneta.
Joyce fechou a porta.
— Se você não sair do meu caminho… a próxima a acordar drogada numa cama vai ser você.
Sorriu, venenosa.
— Já pensou o que um desconhecido faria com você desacordada?
— Eu pensei. Você deveria pensar também.
Nathália a encarou.
— Você é louca.
— Sou. — confirmou. — E você já viu do que eu sou capaz quando mexem no que é meu.
Afastou-se da porta.
— Então sai. E não volta mais.
Fez um gesto casual.
— Por precaução, vou mandar alguém te vigiar.
— Ricardo nunca vai ficar com você. — Nathália disse, firme.
Joyce abriu a porta.
— É o que veremos.
Nathália saiu.
Ao passar pela mesa de Ingrid, piscou discretamente.
Entrou no elevador.
Antes das portas se fecharem, digitou uma mensagem:
> “Ótimo espetáculo.
Vejo você à noite, senhor Rocha."
Ricardo assistia a tudo.
Em silêncio.
Cada palavra.
Cada confissão.
Cada ameaça.
E Joyce…
Sentada na cadeira de Ricardo,
sentindo-se no controle,
não fazia ideia de que uma câmera a observava.
Nem imaginava que,
a cada palavra dita,
acabava de assinar a própria sentença.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...