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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 427

Joyce chegou à recepção da Royal como quem entra em território próprio.

O salto alto ecoou pelo mármore.

Da sala de Ricardo vinham vozes abafadas.

Dava para ouvir tensão…

mas não distinguir palavras.

Joyce inclinou levemente a cabeça, curiosa.

Aproximou-se da mesa de Ingrid.

— O Ricardo está me esperando. — disse, segura demais. — Avise que eu cheguei.

Ingrid levantou os olhos, desconfortável.

— Sim, senhora… — respondeu com cautela. — Ele autorizou a entrada, mas não acredito que seja um bom momento—

Joyce a interrompeu, sem sequer olhar direito para ela.

— Você não é paga pra acreditar em nada. — cortou. — Só pra obedecer.

E saiu caminhando antes que Ingrid dissesse qualquer outra coisa.

Determinada.

Curiosa.

Convicta de que tinha vencido.

Parou diante da porta da sala.

Girou a maçaneta.

Abriu.

E congelou.

Nathália estava ajoelhada no chão.

Chorando.

O cabelo levemente desalinhado.

As mãos trêmulas, estendidas em súplica.

Ricardo, em pé diante dela, estava vermelho de raiva.

O maxilar travado.

— Eu não quero te ver nunca mais. — a voz dele saiu dura.

Um sorriso quase imperceptível se formou no canto da boca de Joyce.

Ela entrou.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou, fingindo surpresa.

Ricardo nem olhou para ela de imediato.

— Nada demais. — respondeu seco. — Já foi resolvido.

Nathália ergueu o rosto, desesperada.

— Ricardo… por favor, meu amor… me escuta.

Tentou tocá-lo.

Ricardo deu um passo para trás.

Como se o toque queimasse.

Joyce inclinou a cabeça, teatral.

— Desculpa entrar assim, Ricardo. — disse com falsa delicadeza. — A moça lá fora disse que eu podia… mas acho que cheguei numa hora ruim.

Ricardo respirou fundo.

Virou-se para Joyce.

— Desculpa você ter visto isso. — falou, controlado. — Depois de me trair, ela veio aqui implorar perdão.

Joyce arqueou levemente a sobrancelha.

— Trair?

O sorriso dela cresceu por dentro.

Ricardo caminhou até a porta, ficando mais próximo de Joyce.

— A gente pode marcar pra outro momento. — disse. — Eu preciso de ar agora.

Joyce se adiantou um passo.

— Podemos sair juntos. — sugeriu, suave. — Às vezes companhia ajuda.

Ricardo hesitou.

Então falou, num tom carregado de decepção.

— Você tinha razão. — disse, olhando rapidamente para Nathália. — Sobre essa mulher.

Nathália baixou a cabeça, como se não tivesse forças nem pra responder.

Ricardo voltou o olhar para Joyce.

Chegou a segurar a mão dela por um segundo.

— Mas eu preciso ficar sozinho agora. — completou. — Me desculpa.

Joyce sorriu.

Vitoriosa.

— Eu entendo. — respondeu. — Já vi esse tipo de cena várias vezes.

Olhou para Nathália, de cima a baixo.

— Vai… eu cuido de jogar o lixo fora.

Ricardo saiu rápido.

Sem olhar para trás.

Seguiu para o elevador.

Desceu até o oitavo andar.

Entrou direto na sala de Fran.

Sem dizer nada.

Abriu o notebook.

Acessou o sistema interno.

As câmeras.

A sala dele.

O espetáculo continuava.

E agora…

ele ia assistir de camarote.

Todas as peças estavam posicionadas, as duas principais no centro do escritório da Royal.

Nathália se levantou devagar.

Alisou a saia.

Pegou a bolsa.

Fez menção de sair.

Joyce riu.

— Eu avisei. — disse, satisfeita. — Ninguém toca no que é meu.

Nathália virou o rosto na direção dela.

— Você é patética. — respondeu, calma demais. — Essa raiva dele passa.

Joyce gargalhou.

— Me chama de burra de novo. — rosnou. — Você não faz ideia com quem tá lidando. Eu avisei.

Nathália caminhou até a porta.

— O Ricardo vai saber disso tudo.

Joyce segurou o braço dela com força.

— Acha mesmo que ele vai acreditar? — aproximou o rosto. — Eu sou só a burrinha, lembra?

Passou a mão, lenta, pelo rosto de Nathália.

— A melhor parte vem agora. — sussurrou, orgulhosa. — As fotos… pedi pra um amigo fazer. Ângulo certo. Sombra certa. Nada demais.

Nathália virou-se para a maçaneta.

Joyce fechou a porta.

— Se você não sair do meu caminho… a próxima a acordar drogada numa cama vai ser você.

Sorriu, venenosa.

— Já pensou o que um desconhecido faria com você desacordada?

— Eu pensei. Você deveria pensar também.

Nathália a encarou.

— Você é louca.

— Sou. — confirmou. — E você já viu do que eu sou capaz quando mexem no que é meu.

Afastou-se da porta.

— Então sai. E não volta mais.

Fez um gesto casual.

— Por precaução, vou mandar alguém te vigiar.

— Ricardo nunca vai ficar com você. — Nathália disse, firme.

Joyce abriu a porta.

— É o que veremos.

Nathália saiu.

Ao passar pela mesa de Ingrid, piscou discretamente.

Entrou no elevador.

Antes das portas se fecharem, digitou uma mensagem:

> “Ótimo espetáculo.

Vejo você à noite, senhor Rocha."

Ricardo assistia a tudo.

Em silêncio.

Cada palavra.

Cada confissão.

Cada ameaça.

E Joyce…

Sentada na cadeira de Ricardo,

sentindo-se no controle,

não fazia ideia de que uma câmera a observava.

Nem imaginava que,

a cada palavra dita,

acabava de assinar a própria sentença.

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